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Adeus colonoscopia: avanço científico revela um novo caminho promissor para identificar problemas graves no intestino de forma simples

Um estudo recente da Universidade de Genebra, na Suíça, trouxe novos dados sobre a possibilidade de detectar câncer colorretal por meio de um exame de fezes com base na análise do microbioma intestinal. Veja os detalhes da pesquisa.

11 abr 2026 - 09h02
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Um estudo recente da Universidade de Genebra, na Suíça, trouxe novos dados sobre a possibilidade de detectar câncer colorretal por meio de um exame de fezes com base na análise do microbioma intestinal. Publicado em agosto de 2025 na revista científica Cell Host & Microbe, o trabalho indica que esse tipo de teste pode identificar cerca de 90% dos casos da doença. Ou seja, aproximando-se da eficiência da colonoscopia, hoje o padrão mais utilizado para rastreamento. Assim, a proposta é oferecer uma alternativa menos invasiva, que consiga ampliar o acesso ao diagnóstico precoce.

O câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes no mundo. Porém, emuitos casos, não apresenta sintomas nas fases iniciais. Por isso, o rastreamento regular é fundamental para reduzir mortes que se relacionam à doença. Atualmente, a colonoscopia é o exame mais adotado, pois permite visualizar diretamente o interior do intestino e retirar pólipos suspeitos. No entanto, o preparo intestinal, o uso de sedação e o desconforto que muitos pacientes relatam acabam sendo barreiras para uma adesão mais ampla às estratégias de prevenção.

A colonoscopia é um exame visual. Nele, introduz-se um tubo flexível com câmera pelo reto, permitindo observar o revestimento interno do cólon e do reto. – depositphotos.com / phonlamai
A colonoscopia é um exame visual. Nele, introduz-se um tubo flexível com câmera pelo reto, permitindo observar o revestimento interno do cólon e do reto. – depositphotos.com / phonlamai
Foto: Giro 10

Como funciona o novo teste de fezes baseado no microbioma intestinal?

A palavra-chave central deste tema é câncer colorretal e, no estudo suíço, os cientistas concentraram a investigação na comunidade de bactérias que habita o intestino, a microbiota ou microbioma intestinal. Assim, com amostras de fezes de pacientes com e sem câncer colorretal, a equipe montou um catálogo em detalhe dos microrganismos presentes e de suas variações. Afinal, cada pessoa possui uma combinação relativamente única de bactérias. Porém, determinados padrões tendem a se repetir em indivíduos com a mesma condição clínica.

Com esse catálogo, os pesquisadores passaram a buscar assinaturas microbianas que se ligam ao câncer colorretal. Ou seja, combinações específicas de espécies bacterianas que aparecem com mais frequência em pessoas com tumores no intestino grosso. Em vez de olhar para um único microrganismo, o método considera um conjunto de espécies, seus níveis relativos e como elas interagem entre si. Portanto, essa visão mais ampla permite diferenciar melhor o microbioma de indivíduos saudáveis daquele encontrado em pacientes com a doença.

De que forma a inteligência artificial identifica padrões de bactérias que se associam ao câncer colorretal?

Para interpretar um volume tão grande de dados, os pesquisadores recorreram à inteligência artificial. Em especial, a técnicas de aprendizado de máquina. Esses algoritmos são treinados com milhares de registros de microbiota intestinal, cada um associado ao estado clínico do indivíduo. Entre eles, presença ou ausência de câncer colorretal. Durante o treinamento, a máquina aprende a reconhecer combinações de bactérias que indicam maior probabilidade de doença.

Depois dessa fase, o sistema passa a receber novas amostras de fezes, nas quais identificam-se as bactérias e suas quantidades. Assim, a inteligência artificial compara essas informações com os padrões aprendidos e gera uma estimativa de risco para câncer colorretal. Segundo o estudo, o modelo conseguiu identificar em torno de 90% dos casos. Ou seja, desempenho próximo ao da colonoscopia, que gira em torno de 94% de detecção. Portanto, esse resultado supera outros testes de fezes já disponíveis, que costumam ter sensibilidade menor.

  • Entrada de dados: composição detalhada das bactérias presentes nas fezes;
  • Processamento: algoritmos de aprendizado de máquina analisam combinações e frequências das espécies;
  • Saída: classificação do indivíduo em grupos de menor ou maior probabilidade de câncer colorretal.

