‘Canetinha natural’ emagrece mesmo? Especialista responde
O termo “canetinha natural” tem viralizado nos últimos meses nas redes sociais e, apesar de fazer uma analogia às canetas emagrecedoras injetáveis, não se trata da mesma coisa e nem de algo equivalente.
Trata-se de uma receita reúne ingredientes ricos em fibras, compostos bioativos e antioxidantes que podem contribuir indiretamente para o processo de emagrecimento quando inseridos em um contexto de alimentação equilibrada e estratégia individualizada.
"O psyllium, por exemplo, é uma fibra solúvel que forma um gel no estômago, aumentando a saciedade e auxiliando no controle glicêmico. Café, matcha, canela, gengibre e cúrcuma fornecem compostos termogênicos e anti-inflamatórios que podem favorecer discretamente o gasto energético e a sensibilidade à insulina", explica a nutricionista Ruth Egg.
Ainda assim, a especialista destaca: "Não existe fórmula natural capaz de promover emagrecimento significativo de forma isolada. O que emagrece é o conjunto — alimentação adequada, sono, regulação hormonal, manejo do estresse e prática de atividade física. Chamar de 'canetinha' é uma estratégia de marketing, não um conceito científico", diz.
O que é a 'canetinha natural'?
Trata-se de uma mistura em pó, que combina leite de coco em pó, café, matcha, gelatina sem sabor, psyllium, especiarias e antioxidantes como mirtilo ou açaí em pó.
"A proposta é reunir fibras, cafeína natural e compostos antioxidantes em uma única preparação, com foco em saciedade e modulação intestinal. É importante pontuar que não é medicamento, não é suplemento com ação clínica comprovada e não substitui estratégias nutricionais estruturadas", alerta.
A 'canetinha' natural ajuda a desinchar?
A mistura pode ajudar a desinchar, especialmente em pessoas que apresentam constipação intestinal ou inchaço associado à baixa ingestão de fibras. "O psyllium melhora o trânsito intestinal, contribui para o equilíbrio da microbiota e pode reduzir distensão abdominal relacionada ao intestino preso", complementa.
Além disso, a melhor resposta glicêmica promovida pelas fibras pode minimizar oscilações hormonais que favorecem retenção hídrica. "Especiarias como gengibre e cúrcuma têm ação anti-inflamatória leve, o que também pode colaborar com a redução da sensação de inchaço", diz a nutricionista.
No entanto, é essencial identificar a causa do inchaço, que pode ser intestinal, hormonal, alimentar ou relacionada a intolerâncias. "Nem todo inchaço se resolve com fibras", orienta.
Quais são os benefícios?
Os benefícios potenciais estão ligados principalmente à saciedade, funcionamento intestinal e controle glicêmico. "O psyllium auxilia no controle do apetite e na saúde intestinal. Café e matcha fornecem cafeína e catequinas, que podem melhorar foco e oferecer leve estímulo metabólico. As especiarias contribuem com ação antioxidante e anti-inflamatória", diz.
Por outro lado, a especialista diz que existem pontos de atenção importantes:
- O leite de coco em pó é predominantemente fonte de gordura, aumenta o valor calórico da receita e tem baixo teor proteico, o que pode não ser interessante para quem busca emagrecimento.
- A gelatina sem sabor não deve ser confundida com uma fonte eficaz de colágeno funcional; isoladamente, seu impacto é limitado.
- O mirtilo em pó, quando comparado à fruta fresca, perde vantagens nutricionais importantes, como maior teor de fibras intactas, volume alimentar e melhor estímulo à saciedade. Sempre que possível, a fruta in natura é a melhor escolha.
Como preparar?
Os ingredientes podem ser misturados em pó e diluídos em água quente ou morna, mexendo bem até obter uma bebida homogênea. "O uso de mixer pode melhorar a textura, já que o psyllium forma gel rapidamente. O ideal é consumir logo após o preparo e garantir boa ingestão de água ao longo do dia, para evitar desconfortos intestinais", explica Ruth.
Pode tomar todos os dias?
Depende do perfil da pessoa. "Em indivíduos saudáveis, o uso de fibras como o psyllium pode ser diário por períodos curtos, desde que haja hidratação adequada e ausência de contraindicações intestinais.
No entanto, por conter cafeína (café e matcha) e ingredientes calóricos como o leite de coco em pó, não é uma estratégia que deve ser usada indiscriminadamente ou de forma contínua. Pessoas sensíveis a estimulantes, com ansiedade, insônia, condições cardiovasculares ou alterações intestinais precisam de cautela", alerta.
Como qualquer estratégia com objetivo metabólico, o uso deve respeitar a individualidade biológica e o contexto clínico, idealmente com orientação profissional.