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Raros e vulneráveis: a luta do tamanduá‑bandeira pela sobrevivência

O tamanduá-bandeira, um dos mamíferos mais emblemáticos do Pantanal, vive hoje uma situação delicada. Saiba por que o animal vive esse cenário de risto.

22 fev 2026 - 11h00
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O tamanduá-bandeira, um dos mamíferos mais emblemáticos do Pantanal, vive hoje uma situação delicada. Afinal, ele aparece como vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), e tornou-se um animal cada vez mais raro em várias áreas do bioma. A espécie, que já foi vista com frequência em campos abertos e bordas de matas, depende agora de fragmentos de habitat preservado para se manter.

No Pantanal, estimativas recentes de pesquisadores e projetos de monitoramento indicam que a população de tamanduá-bandeira gira em torno de alguns milhares de indivíduos. Ademais, a densidade varia conforme o grau de conservação da paisagem. Assim, em regiões mais pressionadas por queimadas, pecuária intensiva e expansão agrícola, avistagens se tornaram menos comuns. Portanto, isso reforça o alerta de conservação para a espécie na maior planície alagável do planeta.

O status de vulnerável do tamanduá-bandeira no Pantanal associa-se principalmente à perda e à degradação de habitat – depositphotos.com / joelfotos
O status de vulnerável do tamanduá-bandeira no Pantanal associa-se principalmente à perda e à degradação de habitat – depositphotos.com / joelfotos
Foto: Giro 10

Por que o tamanduá-bandeira é considerado vulnerável no Pantanal?

O status de vulnerável do tamanduá-bandeira no Pantanal associa-se principalmente à perda e à degradação de habitat. Afinal, a conversão de áreas nativas em pastagens plantadas, o avanço da fronteira agrícola no entorno do bioma e o uso intensivo do fogo alteram a cobertura vegetal que oferece abrigo e alimento ao animal. Ademais, as grandes queimadas que marcaram o Pantanal em anos recentes, com milhões de hectares atingidos, tiveram impacto direto em populações locais.

Outro fator de diminuição populacional é o atropelamento em rodovias. Devido ao deslocamento lento e ao hábito de cruzar estradas em períodos de menor movimento, o tamanduá-bandeira está entre as espécies que mais sofre com colisões com veículos na região Centro-Oeste. Além disso, ataques de cães domésticos, conflitos próximos a propriedades rurais e, em alguns casos, caça oportunista contribuem para a queda no número de indivíduos.

Pesquisas indicam que, sem medidas de proteção específicas, a tendência é de redução gradual das populações pantaneiras ao longo das próximas décadas. Afinal, a combinação entre menor disponibilidade de área adequada e aumento de mortalidade por causas humanas cria um cenário de risco para a espécie. Isso mesmo em uma região que ainda é um dos grandes refúgios de vida silvestre do país.

Habitat do tamanduá-bandeira no Pantanal: onde ele vive e se alimenta?

No Pantanal, o tamanduá-bandeira ocupa uma variedade de ambientes, desde campos alagáveis e cerrados ralos até cordilheiras mais altas com vegetação arbórea. Ademais, a espécie prefere áreas com formigueiros e cupinzeiros abundantes, seu principal recurso alimentar. Por isso, campos naturais, bordas de matas e áreas de transição entre ambientes secos e úmidos são essenciais para sua sobrevivência.

Durante o período de cheias, muitos indivíduos se deslocam para regiões mais altas, evitando áreas totalmente inundadas. Por outro lado, na seca a movimentação se torna mais ampla, levando o animal a percorrer distâncias consideráveis em busca de alimento. Portanto, esse padrão de uso da paisagem faz com que a conectividade entre diferentes tipos de habitat seja crucial para manter populações viáveis a longo prazo.

  • Campos limpos e sujos, ricos em insetos sociais;
  • Faixas de cerrado e cerradão, usados para abrigo;
  • Áreas próximas a corixos e vazantes, que concentram alimento na seca;
  • Regiões pouco alteradas por pastagens exóticas ou desmatamento.

Comportamentos típicos: como vive o tamanduá-bandeira pantaneiro?

O tamanduá-bandeira é um mamífero de hábitos principalmente solitários. Assim, identifica-se a espécie geralmente sozinha ou com filhotes, quando fêmeas ainda estão em fase de cuidado parental. Mede até dois metros de comprimento, considerando a cauda, e apresenta a pelagem longa e espessa que ajuda na proteção contra picadas de formigas e cupins. A cauda volumosa é usada como "cobertor" durante o descanso, ajudando na regulação térmica.

