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66% das pessoas com obesidade acham que 'escolhas pessoais' previnem o quadro, mostra estudo

Percepção ignora a complexidade da doença e alimenta a autoculpabilização

4 mar 2026 - 16h23
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Apesar de a obesidade ser classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica resultante de interações complexas, dois em cada três indivíduos (66%) que convivem com a condição entendem que o quadro poderia ser evitado apenas com "escolhas individuais". Os números são de um novo estudo publicado pela Ipsos nesta quarta-feira, 4, Dia Mundial da Obesidade.

Na pesquisa, foram ouvidas 14,5 mil pessoas em 14 países, e os achados foram divididos em três áreas: conflito entre doenças e responsabilidade pessoal, lacunas de conhecimento sobre os riscos à saúde e impacto na vida cotidiana e social.

Em relação à responsabilidade pessoal:

  • 66% dos participantes acham que a doença poderia ser evitada por decisões individuais;
  • 71% das pessoas com obesidade concordam que se trata de uma "condição médica que requer gerenciamento contínuo", mas 63% acreditam que, para a maioria dos indivíduos, dieta e exercícios físicos são suficientes para lidar com a doença;
  • apenas 51% reconhecem a genética e a biologia como causas primárias do quadro.

Especificamente no Brasil, 82% dos entrevistados afirmam que a obesidade requer manejo contínuo — o maior percentual global —, mas 65% acreditam que a obesidade é "prevenível através de escolhas pessoais" e 66% concordam que "apenas dieta e exercício podem resolver a obesidade".

A narrativa está presente também nos consultórios: 82% dos participantes que consultaram um médico nos países estudados receberam apenas recomendações focadas em estilo de vida, como mudança de dieta e realização de exercícios físicos.

A orientação, avalia a Ipsos, reforça narrativas ultrapassadas e a ideia de que a obesidade é apenas uma questão de disciplina pessoal. Também contraria o entendimento da própria OMS, segundo a qual a a obesidade é "uma doença crônica e recidivante resultante de interações complexas entre genética, neurobiologia, comportamentos alimentares, acesso a uma dieta saudável, forças de mercado e o ambiente em geral."

Quanto às lacunas no conhecimento, apenas 53% dos entrevistados associam a obesidade ao diabetes e 52%, a doenças cardíacas. Além disso, apenas 18% reconhecem a ligação da doença com certos tipos de câncer.

Isolamento e 'medo do fracasso'

No tocante ao impacto da doença na vida social, 70% das pessoas afirmam que evitaram atividades sociais, de lazer ou românticas no último ano devido ao seu peso. O efeito é mais acentuado entre mulheres, adultos jovens (18-45 anos) e pessoas empregadas.

No Brasil, 92% dos entrevistados afirmam que seu peso impactou negativamente na confiança e autoestima, enquanto 42% relatam evitar aparecer em fotos ou vídeos. Esse foi o maior percentual entre todos os países pesquisados.

A obesidade também impacta de forma significativa a satisfação em diferentes dimensões da vida. Em todas as 12 áreas avaliadas, ao menos sete em cada 10 pessoas relatam efeitos negativos, com destaque para saúde física (89%), confiança e autoestima (85%), bem-estar emocional (83%) e segurança financeira (70%).

Os dados também revelam que existe uma alta motivação em perder peso por parte dos entrevistados. No Brasil, por exemplo, apenas 29% das pessoas vivendo com obesidade estão satisfeitas com sua saúde física e 55% consultaram um médico sobre seu peso no último ano, contra 35% globalmente.

"No Brasil, observamos uma história singular. Pessoas vivendo com obesidade não são passivas; elas estão buscando ativamente orientação médica, impulsionadas por altos níveis de ansiedade em relação à saúde. No entanto, esse espírito proativo é acompanhado por um profundo medo do fracasso", diz Ana Luiza Pesce, diretora de healthcare da Ipsos Brasil, em comunicado à imprensa.

"Precisamos ir além de enquadrar o controle do peso como um teste individual de força de vontade e, em vez disso, promover um ambiente de apoio, no qual buscar ajuda médica seja visto como uma parceria para o sucesso, e não como mais uma oportunidade de fracassar", acrescenta.

Estadão
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