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Desmaio: quando é um sinal de alerta para problemas cardíacos?

Desmaio pode ter causas comuns, mas também pode indicar alterações cardíacas. Entenda os sinais de alerta, quando procurar atendimento e quais exames podem ser indicados.

14 set 2026 - 20h03
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Resumo
Embora a maioria dos desmaios tenha causas benignas, como a síncope vasovagal ou queda de pressão, o sintoma pode indicar arritmias e cardiopatias graves. Especialistas alertam que episódios ocorridos durante esforço físico, ao estar deitado, de forma súbita ou associados a dor no peito e palpitações exigem socorro imediato. Um eletrocardiograma alterado eleva em quase sete vezes a chance de origem cardíaca, reforçando a importância de investigar a perda de consciência sem motivo aparente.

Perder a consciência de repente pode assustar. Em muitos casos, a recuperação acontece rapidamente e sem complicações. Ainda assim, o desmaio nem sempre deve ser considerado um episódio banal.

Foto: Science Photo Library
Foto: Science Photo Library
Foto: Saúde em Dia

O desmaio, também chamado de síncope, ocorre quando há uma redução temporária do fluxo de sangue para o cérebro. A pessoa perde a consciência por um período curto e costuma se recuperar espontaneamente.

A causa pode ser simples, como calor, medo ou estresse. Porém, em algumas situações, o episódio pode estar relacionado a uma arritmia ou outro problema cardiovascular.

Segundo o Dr. Cristiano Faria Pisani, cardiologista, especialista em eletrofisiologia e Presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), o contexto do episódio é essencial para avaliar o risco.

"O desmaio não deve ser analisado apenas pelo fato de a pessoa ter perdido a consciência. É preciso entender o que estava acontecendo antes do episódio, se havia algum sintoma associado e como foi a recuperação".

Desmaio pode estar relacionado ao coração?

Nem todo episódio tem origem cardíaca. Cerca de 40% a 50% dos casos estão relacionados à chamada síncope vasovagal.

Ela pode acontecer diante de situações como:

  • calor intenso;
  • dor;
  • medo;
  • estresse emocional.

Outra causa frequente é a hipotensão ortostática. Ela ocorre quando a pressão arterial cai ao se levantar. O problema responde por aproximadamente 20% a 30% dos episódios, principalmente entre pessoas mais velhas.

Por outro lado, alterações nos batimentos cardíacos também podem provocar perda de consciência.

As arritmias podem fazer o coração bater muito rápido, muito devagar ou de maneira irregular. Com isso, o órgão pode não conseguir manter o fluxo adequado de sangue para o cérebro.

"As arritmias podem fazer o coração bater muito rápido, muito devagar ou de maneira irregular. Dependendo da intensidade e da duração dessa alteração, o coração pode não conseguir manter um fluxo adequado de sangue para o cérebro, levando à perda de consciência", explica o Dr. Pisani.

Desmaio: quais sinais acendem o alerta?

O contexto em que ocorre o episódio é uma das informações mais importantes para o médico.

Um desmaio durante atividade física ou esforço merece atenção especial. O risco também aumenta quando a perda de consciência acontece sem qualquer sintoma antes do episódio.

Normalmente, alguns sinais podem aparecer antes de uma síncope. Entre eles estão tontura, sensação de calor, náusea e visão escurecida.

Quando esses sinais não aparecem, a investigação pode ser ainda mais importante.

"Quando o desmaio acontece durante o exercício, especialmente sem nenhum sintoma de alerta, precisamos investigar com mais cuidado. Esse tipo de episódio pode estar associado a alterações do ritmo cardíaco ou a problemas estruturais do coração", alerta o cardiologista.

Outros sinais de alerta

Algumas características também podem indicar a necessidade de avaliação médica. Entre elas estão:

  • palpitações antes ou durante o episódio;
  • dor no peito;
  • falta de ar;
  • histórico de doença cardíaca;
  • familiares com histórico de morte súbita;
  • episódios repetidos de síncope;
  • perda de consciência durante o esforço;
  • desmaio sem sintomas prévios;
  • desmaio enquanto a pessoa estava deitada.

A posição do corpo também ajuda a entender o episódio. Uma síncope vasovagal costuma ocorrer após ficar muito tempo em pé ou diante de calor, dor, medo ou estresse.

Já um desmaio enquanto a pessoa está deitada foge do padrão mais comum e merece investigação.

