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Cansaço e ganho de peso: quando a tireoide pode ser a causa

Fadiga persistente, mudanças no peso e alterações de humor podem parecer normais, mas também são sinais de disfunções na tireoide que merecem investigação

10 jan 2026 - 11h36
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Sentir-se cansado o tempo todo, ganhar peso sem mudar a alimentação ou perceber oscilações de humor frequentes é algo comum no dia a dia.

Fadiga persistente, mudanças no peso e alterações de humor podem parecer normais, mas também são sinais de disfunções na tireoide que merecem investigação
Fadiga persistente, mudanças no peso e alterações de humor podem parecer normais, mas também são sinais de disfunções na tireoide que merecem investigação
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

O problema é que esses sintomas também podem indicar alterações na tireoide — uma pequena glândula localizada na base do pescoço, responsável por regular o metabolismo, o funcionamento do coração, o equilíbrio emocional e a saúde óssea.

Por serem sinais inespecíficos, muitos casos de hipotireoidismo e hipertireoidismo acabam demorando para ser diagnosticados.

"As disfunções tireoidianas, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo, nem sempre têm diagnóstico fácil; devemos lembrar da possibilidade de doenças da tireoide pautada em uma boa avaliação clínica", afirma o endocrinologista Dr. Adriano Cury, do Alta Diagnósticos (Dasa).

Confira a matéria completa: "Doenças da tireoide são comuns, mas ainda pouco diagnosticadas"

Por que sintomas tão comuns podem esconder um problema hormonal?

Os hormônios produzidos pela tireoide atuam em praticamente todo o organismo. Quando estão em excesso (hipertireoidismo) ou em falta (hipotireoidismo), o corpo inteiro sente os efeitos.

O desafio é que os sinais iniciais imitam queixas de outras condições, como estresse, depressão, alterações do sono e até o próprio envelhecimento.

Entre os sintomas mais relatados estão:

  • cansaço persistente e falta de energia;

  • ganho ou perda de peso sem causa aparente;

  • alterações de humor, ansiedade ou desânimo;

  • queda de cabelo e pele mais ressecada;

  • intolerância ao frio ou ao calor;

  • palpitações ou batimentos acelerados.

"São queixas comuns, muitas vezes atribuídas a outras comorbidades. Por isso, é fundamental lembrar da possibilidade de doenças da tireoide durante a avaliação clínica", reforça o Dr. Cury.

Quando é hora de investigar a tireoide?

Nem todo cansaço ou mudança de peso indica um problema hormonal. Mas alguns sinais merecem atenção especial:

  • Sintomas persistentes, que não melhoram com mudanças de rotina ou tratamento habitual;

  • Alterações de peso sem explicação, mesmo mantendo hábitos alimentares e atividade física;

  • Mudanças emocionais intensas, como ansiedade, irritabilidade ou apatia sem causa definida;

  • Histórico pessoal ou familiar de doenças da tireoide;

  • Presença de bócio ou nódulos no pescoço.

Pessoas com doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, lúpus e artrite reumatoide, também apresentam maior risco de desenvolver disfunções tireoidianas e devem manter acompanhamento.

O que pode acontecer se o problema passar despercebido?

Quando não diagnosticadas e tratadas, as doenças da tireoide podem trazer consequências importantes:

Coração e circulação

No hipertireoidismo, especialmente em pessoas acima de 65 anos, há maior risco de fibrilação atrial e piora da insuficiência cardíaca. Já o hipotireoidismo, inclusive na forma subclínica, pode provocar alterações do colesterol e da pressão arterial, aumentando o risco cardiovascular.

Ossos

O excesso de hormônios tireoidianos, mesmo discreto, está associado à redução da densidade mineral óssea e maior risco de fraturas, sobretudo em mulheres na pós-menopausa.

Qualidade de vida

Fadiga crônica, dificuldade de concentração e instabilidade emocional afetam o desempenho no trabalho, os relacionamentos e o bem-estar geral.

Como confirmar se a tireoide é a causa?

O primeiro passo costuma ser um exame de sangue para dosar o TSH, hormônio que indica se a tireoide está funcionando abaixo ou acima do normal. Quando necessário, o médico solicita T4 livre (e, em situações específicas, T3) para detalhar o quadro.

Em casos de suspeita de doença autoimune, podem ser pesquisados anticorpos como anti-TPO, anti-TG e TRAb. Se houver alteração no exame físico, como nódulos ou aumento da glândula, a ultrassonografia da tireoide é o método de imagem indicado.

"O olhar atento do médico generalista, aliado à solicitação adequada e racional de exames-chave, é crucial para confirmar a suspeita diagnóstica", explica o Dr. Cury.

Quem deve ter atenção redobrada?

Alguns grupos merecem vigilância mais sistemática:

  • Mulheres em idade reprodutiva e gestantes: disfunções, mesmo leves, podem impactar a gestação e o desenvolvimento do bebê.

  • Pessoas com doenças autoimunes: maior prevalência de tireoidite e alterações hormonais.

  • Quem apresenta sintomas persistentes de difícil explicação: fadiga intensa, variações de peso, ansiedade ou depressão refratárias, palpitações e queda de cabelo acentuada.

"O rastreamento em grupos específicos não deve ser visto como um exame sem propósito, mas como uma oportunidade de diagnóstico e acompanhamento de uma condição que impacta diretamente a qualidade de vida", destaca o especialista.

Cansaço constante, ganho de peso e alterações de humor podem fazer parte da rotina moderna, mas não devem ser normalizados quando persistem. Em muitos casos, a causa está na tireoide — e o diagnóstico depende, sobretudo, de suspeita clínica e exames bem indicados.

Com identificação precoce e acompanhamento adequado, a maioria das disfunções tireoidianas pode ser controlada, reduzindo riscos e devolvendo qualidade de vida ao paciente.

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