Aos 31 anos, ela viu a barriga crescer até parecer gravidez. O diagnóstico era câncer de ovário
Inchaço abdominal deixou mulher de 31 anos com barriga de grávida. Veja como os sintomas persistentes levaram a um diagnóstico de câncer.
O abdômen de Cydnie Malone ficou tão grande, duro e cheio que ela passou a parecer grávida. À noite, o líquido dentro da barriga se movimentava e fazia barulhos que chegavam a acordá-la. A dor e a náusea também persistiam.
Cydnie tinha 31 anos, morava em Surrey, na Inglaterra, trabalhava na área de estética e era mãe de uma criança. Por quase dois anos, ela procurou ajuda para entender o que estava acontecendo.
Os primeiros sintomas apareceram em julho de 2023. Vieram a dor abaixo das costelas, o inchaço persistente e a náusea.
Segundo Cydnie, os médicos atribuíram os sintomas à síndrome do intestino irritável (SII) e à síndrome dos ovários policísticos.
Mas ela continuava piorando.
A barriga aumentava, o inchaço se tornava doloroso e a sensação de que havia algo errado não passava.
Cydnie conta que procurou atendimento médico entre 20 e 30 vezes nesse período. Em meio às consultas, um exame de sangue chamado CA-125 também chamava atenção.
Segundo seu relato, o marcador continuava subindo.
O CA-125 pode aparecer em níveis elevados em alguns casos de câncer de ovário, mas também pode aumentar por outras causas. Por isso, o resultado sozinho não confirma a presença da doença.
Quando há suspeita, a avaliação considera o conjunto de sintomas e outros exames, incluindo exames de imagem.
Para Cydnie, porém, o problema era que seus sintomas continuavam avançando.
A barriga ficou tão rígida e arredondada que ela dizia parecer uma gestante. O líquido dentro do abdômen se movimentava quando ela mudava de posição. O inchaço, além de visível, era doloroso.
Até que, depois de uma viagem a Nova York, em abril de 2025, a situação chegou ao limite.
O companheiro de Cydnie a levou a outro hospital. Dessa vez, os médicos perceberam rapidamente que havia algo sério acontecendo.
Não havia bebê.
Havia uma grande quantidade de líquido acumulada no abdômen.
Os médicos retiraram aproximadamente 6,5 litros de líquido. No dia seguinte, veio o diagnóstico que mudaria completamente a vida da jovem: câncer de ovário em estágio 4, já disseminado para outros órgãos.
Cydnie ficou em choque.
Ela disse ter sentido raiva, frustração e a sensação de que não havia sido ouvida. Para ela, os sinais de que alguma coisa estava errada estavam presentes havia muito tempo.
Uma cirurgia que trouxe outra perda
Em 13 de maio de 2025, Cydnie passou por uma cirurgia. Segundo o relato publicado pela revista PEOPLE, os médicos retiraram 15 tumores e fizeram uma histerectomia, cirurgia para retirar o útero.
A cirurgia também significou uma perda que ela não esperava enfrentar tão cedo.
Cydnie e o companheiro planejavam ter outro filho. A impossibilidade de engravidar novamente tornou o diagnóstico ainda mais doloroso.
Cydnie Malone em diferentes momentos de sua trajetória até o diagnóstico de câncer de ovário. / Crédito: Kennedy News & Media
Ela contou que a histerectomia afetou profundamente a forma como passou a enxergar o próprio corpo e o futuro que havia imaginado para a família.
Durante o procedimento, os cirurgiões retiraram cerca de 96% do câncer, segundo seu relato.
Depois vieram seis ciclos de quimioterapia. O tratamento terminou em outubro de 2025.
Cerca de um ano depois do diagnóstico, Cydnie recebeu uma notícia que trouxe alívio depois de meses de tratamento: o câncer estava em remissão.
Ela sabe, porém, que remissão não significa que a doença jamais possa voltar. Por isso, permanece atenta à possibilidade de novas alterações.
Quando o inchaço abdominal deixa de parecer algo comum
A história de Cydnie chama atenção porque alguns dos sintomas do câncer de ovário podem se confundir com problemas muito mais comuns.
Inchaço abdominal persistente, dor ou pressão na barriga e na região pélvica, sensação de saciedade muito rápida, náusea, alterações intestinais e vontade frequente ou urgente de urinar podem aparecer em diferentes situações.
Isso não significa que esses sintomas sejam sinais de câncer.
Uma barriga inchada depois de uma refeição, por exemplo, costuma ter causas simples. O que merece atenção é quando o problema passa a acontecer repetidamente, não melhora ou começa a vir acompanhado de dor e outras mudanças.
Também não é recomendado fazer um exame de CA-125 por conta própria sempre que houver inchaço. O marcador pode aumentar por motivos que não têm relação com câncer e, isoladamente, não é capaz de diagnosticar a doença.
O mais importante é observar a evolução dos sintomas.
Se uma alteração no corpo persiste, piora ou muda de padrão, vale procurar atendimento novamente e explicar com clareza o que mudou.
Se o tratamento indicado não está funcionando, isso também é uma informação importante para a próxima avaliação.
E procurar uma segunda avaliação não significa que a pessoa deva presumir que houve um erro no atendimento anterior.
O câncer de ovário pode ser difícil de identificar justamente porque seus sintomas iniciais são pouco específicos e podem se parecer com problemas digestivos ou ginecológicos comuns.
No caso de Cydnie, a mudança aconteceu quando ela decidiu procurar outro hospital diante de uma situação que já não parecia normal.
Hoje, em remissão, ela resolveu contar o que viveu para alertar outras pessoas.
A principal mensagem de sua história não é transformar qualquer inchaço em motivo para pensar em câncer.
É prestar atenção quando o corpo muda e a alteração não vai embora.
Se um sintoma continua voltando, piora ou não responde ao tratamento, merece ser reavaliado.
Nem sempre haverá uma doença grave por trás. Mas descobrir o que está acontecendo pode ser importante para não deixar um problema persistente sem explicação.
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