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5 tendências que marcam uma nova fase da estética facial

Da influência da inteligência artificial à busca por desfazer procedimentos, novas formas de enxergar a própria aparência chegam aos consultórios

14 out 2026 - 14h00
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Resumo
A relação com a estética facial passa por transformações impulsionadas por filtros e inteligência artificial, que distorcem a autoimagem e geram expectativas irreais. Segundo o Dr. Georgen Hauagge, cresce a busca por naturalidade, prevenção precoce e reversão de exageros passados. O acúmulo de intervenções exige cautela e avaliações individualizadas, priorizando a identidade, a anatomia e as necessidades reais de cada paciente, em vez de tendências passageiras ou padrões virtuais inalcançáveis.

A forma como as pessoas enxergam a própria aparência mudou. Filtros, inteligência artificial, redes sociais e a popularização dos procedimentos estéticos ampliaram as referências de beleza e, ao mesmo tempo, criaram expectativas sobre o que pode ou deveria ser modificado no rosto.

Novas referências de beleza influenciam as expectativas sobre o rosto e os procedimentos estéticos
Novas referências de beleza influenciam as expectativas sobre o rosto e os procedimentos estéticos
Foto: Dikushin Dmitry | Shutterstock / Portal EdiCase

Para o médico e especialista em cirurgia, Dr. Georgen Hauagge, pós-graduado em dermatologia, medicina estética e visagismo, esse cenário exige uma avaliação cada vez mais individualizada.

Autor do livro "Seu rosto não é moda", com mais de 15 anos de atuação em procedimentos estéticos na face, pálpebras, pescoço e transplante capilar, ele defende que a indicação de um procedimento deve partir das características e necessidades de cada paciente, e não apenas de uma tendência ou referência estética.

A partir da experiência clínica, o especialista destaca alguns dos fenômenos que ajudam a entender como essa relação com a estética facial está mudando. Confira!

1. A inteligência artificial cria "defeitos"

Hoje, pacientes chegam aos consultórios com imagens do próprio rosto modificadas por inteligência artificial, apresentando versões mais simétricas, rejuvenescidas ou consideradas "ideais". A referência estética deixa de ser apenas uma celebridade e passa a ser uma versão digital da própria pessoa, uma imagem que, na prática, nunca existiu.

Esse fenômeno levanta uma questão importante: até que ponto uma imagem criada ou modificada por tecnologia pode alterar a percepção que alguém tem do próprio rosto? Para o Dr. Georgen Hauagge, antes de pensar em reproduzir uma imagem, é preciso entender se aquilo representa uma necessidade real ou uma expectativa criada digitalmente.

2. O peso dos procedimentos acumulados

Preenchimentos, bioestimuladores e outros procedimentos minimamente invasivos podem ser boas opções para determinados pacientes e situações. O problema está em tratar essas técnicas como substitutas permanentes da cirurgia ou repetir intervenções ao longo dos anos sem considerar como o rosto está envelhecendo como um todo.

Quando o paciente chega ao consultório para uma cirurgia depois de anos realizando procedimentos, o médico precisa avaliar também esse histórico. Volume de preenchimentos, alterações na pele e nas estruturas faciais e mudanças provocadas pelo envelhecimento podem interferir no planejamento e na estratégia cirúrgica.

A questão, portanto, não é ser contra procedimentos minimamente invasivos, mas entender quando eles fazem sentido e quando uma abordagem diferente passa a ser mais adequada para aquele paciente.

3. Pacientes buscam desfazer procedimentos

Depois de anos de preenchimentos, aumento de volumes e mudanças no contorno facial, o Dr. Georgen Hauagge afirma que alguns pacientes chegam aos consultórios querendo justamente reduzir ou reverter intervenções anteriores.

A chamada "desarmonização" pode envolver desde a dissolução de preenchimentos até estratégias para recuperar proporções e características naturais do rosto. O movimento também revela uma mudança na expectativa dos pacientes: em vez de buscar uma transformação cada vez maior, cresce o interesse por recuperar a própria identidade facial.

A obra “Seu rosto não é moda”, do Dr. Georgen Hauagge, propõe uma reflexão sobre os padrões de beleza e a responsabilidade nos procedimentos estéticos
A obra “Seu rosto não é moda”, do Dr. Georgen Hauagge, propõe uma reflexão sobre os padrões de beleza e a responsabilidade nos procedimentos estéticos
Foto: Reprodução digital | Divulgação / Portal EdiCase

4. Prevenção deve começar cada vez mais cedo

Botox preventivo, bioestimuladores e tecnologias voltadas à qualidade da pele fazem parte da chamada prejuvenation, movimento que antecipa cuidados para tentar retardar ou suavizar sinais do envelhecimento.

A prevenção, porém, não significa que todo jovem precise de procedimentos. Para o médico, existe uma diferença entre cuidar precocemente da pele e transformar sinais que ainda nem existem em problemas que precisam ser tratados.

A indicação deve considerar idade, características individuais, histórico e necessidades reais de cada paciente.

5. O celular muda a percepção do próprio rosto

Selfies, lentes das câmeras, distância da câmera, iluminação e filtros podem alterar a maneira como percebemos as proporções do rosto. Nariz, mandíbula, olhos e contorno facial podem parecer diferentes dependendo de como a imagem foi captada.

Quando essas imagens passam a ser usadas como referência para procedimentos, existe o risco de transformar uma distorção fotográfica em uma suposta característica que precisa ser corrigida. Por isso, a avaliação presencial continua sendo fundamental para diferenciar uma alteração anatômica real de uma percepção criada pela câmera.

Naturalidade como ponto de partida

Em meio a tantas referências digitais e possibilidades de intervenção, o Dr. Georgen Hauagge defende que a estética facial não deve partir da pergunta "qual procedimento está em alta?", mas de uma avaliação individual: o que realmente incomoda, por que isso acontece e quando ou qual abordagem faz sentido para aquele paciente.

A busca por resultados naturais, nesse contexto, não significa abandonar os procedimentos estéticos. Significa utilizá-los de forma planejada, respeitando a anatomia, a expressão e a identidade de cada pessoa.

Por Dielin da Silva

Portal EdiCase
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