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5 momentos-chave do julgamento da mãe acusada de matar os 3 filhos e que alega psicose pós-parto

Julgamento entrou em fase final e júri está deliberando sobre futuro da mãe acusada de assassinar seus três filhos pequenos nos EUA.

28 ago 2026 - 12h54
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Resumo
O julgamento de Lindsay Clancy, acusada de matar seus três filhos em 2023, entrou na fase de deliberação do júri. A ré admite os atos, mas a defesa sustenta a tese de insanidade por psicose pós-parto, citando delírios e grave declínio mental atestado por familiares. A acusação contesta a falta de consciência e alega que o crime foi premeditado, o que pode levar Clancy à prisão perpétua. O processo mobilizou forte atenção pública e envolveu duelos técnicos entre peritos e advogados.
Lindsay Clancy 'disse que ouviu uma voz masculina ordenando que ela matasse seus filhos', segundo o testemunho de um psicólogo aos jurados
Lindsay Clancy 'disse que ouviu uma voz masculina ordenando que ela matasse seus filhos', segundo o testemunho de um psicólogo aos jurados
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Aviso: esta reportagem contém detalhes perturbadores e aborda uma tentativa de suicídio.

O julgamento da americana Lindsay Clancy, mãe acusada de assassinar os três filhos pequenos em sua casa nos arredores de Boston, entrou em uma fase crucial, com o momento de deliberação do júri.

No caso que despertou grande interesse do público americano, Clancy não nega ter cometido os assassinatos, mas sua defesa argumenta que ela não deve ser responsabilizada legalmente porque sofria de psicose pós-parto quando atentou contra a vida dos filhos.

Clancy é acusada de três homicídios qualificados em primeiro grau pelas mortes ocorridas em janeiro de 2023. Se condenada pelo júri, ela poderá ser sentenciada à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.

Aqui estão alguns dos momentos mais marcantes do emotivo julgamento que já dura cinco semanas.

Defesa argumenta que Clancy sofria com alucinações e delírios

Lindsay Clancy está sentada no tribunal.
Lindsay Clancy está sentada no tribunal.
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Os promotores alegam que, em 24 de janeiro de 2023, Clancy estrangulou intencionalmente todos os seus filhos — Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de oito meses — com faixas elásticas de ginástica em sua casa em Duxbury, Massachusetts, antes de pular da janela do segundo andar.

Clancy, agora com 36 anos, ficou paraplégica com a queda e compareceu ao julgamento em uma cadeira de rodas.

Os advogados da americana nunca negaram seu envolvimento nos assassinatos.

Em vez disso, apresentaram uma defesa baseada em insanidade, argumentando que Clancy teve alucinações e delírios após dar à luz seu filho mais novo.

Os advogados ainda apontaram para o tratamento para problemas de saúde mental que ela recebeu e para o fato de ter se internado em um hospital psiquiátrico poucos dias antes das mortes.

Enquanto isso, os promotores argumentaram que Clancy tomou uma decisão calculada de matar intencionalmente seus filhos e que, portanto, deve ser responsabilizada legalmente.

Eles alegam que, na ocasião, Clancy pediu a seu marido, Patrick Clancy, para fazer compras, para que ele não estivesse em casa.

A família de Clancy, incluindo sua ex-sogra e seu ex-marido, testemunhou sobre seu estado mental antes das mortes.

O julgamento, que durou cinco semanas, despertou grande interesse nas redes sociais, com milhares de pessoas acompanhando as sessões.

Centenas de mulheres se reuniram em frente ao tribunal para demonstrar apoio a Clancy, vestindo camisetas rosa com frases como "Ela precisava de ajuda" e "Paz para Lindsay".

Mulheres vestindo blusas rosa se reúnem do lado de fora do tribunal de Clancy para apoiá-la.
Mulheres vestindo blusas rosa se reúnem do lado de fora do tribunal de Clancy para apoiá-la.
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

'Um momento realmente difícil': ex-marido de Clancy se pronuncia

Ao longo de dois dias, o ex-marido de Clancy, Patrick, contou aos jurados sobre o declínio da saúde mental de sua ex-esposa após o parto e descreveu o dia em que seus filhos morreram com detalhes macabros.

Ele disse aos jurados que a "grande espiral" de Clancy começou cerca de um mês antes de suas mortes.

"Ela começou a perder muito peso, ficou muito deprimida e estava passando por um momento muito difícil", disse ele.

Ele descreveu como ela buscava ajuda médica intermitentemente e tomava diversos medicamentos, acrescentando que se lembrava dela dizendo que estava começando a ter pensamentos suicidas.

Patrick Clancy durante depoimento
Patrick Clancy durante depoimento
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Patrick Clancy descreveu sua última imagem do filho Dawson sentado no sofá comendo nuggets de frango antes de sair para comprar comida e remédios. Ele voltou e encontrou seus filhos mortos.

Lindsay Clancy chorou copiosamente no tribunal enquanto era reproduzida a gravação da ligação do marido para o 911. Na gravação, ele grita: "Ela matou as crianças!", após encontrar os filhos no porão.

Desde o início do julgamento, teorias da conspiração sobre Patrick Clancy têm circulado online, incluindo algumas especulando sobre seu envolvimento.

Mas ele nunca foi suspeito ou esteve sob suspeita dos investigadores; Lindsay Clancy admitiu ter matado seus filhos e seus advogados não negaram isso.

Batalhas entre advogados e especialistas sobre os cuidados com Clancy

Mais de 10 peritos testemunharam tanto pela defesa quanto pela acusação, incluindo alguns que entraram em conflito com os advogados sobre a saúde mental de Clancy.

