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Doenças neurológicas: histórico familiar pode indicar risco genético

Histórico familiar de doenças neurológicas pode indicar maior risco em alguns casos

7 ago 2026 - 13h40
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Resumo
Doenças neurológicas nem sempre são hereditárias, mas fatores genéticos podem influenciar o risco em casos com histórico familiar. O Dr. Pedro Andrade explica como a Medicina de Precisão ajuda a identificar predisposições e adotar estratégias preventivas, como monitoramento em casos de Alzheimer precoce, Parkinson em jovens ou Doença de Huntington. 🧠📊

Receber o diagnóstico de uma doença neurológica em um dos pais costuma despertar uma dúvida imediata nos filhos: afinal, isso significa que eles também podem desenvolver o mesmo problema? A resposta depende de diversos fatores, mas o histórico familiar pode, sim, fornecer informações importantes sobre o risco individual e orientar um acompanhamento médico mais adequado.

Histórico familiar pode ser um importante aliado na prevenção de doenças neurológicas
Histórico familiar pode ser um importante aliado na prevenção de doenças neurológicas
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Embora muitas doenças neurológicas estejam relacionadas ao envelhecimento e a fatores ambientais, algumas apresentam um componente genético significativo, especialmente quando surgem em pessoas mais jovens ou acometem diferentes integrantes da mesma família.

Segundo o médico Dr. Pedro Andrade, especialista em Medicina de Precisão, pesquisador e fundador do Instituto Genoma, conhecer o histórico de saúde dos pais permite identificar situações em que vale a pena investigar possíveis predisposições hereditárias.

"A genética não determina o futuro, mas oferece informações valiosas sobre predisposições. Quando existe um histórico familiar de determinadas doenças neurológicas, principalmente em parentes de primeiro grau, conseguimos avaliar o risco de forma mais precisa e, em alguns casos, antecipar estratégias de prevenção e monitoramento", explica.

Nem toda doença neurológica é hereditária

O especialista ressalta que o diagnóstico de uma doença neurológica no pai não significa, automaticamente, que os filhos terão o mesmo problema.

"A maioria dos casos de doenças neurológicas ocorre de forma esporádica, sem uma causa hereditária identificável. O papel da avaliação médica é justamente diferenciar quando existe um componente genético relevante e quando o risco permanece semelhante ao da população em geral", afirma.

No caso do Alzheimer, por exemplo, a maior parte dos diagnósticos está relacionada ao envelhecimento. No entanto, quando a doença surge antes dos 65 anos ou há diversos casos em diferentes gerações da família, a investigação genética pode ser recomendada.

O mesmo acontece com o Parkinson. Apesar de a maioria dos casos não ser hereditária, variantes genéticas já identificadas pela ciência podem aumentar a predisposição em algumas famílias, principalmente quando a doença aparece em pessoas mais jovens ou em vários parentes.

Já a Doença de Huntington é considerada um dos exemplos mais conhecidos de herança genética. Causada por uma alteração em um único gene, ela apresenta herança autossômica dominante, o que significa que um pai portador da mutação tem cerca de 50% de chance de transmiti-la para cada filho.

Além dessas condições, algumas formas de esclerose lateral amiotrófica (ELA), neuropatias hereditárias, ataxias e outras doenças neurodegenerativas também podem ter origem genética.

Quando o histórico familiar merece investigação?

De acordo com Dr. Pedro Andrade, alguns sinais indicam que uma avaliação especializada pode ser importante:

  • Pai diagnosticado com Alzheimer antes dos 65 anos;
  • Casos de Parkinson em diferentes membros da família;
  • Diagnóstico de Doença de Huntington em um dos pais;
  • Vários familiares com doenças neurológicas semelhantes;
  • Doenças neurodegenerativas surgindo em idades incomuns.

"Esses antecedentes não significam que o filho desenvolverá obrigatoriamente a doença, mas indicam que vale a pena procurar orientação especializada para entender qual é o risco real", afirma.

O especialista explica que os avanços da Medicina de Precisão permitem integrar testes genéticos, histórico familiar e características clínicas para definir um acompanhamento individualizado. Em muitos casos, o objetivo não é prever que uma doença acontecerá, mas identificar oportunidades de prevenção, diagnóstico precoce e monitoramento personalizado.

Para Dr. Pedro Andrade, conhecer o histórico de saúde da família deve ser encarado como uma ferramenta de cuidado, e não de medo.

"O histórico familiar não deve gerar medo, mas consciência. Quanto mais conhecemos nossa história genética, maiores são as possibilidades de adotar estratégias preventivas, realizar o acompanhamento adequado e oferecer um cuidado personalizado. Na Medicina de Precisão, a informação é uma das ferramentas mais importantes para proteger a saúde das próximas gerações", conclui.

Saúde em Dia
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