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Além do fôlego: Como a respiração correta pode turbinar o treino

Entenda a biomecânica da ventilação e aprenda técnicas para otimizar o ganho de força e a resistência

3 fev 2026 - 20h07
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1. O elo perdido entre o pulmão e o músculo

No universo do fitness, é comum que os atletas — do amador ao profissional — dediquem horas ao ajuste milimétrico das cargas, à divisão de macros na dieta e ao tempo de descanso. No entanto, um elemento fundamental costuma ser negligenciado: a forma como o oxigênio entra e o gás carbônico sai do organismo.

O oxigênio é o combustível primário para a produção de adenosina trifosfato, a molécula de energia conhecida como ATP. Sem uma ventilação eficiente, a produção de energia cai, e a fadiga muscular chega precocemente.

Saber respirar no esporte não é apenas "não ficar ofegante". É, na verdade, uma ciência de otimização da oxigenação sanguínea e controle do pH do corpo. Quando você domina a mecânica respiratória, você não apenas melhora o seu fôlego; você estabiliza sua estrutura, aumenta sua força e acelera sua recuperação.

2. O motor do movimento: Respiração diafragmática

A maioria das pessoas respira de forma curta e "alta", usando apenas a parte superior do tórax. No treino, essa respiração torácica é ineficiente: ela exige mais esforço da musculatura do pescoço e ombros e ventila apenas a parte superior dos pulmões. O verdadeiro motor da vida é o diafragma.

Veja como a respiração é importante no treino
Veja como a respiração é importante no treino
Foto: Shutterstock / Sport Life

A respiração diafragmática (ou abdominal) utiliza o músculo em forma de cúpula que separa o tórax do abdômen. Ao inspirar profundamente, o diafragma desce, empurrando as vísceras para fora e permitindo que os pulmões se expandam totalmente. Além de captar mais oxigênio, essa pressão intra-abdominal ajuda a estabilizar o core, criando uma base sólida para qualquer movimento.

Passo a passo:

Deite-se de costas com uma mão no peito e a outra no abdômen. Inspire pelo nariz tentando elevar apenas a mão que está sobre a barriga. Expire lentamente pela boca, sentindo o abdômen descer. Pratique por 5 minutos antes do treino para "acordar" esse músculo.

3. Nariz ou boca? O veredito da ciência

Uma dúvida comum em 2026 é sobre a via respiratória ideal. O nariz é o filtro natural do corpo: ele aquece, umidifica e filtra o ar, além de produzir óxido nítrico, um vasodilatador que melhora a absorção de oxigênio nos pulmões. Portanto, em intensidades baixas e moderadas, a respiração nasal é soberana.

Contudo, quando atingimos o limiar anaeróbico (alta intensidade), o nariz não dá conta do volume necessário. Nesse momento, a boca entra em ação para permitir a rápida expulsão de dióxido de carbono, cuja acidez no sangue é o que causa a sensação de queimação muscular.

Na corrida, uma técnica eficaz é o uso da cadência: tente o ritmo 2:2 (dois passos para inspirar, dois passos para expirar), sincronizando o ritmo dos pulmões com o das passadas para evitar o desconforto abdominal.

4. Respiração na musculação: A técnica do "Bracing"

Nos treinos de força, como agachamento e levantamento terra, a respiração deixa de ser apenas trocas gasosas e passa a ser proteção estrutural. É aqui que entra o Bracing e, em cargas extremas, a Manobra de Valsalva.

Ao inspirar profundamente e "travar" o ar no abdômen antes da fase excêntrica do movimento, você aumenta a pressão intra-abdominal, o que protege a coluna vertebral como um cinturão interno de segurança.

Cuidado: prender a respiração de forma errada (apneia prolongada) pode elevar a pressão arterial a níveis perigosos. O ideal para a maioria é expirar no momento de maior esforço (fase concêntrica), mantendo a rigidez do tronco.

5. Recuperação acelerada entre séries

A respiração é o controle remoto do seu sistema nervoso. Se você termina uma série e continua ofegante, com respirações curtas pela boca, você mantém seu corpo em estado de "luta ou fuga". Para recuperar mais rápido entre as séries e baixar a frequência cardíaca, force a respiração nasal controlada.

Ao inspirar pelo nariz, você ativa o nervo vago e o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo descanso e pela recuperação. Isso permite que você inicie a próxima série com mais energia e o sistema cardiovascular já restabelecido.

6. Consciência é o primeiro passo

A respiração é o único sistema do corpo que é, ao mesmo tempo, autônomo (acontece sozinho) e voluntário (você pode controlar). Como qualquer músculo, o sistema respiratório precisa de treino e consciência.

Começar a prestar atenção em como você puxa o ar durante o aquecimento é o primeiro passo para transformar um ato involuntário em uma vantagem competitiva real. Lembre-se: o atleta que controla a respiração, controla o treino.

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