Ao longo do tratamento, Clancy tomou mais de uma dúzia de medicamentos e procurou ajuda em uma linha direta de prevenção ao suicídio e no pronto-socorro.

A equipe de Clancy tentou convencer os jurados de que ela sofria de psicose pós-parto, uma condição rara em que mulheres no pós-parto podem apresentar mania, depressão ou uma combinação de ambas. Clancy alega que teve alucinações e delírios.

Um dia, os ânimos se exaltaram particularmente no tribunal quando uma das psiquiatras de Clancy, Jennifer Tufts, testemunhou pela acusação, afirmando que Clancy não apresentou sinais de psicose durante as sessões.

Lindsay e Patrick Clancy quando ela estava grávida
Lindsay e Patrick Clancy quando ela estava grávida
Foto: Reuters / BBC News Brasil

"Não havia sinais sérios de que a segurança dela ou de qualquer outra pessoa estivesse em risco", disse Tufts, que viu Clancy mais de uma dúzia de vezes durante cinco meses.

Mas os advogados de defesa apontaram para as anotações médicas de Tufts, que descreviam a fala "não acelerada, pressionada" de Clancy. A fala pressionada — uma maneira rápida e frenética de falar — pode ser um sinal de mania.

Tufts negou acreditar que Clancy tivesse usado linguagem pressionada, afirmando que o "não" se aplicava tanto à palavra "acelerada" quanto à palavra "pressionada".

Quando o advogado de defesa, Kevin Reddington, a pressionou, ela respondeu: "Não me importo com o que está escrito. Eu sei o que quis dizer."

Reddington também ficou tenso ao questionar repetidamente outro especialista da acusação, o psiquiatra Avram Mack, sobre se a psicose pós-parto é um diagnóstico.

A Associação Americana de Psiquiatria considera a psicose pós-parto apenas como uma doença hipotética, afirmou ele.

Mack evitou chamar a psicose pós-parto de diagnóstico reconhecido, respondendo em certo momento: "Não tenho certeza se isso responde especificamente à sua pergunta."

Em tom de frustração, Reddington respondeu: "Não me importo."

A mãe de Clancy presta depoimento

Lindsay Clancy estava 'implorando por ajuda', testemunhou sua ex-sogra, Susan Clancy
Lindsay Clancy estava 'implorando por ajuda', testemunhou sua ex-sogra, Susan Clancy
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Além de Patrick Clancy, a ex-sogra de Lindsay, sua mãe e sua irmã também prestaram depoimento, relatando aos jurados o agravamento da saúde mental de Clancy após o nascimento de seu filho.

Lindsay Clancy estava "implorando por ajuda", testemunhou sua ex-sogra, Susan Clancy.

"Ela tinha insônia. Estava perdendo o apetite", disse ela. "Estava muito ansiosa e triste."

Ela acrescentou que Clancy tinha sido uma mãe "muito carinhosa" até o nascimento de seu filho mais novo.

A mãe de Clancy, Paula Musgrove, disse que sua filha contou a ela e ao ex-marido que estava pensando em machucar os filhos um mês antes de suas mortes.

Musgrove disse que sua filha estava ficando paranoica e expressou a opinião de que seus medicamentos estavam "destruindo sua mente".

A irmã de Clancy, Allison Ozga, disse ao tribunal que sua irmã tinha pensamentos suicidas todos os dias durante o mês anterior ao assassinato de seus filhos.

Juiz instrui jurados a desconsiderarem depoimentos sobre fé católica

Dois dias antes das alegações finais, a equipe de defesa de Clancy solicitou a anulação do julgamento depois que os promotores questionaram as testemunhas sobre sua fé católica.

Na semana passada, os promotores perguntaram à ex-sogra de Clancy, Susan Clancy, se ela sabia que o assassinato era considerado um "pecado mortal", depois de lhe perguntarem se ela era católica.

Posteriormente, o juiz responsável pelo caso pediu aos jurados que desconsiderassem o depoimento.

Então, esta semana, o psicólogo forense Kirk Heilbrun, que entrevistou Lindsay Clancy após os assassinatos, testemunhou que perguntou a Clancy se o suicídio era considerado um "pecado mortal" enquanto discutiam sua educação católica.

O juiz William Sullivan negou o pedido da equipe jurídica de Clancy para anulação do julgamento, mas disse aos jurados que aquele era um "tópico de depoimento absolutamente inapropriado".

"Isso deve ser retirado. Não deve ser levado em consideração. Não poderia ser mais claro quanto a isso", disse ele.

Com informações adicionais de Ana Faguy e Brandon Drenon.

Caso seja ou conheça alguém que apresente sinais de alerta relacionados ao suicídio, ou caso você tenha perdido uma pessoa querida para o suicídio, confira alguns locais para pedir ajuda:

- O Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, oferece atendimento gratuito 24h por dia; há também a opção de conversa por chat, e-mail e busca por postos de atendimento ao redor do Brasil;

- Para jovens de 13 a 24 anos, a Unicef oferece também o chat Pode Falar;

- Em casos de emergência, outra recomendação de especialistas é ligar para os Bombeiros (telefone 193) ou para a Polícia Militar (telefone 190);

- Outra opção é ligar para o SAMU, pelo telefone 192;

- Na rede pública local, é possível buscar ajuda também nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h;

- Confira também o Mapa da Saúde Mental, que ajuda a encontrar atendimento em saúde mental gratuito em todo o Brasil.

- Para aqueles que perderam alguém para o suicídio, a Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio (Abrases) oferece assistência e grupos de apoio.

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