A alimentação é especializada: o animal utiliza as garras fortes das patas dianteiras para abrir formigueiros e cupinzeiros, inserindo a língua comprida e pegajosa para capturar centenas de insetos em poucos minutos. O olfato aguçado guia a busca por alimento, já que a visão é considerada limitada. Em muitas áreas do Pantanal, a atividade é mais intensa ao amanhecer e no fim da tarde, mas indivíduos também podem ser vistos de dia, dependendo da temperatura e da pressão de predadores.

Entre os comportamentos mais marcantes está a forma de defesa. Quando acuado, o tamanduá-bandeira pode erguer-se sobre as patas traseiras e usar as garras como arma. Embora ataques sejam raros, esse comportamento reforça a necessidade de manter distância e evitar aproximação desnecessária, especialmente em propriedades rurais e estradas onde encontros são mais frequentes.

Qual é a importância ecológica do tamanduá-bandeira no Pantanal?

O tamanduá-bandeira exerce papel relevante no equilíbrio ecológico do Pantanal. Ao consumir grandes quantidades de formigas e cupins, contribui para o controle natural dessas populações, influenciando processos como a decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes no solo. A abertura de formigueiros e cupinzeiros também modifica micro-habitats, criando espaços que podem ser usados por outros organismos.

Essa função é considerada importante em paisagens onde atividades agropecuárias convivem com áreas naturais, já que o controle de insetos sociais por predadores naturais tende a reduzir a necessidade de intervenções químicas em certas situações. No contexto pantaneiro, a presença do tamanduá-bandeira é vista por pesquisadores como indicadora de ambientes ainda relativamente preservados e conectados.

  1. Regulação de populações de insetos sociais;
  2. Influência na estrutura do solo por escavações;
  3. Participação em cadeias alimentares como presa de grandes carnívoros;
  4. Indicador de qualidade ambiental em paisagens de uso múltiplo.
O tamanduá-bandeira exerce papel relevante no equilíbrio ecológico do Pantanal. Ao consumir grandes quantidades de formigas e cupins, contribui para o controle natural dessas populações, influenciando processos como a decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes no solo – Anagoria/Wikimedia Commons
O tamanduá-bandeira exerce papel relevante no equilíbrio ecológico do Pantanal. Ao consumir grandes quantidades de formigas e cupins, contribui para o controle natural dessas populações, influenciando processos como a decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes no solo – Anagoria/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Curiosidades e esforços de preservação do tamanduá-bandeira no Pantanal

Entre as curiosidades mais marcantes está o hábito das fêmeas de carregar o filhote nas costas por vários meses. A pelagem do jovem se mistura visualmente à da mãe, dando ao conjunto a aparência de um único corpo maior, o que pode funcionar como estratégia de camuflagem. Outro ponto curioso é a língua, que pode atingir cerca de 60 centímetros de comprimento e realizar centenas de movimentos por minuto durante a alimentação.

Na última década, cresceram iniciativas focadas na conservação do tamanduá-bandeira no Pantanal. Projetos de pesquisa monitoram indivíduos por meio de colares de GPS, gerando dados sobre deslocamento, uso de habitat e taxa de mortalidade. Essas informações orientam ações como a criação de corredores ecológicos, campanhas para redução de atropelamentos e orientações a fazendeiros sobre manejo de cães e fogo controlado.

Algumas das principais frentes de preservação envolvem:

  • Programas de monitoramento populacional e mapeamento de áreas prioritárias;
  • Campanhas educativas voltadas a moradores e trabalhadores rurais;
  • Instalação de sinalização em rodovias com alto índice de atropelamentos;
  • Parcerias entre pesquisadores, proprietários de terras e órgãos ambientais para proteção de fragmentos de vegetação nativa.

A permanência do tamanduá-bandeira no Pantanal depende diretamente da manutenção de grandes áreas de habitat contínuo, da redução de ameaças como o fogo descontrolado e os atropelamentos, e do engajamento de comunidades locais, instituições de pesquisa e poder público. Em meio às transformações do bioma, a espécie tornou-se um dos principais indicadores da capacidade do Pantanal de conciliar produção, conservação e futuro da sua fauna nativa.

Giro 10
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