Quais os riscos de procedimentos estéticos com PMMA? Cirurgião explica
Cirurgião plástico Fernando Amato aponta que substância pode causar vários risco à saúde e é de difícil remoção
Após a repórter Ju Massaoka, do Mais Você, relatar que teve complicações ao fazer uma rinoplastia, em que o médico colocou PMMA no seu nariz sem seu consentimento, o debate sobre o risco do uso de polimetilmetacrilato voltou à tona. Segundo Ju, ela correu o risco de perder uma parte do nariz por necrose.
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Na sexta-feira, 29, o Conselho Federal de Medicina proibiu médicos de usarem PMMA para fins estéticos ou repadores. No entanto, o produto é liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para situações reparadoras, o órgão emitiu um alerta em março deste ano sobre a utilização para fins estéticos, justamente por causar riscos à saúde.
Segundo o cirurgião plástico Fernando Amato, entre os principais riscos estão:
- Infecções;
- Formação de nódulos, endurecimento e deformidades;
- Necrose;
- Migração do produto, causando reação inflamatória crônica;
- Embolia, caso no ato da aplicação seja acertado um vaso.
O médico alerta que esses riscos podem estar presentes em outros tipos de preenchedor, mas que no caso do PMMA, por ser definitivo, podem se tornar crônicos e acompanhar a vida inteira desses pacientes, os levando a necessitar de múltiplas cirurgias reconstrutoras, por exemplo.
O especialista aponta ainda que o uso dessa substância pode causar um processo inflamatório pode gerar maior quantidade de uma enzima chamada alfa hidroxilase, responsável por converter a forma inativa da vitamina D adquirida por exposição ao sol, bronzeamento artificial, por ingestão de comprimidos ou injeção, e transformá-la em biologicamente ativa.
O problema é que essa vitamina D convertida, pode ocasionar a hipercalcemia, que é o excesso de cálcio no sangue que será absorvido pelo intestino e o cálcio retirado dos ossos. “Esse aumento do cálcio pode interferir no funcionamento adequado dos rins, com formação de cálculos, podendo evoluir até para a insuficiência renal”, explica.
Por isso, o cirurgião orienta não fazer suplementação de vitaminas sem orientação médica, como se elas fossem inofensivas. “Caso a pessoa decida fazer procedimento de preenchimento, converse com o cirurgião plástico, informe sobre todas as medicações que estão em uso, inclusive as vitaminas.”
No caso da infecção já detectada, o que pode ser feito é tratá-la com antibiótico e anti-inflamatório, devidamente indicados por um médico. Mas quanto a retirada? Amato diz que a retirada do produto é muito difícil porque ele infiltra os tecidos e fica aderido.
“Às vezes, você não sabe o que é um tecido normal e o que é o PMMA. Então, você acaba tratando a infecção e se tiver um acúmulo de pus, pode ser feita uma drenagem. E futuramente, quando tratar a infecção, é possível fazer um planejamento de ressecção [remoção total ou parcial] do tecido que tem o preenchedor para tentar diminuir as chances de uma infecção ou inflamação futura”, descreve.
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