Aprenda a ler sua ferritina: quando o resultado acende alerta
Entenda o que os níveis de ferritina dizem sobre sua saúde, desde a falta de energia até o risco de doenças inflamatórias graves
Você recebeu o resultado do seu exame de sangue e a ferritina está fora do padrão? Esse é um dos indicadores mais importantes do hemograma.
A ferritina é uma proteína produzida pelo fígado e sua principal função é armazenar o ferro no organismo.
O ferro é o combustível para a produção de hemoglobina, que leva oxigênio para todo o corpo. Sem ferro, o organismo não produz energia.
Porém, o contrário também é perigoso: o excesso pode ser tóxico. Entender esse equilíbrio é vital para prevenir doenças que vão da anemia à cirrose.
Ferritina baixa: Por que o estoque esvaziou?
Quando a ferritina está baixa, o corpo está usando suas reservas de ferro. Isso geralmente indica uma deficiência nutricional ou perda de sangue.
Em entrevista ao portal Drauzio Varella, a hematologista Dra. Fabiola Pabst Bremer fala sobre as causas mais comuns:
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Alimentação inadequada: Dieta pobre em fontes de ferro (carnes, leguminosas e vegetais escuros).
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Problemas de absorção: Doenças como a celíaca impedem que o intestino absorva o mineral.
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Sangramentos crônicos: Fluxo menstrual intenso em mulheres jovens ou sangramentos gastrointestinais silenciosos em idosos.
Se não tratada, a ferritina baixa evolui para a anemia, causando cansaço extremo, palidez e queda de cabelo.
Ferritina alta: Nem sempre é excesso de ferro
Muitas pessoas se assustam com a ferritina alta achando que têm ferro demais, mas nem sempre é o caso. A ferritina é um "marcador de fase aguda".
Isso significa que ela sobe quando o corpo está enfrentando uma inflamação ou infecção.
Doenças como a Covid-19, lúpus e síndrome metabólica (ligada à obesidade e diabetes) costumam elevar os níveis.
Existe também a hemocromatose, uma condição genética onde o corpo realmente absorve ferro demais.
"O excesso de ferro livre pode ser tóxico e se depositar no fígado e coração, levando à cirrose ou insuficiência cardíaca", alerta a hematologista Dra. Cristiane de Oliveira Henriques.
Quais são os valores normais?
Os números de referência podem variar conforme o laboratório, mas a média geral utilizada pelos médicos é:
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Mulheres: de 30 ng/mL a 300 ng/mL.
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Homens: de 30 ng/mL a 350 ng/mL.
Atenção: A Dra. Cristiane ressalta que a ferritina sozinha não fecha diagnóstico. É preciso avaliar outros exames, como o ferro sérico e a saturação de transferrina.
Como tratar as alterações?
Para ferritina baixa:
O foco é a reposição. Pode ser feita via oral, com suplementos, ou por infusão na veia em casos mais graves. Além disso, é essencial tratar a causa (como ajustar a dieta ou controlar o fluxo menstrual).
Para ferritina alta:
O tratamento depende da causa. Se for inflamação, trata-se a doença base.
Se for excesso real de ferro (hemocromatose), o médico pode indicar a sangria terapêutica (retirada de sangue semelhante a uma doação) ou o uso de medicamentos quelantes, que ajudam o corpo a expelir o excesso do mineral.
Dicas para manter o ferro em dia:
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Combine ferro com vitamina C: Comer uma laranja após o feijão ajuda na absorção.
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Evite cafeína após as refeições: Café e chá preto atrapalham a absorção do ferro.
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Check-up anual: Monitore sua ferritina pelo menos uma vez ao ano.
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Não se automedique: Suplemento de ferro sem necessidade pode sobrecarregar o fígado.
O equilíbrio é a chave
A ferritina é o termômetro da sua saúde interna. Seja pelo cansaço da falta ou pelo risco inflamatório do excesso, ignorar esse resultado é um erro.
Consulte sempre um hematologista para interpretar seus exames e garantir que seu "estoque" esteja no nível perfeito.
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