Brasil lidera sedentarismo na América Latina e apps crescem
Dados da OMS e IBGE acendem alerta vermelho: 300 mil mortes por ano estão ligadas à falta de exercício
O Brasil carrega um título preocupante e perigoso para a saúde pública: somos o país líder em sedentarismo América Latina e ocupamos a quinta posição no ranking mundial.
Os dados, levantados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), revelam uma epidemia silenciosa que vai muito além da estética. A falta de atividade física é responsável por cerca de 300 mil mortes por ano no país, impulsionando o aumento de doenças crônicas, cardiovasculares e oncológicas.
Dados do sedentarismo no Brasil
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o cenário é alarmante em todas as faixas etárias:
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47% dos adultos brasileiros são sedentários;
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Entre os jovens, o número salta para assustadores 84%.
No entanto, em resposta a essa crise de inatividade, o mercado de tecnologia e saúde (HealthTech) vive um "boom".
Aplicativos focados em mudança de hábitos e reeducação alimentar ganham espaço, muitas vezes nascendo de histórias de superação pessoal de quem sentiu na pele o peso do diagnóstico.
Alerta que veio tarde (mas a tempo)
Para entender o impacto desses números, basta olhar para a história de Marcos Rinaldi. Hoje CEO e fundador da plataforma Fortalece, ele já fez parte das estatísticas negativas citadas acima.
Há alguns anos, Rinaldi recebeu o diagnóstico de câncer em um dos momentos mais delicados da vida: apenas dois meses após se tornar pai.
"Descobri o diagnóstico após dez anos de sedentarismo, que me renderam 30 kg a mais e uma obesidade grau 2. Receber essa notícia com um filho recém-nascido foi o que me fez mudar tudo", relembra.
A história de Marcos ilustra uma conexão que muitos brasileiros ignoram: a relação direta entre obesidade e câncer. O excesso de gordura corporal provoca um estado de inflamação crônica no organismo e alterações hormonais que podem favorecer o surgimento de tumores.
Virada de chave
O diagnóstico foi um chamado à ação. Com um tumor em fase inicial e menos agressivo, Rinaldi decidiu que não seria apenas mais um número.
Entre consultas e tratamentos, ele iniciou uma mudança radical de estilo de vida, focada em três pilares:
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Rotina de exercícios;
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Reeducação alimentar;
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Cuidado com a saúde emocional.
O resultado não foi apenas a recuperação clínica, mas uma transformação na disposição, criatividade e produtividade.
Foi nesse momento que o profissional de TI percebeu que sua jornada poderia virar um produto para ajudar outras pessoas.
Gamificação: como a tecnologia vence a preguiça
Dessa experiência pessoal nasceu a Fortalece, uma plataforma que utiliza a tecnologia para combater o sedentarismo. Mas como convencer alguém que passou a vida no sofá a se mexer?
A resposta está na neurociência e na gamificação.
Rinaldi explica que o aplicativo transforma a saúde em uma jornada interativa. Ao invés de apenas "mandar fazer exercício", a plataforma cria um ambiente de comunidade e recompensa.
Como funciona na prática?
Os usuários têm acesso a aulas de yoga, meditação, ginástica laboral e pilates. O diferencial, porém, está no engajamento:
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Desafios semanais: Metas claras para cumprir (ex: caminhar X passos).
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Competição saudável: Ranking entre colegas de trabalho ou grupos.
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Feed social: Um espaço para compartilhar conquistas, gerando o sentimento de pertencimento.
"Temos visto pessoas perderem peso, recuperarem a autoestima e controlarem a ansiedade. Um pequeno incentivo hoje pode mudar o destino de alguém para uma vida mais longa", destaca o fundador.
Quem cuida de quem ensina?
Um dos dados mais impactantes levantados pela equipe de Rinaldi diz respeito a uma classe profissional específica: os professores.
Em 2022, um piloto realizado com 300 educadores revelou um cenário de esgotamento físico e mental. Aprofundando a pesquisa com dados da Fundação Nova Escola, os números chocam:
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61% dos professores sentem-se frequentemente ansiosos;
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28% afirmam já ter sofrido ou estar com depressão;
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21,5% avaliam sua saúde mental como ruim ou péssima.
Mudanças geracionais, salas lotadas, agressões verbais e a pressão por resultados criaram uma "panela de pressão" nas escolas brasileiras.
Solução focada na educação
Diante disso, foi criada a vertente Fortalece Educação. O projeto, que recebeu apoio da Secretaria de Inovação do Paraná, validou sua metodologia com mais de dois mil profissionais em cidades como Campo Mourão e Mamborê.
A lógica é simples: melhorar o sono, a autoestima e reduzir a ansiedade do professor amplia sua capacidade cognitiva. Um educador saudável tem mais paciência e conexão com o aluno, elevando, consequentemente, o nível do ensino.
Cenário do câncer no Brasil
A urgência em combater o sedentarismo se torna ainda maior quando olhamos para as projeções do Instituto Nacional do Câncer (INCA).
Embora os números consolidados de 2025 ainda não sejam oficiais, a estimativa aponta para 704 mil novos casos de câncer por ano no triênio atual.
Muitos desses casos poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida. O sedentarismo não é apenas sobre "ficar cansado ao subir escadas"; é um fator de risco determinante para a mortalidade precoce.
Como começar a sair do sedentarismo?
Se você se identificou com os 47% de brasileiros sedentários, a boa notícia é que nunca é tarde para recomeçar. Inspirado na metodologia que salvou a vida de Marcos Rinaldi, aqui estão passos simples:
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Não espere a segunda-feira: Comece hoje com uma caminhada de 15 minutos.
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Busque comunidade: Treinar com amigos ou usar apps que conectam pessoas aumenta a chance de constância.
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Cuide da mente: O estresse aumenta o cortisol, que favorece o ganho de peso. Meditação e yoga são grandes aliados.
A tecnologia, que muitas vezes nos prende ao sofá com streamings e redes sociais, agora oferece a corda para nos puxar de volta à vida ativa. Cabe a nós segurá-la.
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