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BH liga alta de casos de covid a festas e ameaça lockdown

Dez dias após ser reeleito, Kalil disse que poderá prender quem desrespeitar regras impostas pela prefeitura para impedir aglomerações

25 nov 2020
16h44
atualizado às 17h01
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BELO HORIZONTE - Dez dias após ser reeleito em primeiro turno, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), anunciou nesta quarta-feira, 25, a possibilidade de novo fechamento da cidade para conter casos do novo coronavírus e afirmou que daqui pra frente poderá prender quem desrespeitar as regras impostas pela prefeitura para impedir aglomerações.

A partir dessa terça-feira, os bares em Paris deverão ficar fechados por 15 dias
A partir dessa terça-feira, os bares em Paris deverão ficar fechados por 15 dias
Foto: EPA / Ansa

Ao mesmo tempo, no entanto, anunciou que vai atender ao pedido de representantes de lojistas e autorizar o funcionamento do setor por três domingos para compras de fim de ano. Os números da prefeitura apontam que, entre 3 de novembro e ontem, 24, a ocupação dos leitos de UTI para pacientes com covid-19 passou de 30,4% para 40,4%. Já o de leitos de enfermagem para quem contraiu a doença passou no período de 27,4% para 38,1%.

O prefeito afirmou que funcionamento irregular de bares e festas pelas cidade, inclusive de cunho familiar, são os responsáveis pelo aumento das contaminações na capital mineira. "A irresponsabilidade, o relaxamento, a falta de empatia e a ignorância podem nos levar a um fechamento total da cidade novamente", apontou.

Belo Horizonte foi uma das primeiras cidades do País a decretar fechamento do comércio durante a pandemia, em 18 de março. Grandes festas estão proibidas na cidade. Bares podem funcionar até as 22h. "Não vamos acreditar que estamos em segunda onda. Estamos na baderna e na irresponsabilidade", disse, durante entrevista coletiva na prefeitura no início da tarde desta quarta.

Kalil disse ter a confirmação da PM de que as prisões de quem não seguir as regras podem ocorrer. Segundo o prefeito, uma nova modalidade de fiscalização começa no fim de semana. "Temos autoridade, segundo informou a PM, pra prender os irresponsáveis, além de fechar os estabelecimentos. A notificação e a 'multinha' acabaram. Agora nós vamos lacrar estabelecimento".

Sobre os três domingos para compras, Kalil disse que o comitê de infectologistas da prefeitura, criado para definição de estratégias de combate ao vírus, autorizou os funcionamento das lojas no período. "Então, boa vontade não tá faltando", declarou o prefeito.

Kalil disse que festas familiares na cidade para 30 pessoas estão produzindo até 15 contaminados com o novo coronavírus. "Ao contrário do que meia dúzia de comerciantes pensam, do que baladeiros pensam, do que síndico de prédio que promove churrasco pensa, a população respondeu na urna o que ela pensa de fechar a cidade".

O prefeito foi reeleito em primeiro no último dia 15 com 63,36% dos votos. O deputado estadual Bruno Engler (PRTB), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que refuta medidas de isolamento para conter o vírus, ficou em segundo lugar, com 9,95% dos votos.

Kalil disse ainda que o aumento na ocupação dos leitos ocorre exatamente no momento em que há "luz no fim do túnel". "Estamos a um mês e meio, dois meses da vacina", argumentou. O prefeito afirmou também que o município está com dinheiro em caixa para comprar "seja qual for" a vacina a ser disponibilizada no País.

O Estadão entrou em contato com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e aguarda retorno.

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Estadão
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