Príncipe Harry fala sobre importância da terapia antes de ter filhos: 'Precisava resolver'
Em evento sobre saúde masculina, o duque de Sussex refletiu sobre emoções, terapia e os desafios reais de se tornar pai
Olhar para o próprio passado pode ser um dos passos mais importantes na construção de uma paternidade mais consciente. Foi isso que o príncipe Harry destacou ao participar de um evento da organização Movember, na Austrália, voltado à saúde masculina e ao papel dos pais na vida dos filhos.
Durante o discurso, o duque de Sussex compartilhou como a terapia teve um papel essencial antes mesmo do nascimento de seus filhos, Archie e Lilibet, frutos de seu relacionamento com Meghan Markle.
"Certamente, do ponto de vista terapêutico, você quer ser a melhor versão de si mesmo para seus filhos. E eu sabia que tinha coisas do passado que precisava resolver e, portanto, me preparar para basicamente me livrar do passado", afirmou.
O impacto emocional da paternidade
Apesar do preparo, Harry também revelou que o início da paternidade trouxe sentimentos inesperados. Antes do nascimento do primeiro filho, ele foi orientado por um terapeuta a observar suas emoções nesse período - um conselho que acabou fazendo sentido logo nos primeiros dias.
Ele contou que chegou a sentir uma certa distância emocional no início da experiência. "Senti uma 'desconexão' nos primeiros dias. Minha esposa era quem estava criando a vida, e eu estava lá para testemunhar isso", relatou. A fala chama atenção para um aspecto pouco discutido: a adaptação emocional dos pais, que nem sempre acontece de forma imediata ou idealizada.
Uma experiência que não precisa ser solitária
Ao se dirigir a outros homens, o príncipe reforçou que esse processo pode ser intenso e, muitas vezes, confuso - mas não precisa ser enfrentado sozinho. "Para os pais e futuros pais: sim, é complicado. Vocês vão passar por uma montanha-russa de emoções, e não se julguem", aconselhou.
A mensagem destaca a importância de acolher as próprias emoções, sem culpa, especialmente em um momento de tantas mudanças.
Quebrar padrões e construir novos caminhos
Ao refletir sobre sua própria história, marcada pela exposição pública e pela perda da mãe ainda na infância, Harry também falou sobre a possibilidade de construir relações diferentes com as próximas gerações.
Segundo ele, muitos dos diálogos que hoje são possíveis entre pais e filhos "nunca existiram" em sua própria infância. Ainda assim, ele reforçou que a ideia não é comparar gerações, mas evoluir nas formas de cuidado e conexão.
A terapia como ferramenta de transformação
Ao longo dos anos, o príncipe buscou diferentes abordagens terapêuticas para lidar com experiências marcantes. Entre elas, a EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimento Ocular), técnica utilizada no tratamento de traumas.
Essa abordagem combina estímulos bilaterais, como movimentos dos olhos ou toques leves no corpo, com a lembrança de situações difíceis, permitindo que essas memórias processem de forma menos intensa.
A proposta é ajudar o cérebro a reorganizar experiências que ficaram "presas" de maneira dolorosa, favorecendo um processo mais natural de elaboração emocional.
Quando o passado ainda é um gatilho
Em um documentário anterior, Harry já havia falado sobre o impacto da morte da princesa Diana em sua vida e como evitou, por muito tempo, entrar em contato com essa dor.
"Londres, para mim, é um gatilho por causa do que aconteceu com minha mãe e por causa do que vivi e vi. Eu não queria pensar nela. Porque, se eu pensar nela, isso vai trazer à tona o fato de que não posso trazê-la de volta e isso só vai me deixar triste e decidi não falar sobre isso", contou.
O processo terapêutico, nesse sentido, aparece como um caminho possível para lidar com memórias difíceis e dar novos significados a elas.
Falar sobre saúde mental ainda é essencial
Hoje, Harry afirma que priorizar o bem-estar emocional é uma escolha consciente em sua vida familiar. Ao lado de Meghan Markle, ele defende a importância de quebrar o silêncio em torno da saúde mental.
"Optamos por colocar a nossa saúde mental em primeiro lugar. É isso que estamos fazendo e é isso que continuaremos a fazer. Não se trata apenas de quebrar um ciclo e se tratar apenas para garantir que a história não se repita. O estigma prospera no silêncio. Portanto, enquanto prosperar no silêncio, o melhor que todos nós podemos fazer é continuar a conversar e compartilhar histórias que são relacionadas com pessoas ao redor do mundo", afirmou.
Entre cuidar de si e cuidar do outro
A experiência do príncipe reforça uma ideia cada vez mais presente: cuidar de si não é um ato isolado. É também uma forma de cuidar das relações. Ao olhar para o próprio passado, elaborar emoções e buscar ajuda quando necessário, abre-se espaço para vínculos mais conscientes, empáticos e saudáveis. Porque, muitas vezes, a forma como criamos alguém começa pela forma como aprendemos a nos reconstruir.
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