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Convulsão: 7 erros que podem piorar tudo na hora

Cena de Henri Castelli no BBB alerta: tentar segurar a língua ou conter os movimentos são mitos perigosos que causam fraturas e asfixia

14 jan 2026 - 16h22
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A cena recente protagonizada pelo ator Henri Castelli durante uma prova de resistência no Big Brother Brasil 26 trouxe à tona um tema que gera pânico imediato: a convulsão. O participante, submetido a esforço físico intenso e privação de sono, sofreu uma crise que assustou o público e os colegas de confinamento.

Embora o atendimento no programa tenha sido rápido, na vida real, o cenário costuma ser caótico. Quem presencia uma pessoa caindo, se debatendo e perdendo a consciência tende a agir por instinto.

E é exatamente nesse momento que os erros podem ser cometidos. O desejo de ajudar, sem as devidas instruções médicas, pode transformar uma crise passageira em um trauma físico grave ou até em risco de morte por asfixia.

Erros que pioram a convulsão 

Especialistas explicam que a convulsão é uma descarga elétrica desorganizada no cérebro. O corpo está em "curto-circuito". Portanto, tentar intervir na força bruta ou colocar objetos na boca são atitudes contraindicadas ao prestar socorro.

1. Colocar a mão ou objetos na boca 

Este é, sem dúvida, o mito mais perigoso e difundido. A crença de que a pessoa "vai enrolar a língua e morrer sufocada" faz com que socorristas leigos tentem puxar a língua da vítima ou inserir colheres, panos e até os próprios dedos na boca.

Durante a crise, a mandíbula se contrai com uma força descomunal (trismo). Ao tentar abrir a boca da vítima, você corre o risco de ter seus dedos decepados ou gravemente feridos.

Para a vítima, o risco é ainda maior. Objetos duros podem quebrar os dentes, e os fragmentos ósseos ou do objeto podem ser aspirados para o pulmão, causando asfixia ou pneumonia grave.

É importante frisar que, a língua é um músculo. Sendo assim, ela relaxa, mas não "enrola" para trás a ponto de fechar a garganta sozinha se a pessoa estiver deitada de lado.

2. Tentar segurar ou imobilizar a vítima

Ver alguém se debatendo gera a reação instintiva de tentar "parar" o movimento segurando os braços e pernas. No caso de Henri Castelli, a tensão muscular foi visível, algo comum em crises tônico-clônicas.

As contrações musculares são involuntárias e extremamente potentes. Tentar conter esses movimentos à força pode resultar em fraturas ósseas, luxações de ombro e rompimento de ligamentos.

Deixe a crise acontecer livremente, apenas protegendo a cabeça. O movimento vai parar sozinho quando a descarga elétrica cerebral cessar.

3. Dar água ou remédio assim que a crise para

Quando a pessoa começa a recuperar a consciência ou parar de se debater, é comum que alguém ofereça um copo d'água com açúcar ou tente administrar um remédio oral imediatamente.

No entanto, o reflexo de deglutição (engolir) pode permanecer comprometido por vários minutos após o evento. Oferecer líquidos ou comprimidos aumenta drasticamente o risco de engasgo e aspiração do líquido para os pulmões, o que pode evoluir para uma infecção grave.

Assim, só ofereça líquidos quando a pessoa estiver totalmente alerta, sentada e falando coerentemente.

4. Jogar água no rosto ou cheirar álcool

Muitas pessoas tentam "acordar" a vítima jogando água fria no rosto, dando tapas leves ou fazendo-a cheirar álcool ou amônia.

A convulsão não é um desmaio comum (síncope). O cérebro não vai "reiniciar" por causa de estímulos externos. Jogar água pode fazer com que a pessoa aspire o líquido.

Odores fortes podem irritar as vias aéreas. A recuperação da consciência tem um tempo fisiológico próprio que deve ser respeitado.

5. Transportar a vítima durante a crise

A menos que a pessoa esteja em um local de risco iminente (como no meio de uma avenida movimentada, dentro de uma piscina ou perto de fogo), não tente movê-la.

Carregar alguém que está se debatendo é difícil e perigoso. Você pode cair junto com a vítima, causando traumatismo craniano nela ou lesões na sua própria coluna.

O ideal é afastar os móveis e objetos perigosos ao redor e deixar a pessoa no chão. Além disso, proteja a cabeça com algo macio, como uma almofada ou casaco dobrado.

6. Ignorar o tempo 

No desespero, a noção de tempo desaparece. Mas marcar a duração da crise é vital. Uma convulsão que dura mais de 5 minutos muda de categoria e vira uma emergência médica gravíssima.

Se você não marca o tempo, não sabe informar ao SAMU a gravidade da situação. Segundo o neurocirurgião Raphael Bertani, crises acima de 5 minutos aumentam o risco de lesão cerebral permanente e exigem medicação venosa imediata que só a ambulância ou o hospital possuem.

7. Deixar a pessoa sozinha após a crise

Após a fase de agitação, a pessoa geralmente entra em um sono profundo ou estado de confusão mental (fase pós-ictal). Muitos acham que "já passou" e deixam a vítima sozinha.

É nesse momento que ocorre o relaxamento total da musculatura. Se a pessoa estiver de barriga para cima, pode vomitar e engasgar com o próprio vômito ou saliva. O correto é virar a pessoa de lado e aguardar até que ela acorde e esteja totalmente consciente.

O que causa a crise?

O episódio no reality show nos lembra que não é preciso ser epilético para ter uma convulsão. Fatores como privação extrema de sono, esforço físico intenso, febre alta, desidratação severa, hipoglicemia e uso de certas substâncias podem ser gatilhos para qualquer pessoa. 

Logo, evitar esses erros garante que, independentemente da causa, a vítima saia do episódio com o menor dano possível.

Saúde em Dia
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