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De HIV a desnutrição: estudo avalia 40 indicadores de saúde no Brasil nos últimos 29 anos; confira

Realizada entre 1990 e 2019, pesquisa evidencia os principais avanços e também os desafios a serem superados no País

7 jun 2024 - 15h40
(atualizado às 19h05)
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Brasil teve piora em índices de HIV/AIDS, violência, mortes por desastres, taxas de suicídio, entre outros
Brasil teve piora em índices de HIV/AIDS, violência, mortes por desastres, taxas de suicídio, entre outros
Foto: amygdala_imagery/iStock

Uma parceria entre pesquisadores do Reino Unido, Brasil e Equador analisou a evolução de 40 indicadores de saúde ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) nos dois países sul-americanos. De acordo com a pesquisa, entre 1990 e 2019, o Brasil teve avanços notáveis em áreas como desnutrição, mortalidade neonatal e cobertura vacinal, mas uma piora em índices de HIV/AIDS, violência, mortes por desastres, taxas de suicídio, entre outros.

O estudo foi publicado na revista Public Health e teve participação do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos em Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), entre outros espaços de pesquisa e universidades brasileiros. A análise foi promovida pela Unidade Pesquisa em Determinantes Sociais e Ambientais das Desigualdades em Saúde (Sedhi).

Segundo comunicado da Fiocruz, o índice dos ODS apresentou uma mudança positiva de 46% no Brasil e de 24% no Equador. Análises de tendências indicam que, até 2030, esses índices crescerão em 70 pontos no Brasil e 65 pontos no Equador.

Confira os principais avanços e os desafios brasileiros.

Desnutrição e a mortalidade

De acordo com a pesquisa, Brasil e Equador reduziram significativamente os números de desnutrição crônica e aguda, as taxas de mortalidade neonatal, as prevalências de doenças tropicais negligenciadas, e as incidências de tuberculose e malária.

Vacinação

A mudança percentual positiva na pontuação da cobertura vacinal foi a mais expressiva nos dois países, com 424% de melhora para o Brasil e 357% para o Equador, evidenciando a efetividade das campanhas de vacinação. "Ambos os países ampliaram largamente a cobertura vacinal, em torno de 200% [somando os avanços dos dois]", explicou a pesquisadora da Universidade Federal de Minas gerais (UFMG) e co-autora do artigo, Laís Cardoso, em comunicado da Fiocruz.

Registros de mortalidade

Em 2019, o Brasil registrou uma porcentagem mais elevada de óbitos bem certificados em comparação com o Equador. O índice brasileiro foi de 83,6%, enquanto no Equador foi de 69,4%, indicando uma maior precisão nos registros de mortalidade.

Assistência ao parto e planejamento familiar

Uma mudança positiva de mais de 20% foi observada nos países para a assistência ao parto qualificada. Além disso, também houve melhora em aspectos como planejamento familiar por meio de métodos contraceptivos.

Desafios persistentes

No Brasil e no Equador, a incidência de HIV, o consumo de álcool e a taxa de homicídios mostraram tendências preocupantes. Para ter ideia, a taxa de homicídios no Brasil dobrou em relação à do Equador. Nosso País apresentou uma taxa de 27,5 para 100 mil, enquanto o número do Equador foi 13,3/100 mil. Ao todo, entre 1990 e 2019, os seguintes indicadores pioraram:

  • Taxa de mortalidade por desastres
  • Prevalência de sobrepeso infantil
  • Incidência de HIV
  • Consumo de álcool
  • Prevalência de violência não íntima entre parceiros
  • Taxa de homicídios
  • Violência física
  • Violência sexual
  • Abuso sexual infantil
  • Taxa de mortalidade por suicídio (apenas no Brasil) / COM AGÊNCIA FIOCRUZ
Estadão
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