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Do campo à cidade: tudo sobre a brucelose e como se proteger

Brucelose: saiba se é comum, formas de transmissão, principais sintomas, causas, tratamento e incidência da doença no Brasil hoje

29 jan 2026 - 08h01
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A brucelose é uma infecção causada por bactérias do gênero Brucella, que afeta principalmente animais, mas também pode atingir seres humanos. Trata-se de uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para pessoas, muito associada à pecuária e ao consumo de produtos de origem animal sem controle sanitário adequado. No Brasil, o tema é monitorado por órgãos de saúde pública e pelo setor agropecuário, devido ao impacto na saúde humana e na produção rural.

Embora seja considerada uma doença controlável, a brucelose ainda ocorre em diversos estados brasileiros, principalmente em regiões com atividade pecuária intensa. A infecção humana está ligada, em grande parte, ao contato direto com animais doentes, manipulação de carcaças, secreções e ao consumo de leite cru e derivados não pasteurizados. Em áreas rurais, trabalhadores do campo, médicos veterinários e profissionais de abatedouros estão entre os grupos com maior risco de exposição.

Brucelose é comum? Como está a incidência no Brasil?

No Brasil, a doença não está entre as infecções mais frequentes na população geral, mas apresenta relevância em áreas rurais e em segmentos específicos da cadeia produtiva de carne e leite. A incidência varia conforme o estado, o nível de fiscalização sanitária e a adesão dos produtores aos programas de vacinação e controle no rebanho.

Dados de vigilância mostram que muitos casos humanos de brucelose são subnotificados, já que os sintomas podem ser confundidos com outras doenças febris. Mesmo assim, registros oficiais indicam dezenas a algumas centenas de casos suspeitos e confirmados por ano, com maior concentração em regiões de criação de bovinos, suínos, caprinos e ovinos. A brucelose bovina, em especial, é alvo do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose, que busca reduzir tanto a infecção em animais quanto o risco para a população.

No Brasil, programas de vacinação do rebanho, inspeção sanitária e controle em frigoríficos são estratégias essenciais para reduzir a circulação da bactéria e proteger a saúde humana – depositphotos.com / katerynakon
No Brasil, programas de vacinação do rebanho, inspeção sanitária e controle em frigoríficos são estratégias essenciais para reduzir a circulação da bactéria e proteger a saúde humana – depositphotos.com / katerynakon
Foto: Giro 10

Como a brucelose é transmitida para humanos?

A transmissão da brucelose para pessoas ocorre principalmente por contato com animais infectados ou com seus produtos. A bactéria Brucella pode estar presente em sangue, leite, urina, secreções vaginais e tecidos, como placenta e fetos abortados. Quando esses materiais entram em contato com feridas na pele, mucosas ou são inalados em ambientes fechados, a infecção pode acontecer.

As formas mais comuns de contágio incluem:

  • Consumo de leite cru e derivados não pasteurizados, como queijos artesanais produzidos sem controle sanitário.
  • Contato ocupacional com animais ou carcaças em fazendas, abatedouros, frigoríficos e laboratórios.
  • Inalação de aerossóis com partículas contaminadas, principalmente em ambientes de trabalho com presença de secreções animais.

A transmissão de pessoa para pessoa é considerada rara. Situações como transplantes, amamentação ou contato sexual têm relatos esporádicos, mas não são as principais vias de disseminação. Por isso, o foco de prevenção costuma estar na cadeia produtiva animal e na manipulação segura de alimentos de origem animal.

Quais são as causas e fatores de risco da brucelose?

A causa direta da brucelose é a infecção pela bactéria Brucella, que possui diferentes espécies associadas a animais específicos, como bovinos, suínos, cabras e ovelhas. Em humanos, as espécies mais envolvidas são Brucella melitensis, Brucella abortus e Brucella suis. A bactéria tem capacidade de sobreviver dentro das células do sistema imune, o que favorece infecções prolongadas.

Alguns fatores aumentam o risco de adquirir brucelose:

  1. Trabalho com rebanhos bovinos, caprinos, ovinos ou suínos sem medidas adequadas de biossegurança.
  2. Atuação em abatedouros, frigoríficos ou inspeção de alimentos com pouca proteção individual.
  3. Consumo habitual de leite cru e queijos frescos artesanais sem origem controlada.
  4. Participação em partos de animais ou manejo de fetos abortados sem uso de luvas e equipamentos de proteção.