"Um desmaio enquanto a pessoa está deitada, por exemplo, chama a atenção porque foge do padrão mais típico da síncope vasovagal. Da mesma forma, episódios recorrentes ou associados a palpitações precisam ser avaliados para descartar uma causa cardíaca", afirma o Dr. Pisani.

Estudo relaciona desmaio a alterações cardíacas

Um estudo publicado em março de 2026 no periódico BMC Emergency Medicine reforça a importância de avaliar alguns casos de síncope com atenção.

A pesquisa acompanhou 400 adultos atendidos em um pronto-socorro após episódios de síncope. Os pesquisadores identificaram achados cardíacos em 23,3% dos pacientes durante 24 horas de observação.

A maior parte desses achados apareceu nas primeiras 12 horas. Segundo o estudo, 70,9% foram identificados nesse período.

O trabalho também encontrou uma associação importante com o eletrocardiograma.

Um exame com resultado anormal esteve relacionado a uma chance quase sete vezes maior de a síncope ter origem cardíaca. No estudo, a alteração no eletrocardiograma apresentou odds ratio de 6,84 para síncope cardíaca.

Os resultados reforçam a importância de uma avaliação inicial cuidadosa. A necessidade de observação prolongada, porém, deve ser definida conforme os fatores de risco e os achados de cada paciente.

O que fazer depois de um desmaio?

A recuperação rápida não significa que a causa do episódio seja conhecida.

Quando ocorre um primeiro desmaio sem explicação clara, especialmente na presença de fatores de risco cardiovascular, é importante procurar avaliação médica.

O profissional deve investigar o que aconteceu antes da perda de consciência. Também é importante saber quanto tempo a pessoa ficou desacordada e como ocorreu a recuperação.

A avaliação pode incluir:

  • histórico detalhado do episódio;
  • exame físico;
  • medição da pressão arterial;
  • avaliação da pressão em diferentes posições;
  • eletrocardiograma;
  • monitorização do ritmo cardíaco, quando indicada;
  • ecocardiograma, conforme a suspeita clínica.

"O eletrocardiograma é um exame simples, rápido e muito importante na avaliação inicial. Ele pode trazer pistas de alterações elétricas do coração que ajudam a direcionar a investigação", explica o especialista.

Dependendo dos resultados, o médico pode solicitar outros exames. A decisão depende do conjunto de sintomas, histórico e fatores de risco.

Quando procurar atendimento imediatamente?

Algumas situações exigem atendimento de emergência. Isso vale especialmente quando o desmaio vem acompanhado de sintomas que podem indicar uma condição grave.

Procure atendimento imediato quando houver:

  • dor no peito;
  • falta de ar;
  • palpitações intensas;
  • alteração neurológica;
  • convulsões;
  • trauma importante após a queda;
  • dificuldade para recuperar a consciência;
  • desmaio durante exercício;
  • perda de consciência sem sinais de alerta;
  • doença cardíaca conhecida.

"Se a pessoa desmaia e apresenta dor no peito, falta de ar, palpitações importantes ou demora para recuperar a consciência, não é recomendado simplesmente esperar passar. É preciso procurar atendimento para identificar a causa do episódio", orienta o Dr. Pisani.

Desmaio precisa sempre de investigação?

Não necessariamente. Muitos episódios têm causas benignas, principalmente quando acontecem em situações típicas de síncope vasovagal ou após uma queda de pressão.

Porém, o primeiro desmaio sem causa evidente merece atenção, mesmo quando a pessoa recupera a consciência rapidamente.

O mais importante é observar o contexto. O que aconteceu antes do episódio? Havia algum sintoma? A pessoa estava fazendo esforço? Estava deitada? Houve palpitação ou dor no peito?

Essas informações ajudam o médico a diferenciar situações de menor risco de possíveis manifestações de doenças cardiovasculares.

"Mesmo quando a pessoa se recupera rapidamente, o primeiro episódio de desmaio sem uma causa evidente merece atenção. O objetivo da avaliação não é alarmar o paciente, mas identificar aqueles casos em que existe um risco maior e que precisam de investigação", conclui o cardiologista.

Em resumo, o desmaio pode ter causas simples, mas alguns padrões exigem investigação. Episódios durante exercícios, sem aviso, enquanto a pessoa está deitada ou acompanhados de sintomas cardíacos merecem atenção médica.

Saúde em Dia
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