Pressão alta pode comprometer contracepção e gravidez
Hipertensão, muitas vezes silenciosa, aumenta risco de pré-eclâmpsia, parto prematuro, infarto e AVC, e pode até limitar o uso de métodos contraceptivos
"Silenciosa e altamente prevalente, a hipertensão arterial pode afetar a saúde da mulher em diferentes momentos da vida — da escolha do método contraceptivo à gestação e à menopausa". O alerta é da ginecologista Dra. Gabriela Pravatta, membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Segundo a especialista, a pressão alta nem sempre causa sintomas no início, o que torna o acompanhamento médico ainda mais importante. Em muitos casos, é justamente o ginecologista ou obstetra quem identifica o problema pela primeira vez. Afinal, esse costuma ser o médico mais presente na rotina de cuidado da mulher, o que reforça o papel desses especialistas no rastreamento e na prevenção.
Na idade reprodutiva, a hipertensão já impõe cuidados importantes. Mulheres com idade maior que 35 anos e diagnóstico de hipertensão ja têm contraindicação para métodos contraceptivos à base de estrogênio, como pílulas combinadas, injetável mensal, anel vaginal e adesivo transdérmico. Além disso, quando a mulher engravida já hipertensa — ou desenvolve hipertensão ao longo da gestação — o risco de complicações maternas e fetais aumenta significativamente.
Durante a gravidez, a hipertensão pode causar danos a órgãos-alvo, com repercussões renais, hepáticas, hematológicas e neurológicas. Também eleva a chance de pré-eclâmpsia, uma das principais causas de morbimortalidade materna. Em situações mais graves, o quadro pode evoluir para eclâmpsia, com convulsões. Ou até para a síndrome HELLP, condição grave associada a hemólise, alteração hepática e queda das plaquetas.
Para o bebê, a hipertensão está relacionada à insuficiência placentária, restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer, redução do líquido amniótico e maior risco de prematuridade. Em alguns casos, inclusive, é necessário antecipar o parto para preservar a saúde materna e fetal.
Sintomas exigem atenção imediata
Entre os principais sinais de alerta, especialmente na gestação, estão o ganho de peso acelerado, inchaço importante, dor de cabeça, zumbido, alterações visuais e falta de ar. Dor no peito, dificuldade para respirar aos esforços e necessidade de dormir com vários travesseiros também devem ser valorizadas.
"Na gravidez, qualquer alteração pressórica merece atenção maior. O pré-natal permite identificar precocemente sinais que podem indicar agravamento da hipertensão e evitar desfechos mais graves para a mãe e para o bebê", destaca Gabriela, que será palestrante no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), que acontece em Belo Horizonte, de 27 a 30 de maio.
Pressão deve ser medida em toda consulta
A FEBRASGO reforça que a aferição da pressão arterial deve fazer parte da rotina de atendimento ginecológico e obstétrico. Isso porque o consultório pode ser uma porta de entrada decisiva para o diagnóstico precoce da doença, principalmente em mulheres que não mantêm acompanhamento clínico regular com outros especialistas.
A prevenção também passa por mudanças no estilo de vida, com alimentação balanceada, redução do consumo de sal e ultraprocessados e prática regular de atividade física.
Na menopausa, o cuidado deve ser ainda mais rigoroso. Com a queda do estrogênio, o risco cardiovascular feminino já aumenta naturalmente. Quando associada à hipertensão, essa fase passa a exigir controle ainda mais atento para reduzir as chances de infarto e AVC.
"Cuidar da pressão arterial ao longo da vida é uma forma de proteger a saúde da mulher no presente e no futuro. Isso melhora os desfechos de uma possível gestação, reduz os riscos na menopausa e contribui para mais qualidade de vida no envelhecimento", conclui a Dra. Gabriela Pravatta.
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