Quem são os cientistas brasileiros que entraram para a lista dos mais influentes do mundo?
Pesquisas brasileiras que usam soluções da natureza ganham destaque global ao transformar a agricultura e o combate à dengue
A ciência brasileira ganhou destaque internacional em 2026 com a presença de dois cientistas na tradicional lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, divulgada pela revista Time. A microbiologista e agrônoma Mariangela Hungria e o geneticista Luciano Moreira foram reconhecidos por projetos que, embora diferentes, têm algo em comum. Ambos usam soluções biológicas para transformar realidades, seja no campo, seja na saúde pública.
O reconhecimento não surge por acaso. Ambos já vinham acumulando prêmios e visibilidade internacional por suas contribuições, que impactam milhões de pessoas dentro e fora do Brasil.
Agricultura mais produtiva e sustentável
Com mais de três décadas dedicadas à pesquisa, Mariangela Hungria se destacou por desenvolver tecnologias baseadas em microrganismos do solo capazes de substituir fertilizantes químicos. Esses microrganismos ajudam as plantas a absorver o nitrogênio de forma mais natural, um nutriente essencial para o crescimento das lavouras.
Esse avanço representa uma mudança importante na agricultura. Tradicionalmente, o uso de fertilizantes sintéticos foi fundamental para aumentar a produção de alimentos. Mas também trouxe consequências ambientais, como a contaminação de solos e águas e a emissão de gases poluentes.
Ao propor uma alternativa mais sustentável, a pesquisadora ajudou a reduzir esses impactos. Hoje, já utiliza-se a tecnologia desenvolvida de forma ampla: grande parte das lavouras de soja no Brasil utilizam esses microrganismos em vez de fertilizantes convencionais.
"Hoje, graças ao seu trabalho, 85% da soja brasileira é cultivada com esses microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos", destacou a revista Time. "Suas inovações científicas, utilizadas no mundo todo, ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono". Além dos benefícios ambientais, a solução também reduz custos para os produtores, mostrando que sustentabilidade e produtividade podem caminhar juntas.
Mosquitos que ajudam a combater doenças
Enquanto isso, na área da saúde, Luciano Moreira lidera uma estratégia inovadora para enfrentar doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya.
A proposta parece inusitada à primeira vista: em vez de eliminar os mosquitos, a ideia é modificá-los. A equipe de Moreira utiliza uma bactéria chamada Wolbachia, que passa a viver dentro do inseto e impede que os vírus se multipliquem em seu organismo. Com isso, mesmo quando infectado, o mosquito perde a capacidade de transmitir doenças.
Esse método, desenvolvido ao longo de anos de pesquisa, vem sendo aplicado em diferentes cidades brasileiras, com resultados promissores na redução de casos.
"Por mais de duas décadas, Luciano Moreira desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento e na implementação em larga escala do método Wolbachia do Programa Mundial de Mosquitos, que consiste na criação de mosquitos incapazes de transmitir doenças mortais como a dengue", afirmou a Time. "Ele conduziu o projeto desde a descoberta científica até o seu impacto duradouro na saúde pública no Brasil, um dos países mais afetados por doenças transmitidas por mosquitos."
O trabalho ganhou ainda mais escala com a criação de uma biofábrica em Curitiba, considerada a maior do mundo na produção desses mosquitos. A expectativa é ampliar o alcance da tecnologia e proteger milhões de pessoas nos próximos anos.
Um reconhecimento inédito
A presença simultânea de dois cientistas brasileiros na lista é um marco. O Brasil já apareceu em outras edições, mas essa é a primeira vez que dois pesquisadores ganham destaque no mesmo ano. Além deles, o ator Wagner Moura também aparece entre os nomes reconhecidos em 2026, mostrando a diversidade de áreas em que brasileiros vêm se destacando globalmente.
Mais do que uma conquista individual, o reconhecimento de Hungria e Moreira reforça o papel da ciência como ferramenta de transformação. Seja ao tornar a agricultura mais sustentável ou ao desenvolver novas formas de combater doenças, suas pesquisas mostram como soluções baseadas na natureza podem gerar impactos concretos no dia a dia.
E, no fim das contas, talvez seja esse o ponto em comum mais poderoso entre eles: usar conhecimento para melhorar a vida - de forma prática, acessível e duradoura.
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