Como driblar a covid-19 na Copa? Veja cuidados ao reunir para torcer
Especialistas alertam grupos mais vulneráveis devem redobrar cuidados; campeonato mundial tem início no domingo, 20, e vai até 18 de dezembro, quando acontece a final
A menos de uma semana para o início da Copa do Mundo - momento em que amigos e familiares costumam se reunir para ver as partidas de futebol -, o aumento de casos de covid-19 provocado por novas subvariantes da Ômicron tem reforçado a necessidade de medidas preventivas para evitar ainda mais a proliferação da doença. Especialistas orientam que os cuidados devem ser redobrados principalmente por grupos mais vulneráveis.
"Idosos, gestantes e pessoas com imunocomprometimentos não devem se expor tanto neste momento. Também é preciso levar em consideração que muitas pessoas convivem com esses grupos. Desta forma, todas essas pessoas precisam ter cuidados redobrados para evitar a transmissão", avalia o infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri.
"Com aumento de casos no mundo inteiro, nós voltamos a precisar de cuidados, principalmente para os não vacinados e pessoas com algum grau de imunodepressão. Incluímos ainda crianças que não foram vacinadas, gestantes e indivíduos que têm câncer ou doenças graves - renais, cardíacas ou pulmonares", acrescenta Marcelo Otsuka, vice-presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo (SBPSP).
"Outro problema é que no Brasil ainda não temos a atualização das vacinas, que ainda não foram liberadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)", afirmou Otsuka. Em nota, a Anvisa informou que não tem data para a liberação.
No último sábado, 12, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde publicou nota técnica em que recomenda o uso de máscara pela população e a adoção de outras medidas. Conforme o documento, entre os dias 6 e 11 deste mês, foram notificados 57,8 mil casos da doença. Com isso, a média móvel de diagnósticos positivos, calculada neste período, subiu para 8,5 mil, o que representa aumento de 120% em relação ao índice da semana anterior (3,8 mil).
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"O cenário atualmente, no entanto, é muito diferente do início da pandemia da covid-19. Continuamos com estádios e shows, por exemplo, pois a magnitude dessas ondas são muito menores e o risco de gravidade também é menor com a população vacinada. O que devemos frisar é que os grupos mais vulneráveis são maus respondedores às vacinas, precisando ter nestes momentos cuidados redobrados para evitar o risco de contágio", pondera Kfouri.
Patrícia Baxter, infectologista e coordenadora da equipe de clínica médica do Hospital Leforte da unidade Liberdade, avalia que diante do aumento de casos a orientação é que ambientes de aglomeração sejam evitados.
"Na eventualidade de estar em locais com muitas pessoas, é importante fazer uso de máscara facial e lavar as mãos corretamente ou higienizá-las com álcool em gel. Em caso de a pessoa apresentar síndromes gripais, persiste a importância de manter o isolamento, usar máscara e realizar o teste de covid-19, caso seja possível", alerta a especialista.
Para Patrícia, é importante ainda que a população mantenha atualizado o calendário vacinal contra a covid-19. "Com todas as doses de reforço em dia que são preconizadas de acordo com as faixas etárias e grupos prioritários", lembra ela.
A realização de teste de covid-19 é recomendável?
Todas as pessoas que apresentarem sintomas ou tenham tido contato com infectados são aconselhadas a realizarem o teste de covid-19.
"Sintomas não devem ser menosprezados. A pessoa pode apresentar febre, mal-estar, prostração e diarreia, por exemplo. É importante que o isolamento seja realizado o quanto antes", alerta a infectologista do Leforte.
Para Otsuka, infectologista da SBPSP, o teste deve ser realizado também por pessoas que tiveram contato com indivíduos com resultado positivo. "Vale lembrar ainda que os testes rápidos de farmácia têm maior eficácia a partir do terceiro dia de sintomas. Se realizado antes, o resultado pode vir negativo, o que não significa que seja realmente negativo", alerta ele.
"Os testes rápidos de farmácia levam a maior chance de falso negativo que os de laboratório", reforça Renato Grinbaum, infectologista e professor de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid).
Com um primeiro negativo, é 100% de certeza que a pessoa não está contaminada?
Não. Não é possível garantir 100% que a pessoa não esteja contaminada, pois existe uma chance de o teste dar falso positivo.
"O teste (rápido) de antígeno tem em torno de 30 a 40% de chance de dar falso positivo. Então, em caso de sintomas, será necessário repetir o exame. O ideal é que o teste seja feito a partir do terceiro dia em que a pessoa comece a apresentar os sintomas, mantendo os sintomas o teste deve ser repetido ao menos mais uma vez para ter certeza do diagnóstico. Já o teste RT-PCR tem uma sensibilidade maior e apresenta falha em torno de 15 a 20%. É um teste, no entanto, que deve ser feito em laboratórios", explica Barbosa, vice-presidente da SBI.
Há risco de os testes estarem com mais dificuldade de detectar o vírus por causa das novas variantes?
Segundo Rubens Pereira dos Santos, infectologista e professor do curso de medicina da Universidade de Franca (Unifran), por enquanto, os testes estão sendo considerados eficientes, mesmo com essas variantes.
"Porque elas são muito parecidas, então a segurança do teste continua sendo muito boa. É claro que às vezes o paciente está com quadro viral, e não necessariamente é covid-19, porque estamos tendo outros vírus que estão tendo uma incidência paralela, por exemplo, Influenza A e B, o vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, adenovírus e enterovírus", explica Santos.
"Até o momento não existem problemas de detecção reportados diante das novas variantes", concorda Grinbaum, infectologista e professor da Unicid.
Quanto tempo de isolamento é recomendado?
Caso o resultado dê positivo, o isolamento deve ser de cinco dias a serem contados a partir do primeiro dia do início dos sintomas. É necessário que, no quinto dia, o paciente realize um teste de antígeno que dê resultado negativo.
Ou pode ser feito apenas isolamento de sete dias corridos, sendo que, no último dia, o paciente não apresente sintomas.
Ao perceber sintomas antes do encontro, como a pessoa deve proceder?
"A pessoa deve evitar encontros com outros indivíduos. Se inevitável, deve evitar proximidade e ambos usarem máscaras durante todo o período em que estiverem juntos", aconselha Grinbaum.
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