A ausência de vacinação adequada em animais, falhas em exames de rotina no rebanho e falta de fiscalização sanitária contribuem para a manutenção da doença em determinadas regiões. Por esse motivo, a brucelose é considerada uma enfermidade de interface entre a saúde animal e a saúde humana.

Quais são os sintomas da brucelose em humanos?

Os sintomas da brucelose podem variar bastante, indo de quadros leves e inespecíficos até infecções persistentes. Em geral, a pessoa infectada apresenta um quadro febril prolongado, o que leva muitos profissionais a considerar inicialmente outras doenças, como dengue, malária ou febre tifóide. Essa semelhança dificulta o diagnóstico precoce.

Entre os sinais e manifestações mais relatados estão:

  • Febre, muitas vezes intermitente ou em ondas.
  • Cansaço e sensação de mal-estar geral.
  • Dores musculares e articulares, especialmente em coluna, joelhos e quadris.
  • Suor excessivo, principalmente à noite.
  • Dor de cabeça e falta de apetite.

Se não tratada adequadamente, a brucelose pode tornar-se crônica e comprometer diferentes órgãos, como ossos, articulações, fígado, baço e, em alguns casos, o sistema nervoso. Em trabalhadores rurais, a presença de febre prolongada associada a dor articular e histórico de exposição a animais costuma levantar a suspeita clínica.

Febre prolongada, suor noturno, dores musculares e articulares estão entre os sintomas mais comuns da brucelose, quadro que muitas vezes é confundido com outras doenças febris e acaba subnotificado – depositphotos.com / rummess
Febre prolongada, suor noturno, dores musculares e articulares estão entre os sintomas mais comuns da brucelose, quadro que muitas vezes é confundido com outras doenças febris e acaba subnotificado – depositphotos.com / rummess
Foto: Giro 10

Como é feito o diagnóstico e o tratamento da brucelose?

O diagnóstico da brucelose combina avaliação clínica, histórico de exposição e exames laboratoriais. Profissionais de saúde costumam solicitar sorologias específicas para detectar anticorpos contra Brucella e, em alguns casos, culturas de sangue ou outros materiais para tentar isolar a bactéria. Exames de imagem podem ser utilizados quando há suspeita de comprometimento articular, ósseo ou de outros órgãos.

O tratamento da brucelose é baseado em antibióticos, geralmente em esquemas combinados e por tempo prolongado, frequentemente de 6 a 8 semanas, dependendo da gravidade e da resposta clínica. Entre os medicamentos usados, costumam estar associações que incluem doxiciclina, rifampicina e outros antibióticos indicados em protocolos oficiais. A duração estendida do tratamento tem como objetivo reduzir o risco de recaídas.

Para casos mais complexos, como comprometimento do sistema nervoso central ou de válvulas cardíacas, podem ser necessários esquemas terapêuticos específicos e internação hospitalar. O acompanhamento médico é importante para monitorar a evolução, ajustar medicações e avaliar possíveis efeitos adversos. Interromper o tratamento antes do período recomendado aumenta a chance de persistência da bactéria.

Prevenção da brucelose e cuidados na realidade brasileira

No contexto brasileiro, a prevenção da brucelose passa por ações integradas entre saúde humana e saúde animal. Programas de vacinação de fêmeas bovinas, rastreabilidade do rebanho, abate sanitário de animais reagentes e inspeção oficial em frigoríficos são estratégias centrais para diminuir a circulação da bactéria.

Do ponto de vista da população, algumas medidas são consideradas fundamentais:

  • Dar preferência a leite pasteurizado ou fervido e queijos produzidos sob inspeção sanitária.
  • Utilizar equipamentos de proteção individual (luvas, avental, botas, máscaras) ao manipular animais, sangue ou secreções.
  • Seguir orientações de serviços veterinários sobre vacinação e descarte correto de fetos e materiais biológicos.
  • Procurar atendimento de saúde em casos de febre prolongada, principalmente em pessoas que trabalham com criação de animais.

Ao integrar vigilância epidemiológica, controle sanitário de rebanhos e educação em saúde, diferentes setores conseguem reduzir a incidência de brucelose e limitar seu impacto no país. A informação sobre modos de transmissão, sintomas, causas e tratamento continua sendo uma ferramenta importante para evitar novos casos, especialmente em regiões onde a atividade agropecuária é intensa.

Giro 10
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