Em que o teste de microbioma se diferencia da colonoscopia tradicional?

A colonoscopia é um exame visual. Nele, introduz-se um tubo flexível com câmera pelo reto, permitindo observar o revestimento interno do cólon e do reto. Caso sejam encontrados pólipos ou lesões suspeitas, o médico pode removê-los ou coletar biópsias no mesmo procedimento. Assim, esse método é um padrão de referência porque permite detecção e intervenção simultâneas em lesões pré-cancerosas.

Já o teste que se baseia no microbioma intestinal funciona de forma indireta. Afinal, em vez de mostrar a imagem do intestino ele analisa sinais biológicos que as bactérias deixam e que convivem com o tecido intestinal. Portanto, mudanças na composição dessa comunidade microbiana podem refletir processos inflamatórios, alterações no metabolismo local e crescimento de tumores. Assim, o exame de fezes apontaria a necessidade de investigações complementares, como a própria colonoscopia, para confirmação e tratamento.

  1. Colonoscopia: exame invasivo, visual, com possibilidade de remoção de pólipos;
  2. Teste de microbioma: exame não invasivo, baseado em análise de bactérias e algoritmos de IA;
  3. Relação entre os dois: o teste de fezes tende a funcionar como triagem, enquanto a colonoscopia permanece necessária para diagnóstico definitivo.
O teste que se baseia no microbioma intestinal funciona de forma indireta. Afinal, em vez de mostrar a imagem do intestino ele analisa sinais biológicos que as bactérias deixam e que convivem com o tecido intestinal – depositphotos.com / PRB ARTS
O teste que se baseia no microbioma intestinal funciona de forma indireta. Afinal, em vez de mostrar a imagem do intestino ele analisa sinais biológicos que as bactérias deixam e que convivem com o tecido intestinal – depositphotos.com / PRB ARTS
Foto: Giro 10

Quais são os benefícios e limitações desse novo exame de fezes?

Entre os potenciais benefícios do teste de microbioma para câncer colorretal, um dos pontos principais é a menor invasividade. Afinal, a coleta de fezes pode ocorrer em casa, o que tende a reduzir barreiras logísticas e aumentar a participação em programas de rastreamento. Além disso, o custo do processamento laboratorial pode, em muitos contextos, ser inferior ao de uma colonoscopia, especialmente quando se pensa em grandes populações.

Outro aspecto relevante é a possibilidade de ampliar o acesso em regiões com menor oferta de especialistas e equipamentos para colonoscopia. Um teste de fezes baseado em inteligência artificial poderia ser aplicado em larga escala para selecionar quais pessoas devem ser encaminhadas com mais urgência para exames endoscópicos. Dessa forma, os recursos de saúde seriam direcionados de forma mais eficiente para quem apresenta maior risco estimado de câncer colorretal.

Apesar desses potenciais ganhos, o estudo ressalta que o método ainda se encontra em fase de validação clínica. Há limitações importantes, como a necessidade de testar o modelo em diferentes populações ao redor do mundo, com dietas, estilos de vida e características genéticas variadas. O microbioma intestinal é influenciado por inúmeros fatores, e um algoritmo treinado em um grupo específico pode não ter o mesmo desempenho em outro grupo.

  • Principais benefícios: menor invasividade, maior conforto, potencial de maior adesão e rastreamento em massa;
  • Principais limitações: dependência de validação em populações diversas, risco de resultados falso-positivos ou falso-negativos e necessidade de infraestrutura para análise genética das bactérias;
  • Situação atual: tecnologia promissora, mas ainda complementar à colonoscopia, sem substituí-la nos protocolos de rotina.

Com o avanço da pesquisa em microbioma e inteligência artificial, espera-se que novos ajustes nos modelos matemáticos tornem o teste de fezes para câncer colorretal cada vez mais preciso. Até o momento, a proposta se destaca como uma ferramenta adicional de rastreamento, que pode ajudar a identificar pacientes com maior probabilidade de doença e incentivar o acompanhamento médico adequado. A perspectiva é que, à medida que estudos clínicos forem sendo concluídos, autoridades de saúde possam avaliar como integrar esse tipo de exame às estratégias já existentes de prevenção e diagnóstico precoce.

Giro 10
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