Rômulo Estrela destaca a importância do autocuidado para homens: 'Temos muita dificuldade'
Ator fala sobre saúde emocional, cuidados com o corpo e relembra diagnóstico cardíaco que mudou sua relação com a masculinidade e o autocuidado
A participação de Rômulo Estrela no programa Saia Justa acabou despertando uma conversa necessária sobre masculinidade, saúde emocional e autocuidado. Conhecido recentemente por interpretar Paulinho em Três Graças, o ator surpreendeu ao abordar o tema de maneira sensível, direta e longe de discursos agressivos.
Durante o bate-papo com Eliana, Juliette, Tati Machado, Erika Januza e Bela Gil, Rômulo falou sobre a forma como muitos homens ainda enxergam o cuidado pessoal com preconceito ou superficialidade.
Para ele, existe uma dificuldade cultural em compreender que cuidar da aparência, da saúde física e do emocional não diminui a masculinidade de ninguém. Pelo contrário. "Eu falei outro dia que eu passo base, protetor solar e que eu tenho a minha necessaire - e o assunto viralizou -, mas o autocuidado vai além disso. Na verdade, o creme que eu passo é o mínimo, estou cuidado de algo que eu quero que dure para sempre."
O autocuidado que vai além da estética
A fala do ator chamou atenção justamente por ampliar um debate que muitas vezes fica restrito apenas à aparência. Em vez de tratar autocuidado como vaidade, ele trouxe uma perspectiva mais profunda. A de que cuidar de si também significa prestar atenção aos sinais do corpo e da mente.
"Autocuidado é uma coisa que faz você descobrir uma doença séria, e os homens têm dificuldade muito grande com isso. Nós temos muita dificuldade em entender que temos que cuidar do corpo, da mente, do psicológico", afirmou.
A reflexão dialoga com um problema recorrente apontado por especialistas: homens costumam procurar menos acompanhamento médico preventivo e, muitas vezes, aprendem desde cedo a associar vulnerabilidade à fraqueza. Isso acaba dificultando conversas sobre saúde mental, emoções e até sintomas físicos importantes.
Segundo estudos sobre comportamento masculino e saúde pública, essa resistência ao cuidado preventivo pode contribuir para diagnósticos tardios de doenças, além de aumentar quadros de ansiedade, estresse e sofrimento emocional silencioso.
O diagnóstico que mudou sua relação com a saúde
Rômulo revelou que sua percepção sobre autocuidado mudou de forma intensa aos 24 anos. Na época, ele realizava exames no hospital da Aeronáutica para conseguir um certificado de piloto esportivo quando recebeu um diagnóstico inesperado: fibrilação atrial, uma alteração cardíaca que provoca irregularidade nos batimentos do coração.
O ator precisou passar por duas cirurgias e contou que a experiência transformou completamente sua forma de enxergar o próprio corpo e a importância do acompanhamento médico. Mais do que uma questão estética, o cuidado passou a representar sobrevivência, presença e qualidade de vida.
Masculinidade sem rigidez emocional
A repercussão positiva da entrevista também aconteceu por outro motivo. O ator escolheu um caminho diferente do tom polarizado que frequentemente domina debates sobre masculinidade nas redes sociais. Em vez de discursos radicais, ele falou sobre vulnerabilidade com naturalidade.
Ao comentar hábitos simples, como usar protetor solar, carregar uma nécessaire ou investir em skincare, Rômulo acabou ajudando a normalizar algo que deveria ser básico. Homens também podem (e precisam) se cuidar.
Essa mudança de percepção não envolve apenas estética. Ela passa pela possibilidade de homens aprenderem a reconhecer emoções, pedir ajuda, cuidar da saúde mental e construir relações mais saudáveis consigo mesmos e com os outros.
A fala do ator trouxe uma reflexão importante. Talvez o verdadeiro sinal de maturidade não esteja em esconder fragilidades, mas justamente em aprender a cuidar delas antes que se transformem em algo maior.
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