O animal mais antigo do mundo vive ainda hoje nos oceanos
O animal mais antigo do mundo vive ainda hoje nos oceanos: conheça a esponja do mar e descubra sua origem pré-dinossauros
O estudo da origem dos animais sempre chama a atenção de cientistas. Entre todas as espécies conhecidas, um grupo se destaca pela antiguidade. As esponjas-do-mar aparecem nos registros fósseis muito antes de mamíferos, aves e répteis. Elas ainda ocupam hoje uma parte discreta, mas importante, dos oceanos do planeta.
Esse organismo parece simples. No entanto, guarda pistas sobre o início da vida animal na Terra. Pesquisadores analisam seus tecidos, seus genes e seu modo de alimentação. Assim, tentam entender como surgiram as primeiras formas de vida multicelulares. Por isso, as esponjas marinhas ganharam o apelido de "animais mais antigos do mundo".
A maioria dos estudos indica as esponjas-do-mar como os animais mais antigos ainda existentes. Evidências fósseis apontam para uma origem superior a 600 milhões de anos. Esse período antecede em muito o aparecimento dos dinossauros. Ele também antecede a grande explosão de diversidade conhecida como explosão cambriana.
As esponjas pertencem ao filo Porifera. Elas possuem corpo poroso e fixam-se em rochas ou outros substratos. Em vez de órgãos complexos, apresentam uma rede de canais internos. A água entra, circula e sai em fluxo constante. Desse modo, o animal filtra partículas de alimento e obtém oxigênio.
Como vivem as esponjas-do-mar nos diferentes oceanos?
As esponjas ocupam praticamente todos os mares do planeta. Elas aparecem em zonas rasas e também em grandes profundidades. Vivem em recifes, em encostas rochosas e até em fundos lodosos. Aliás, cada ambiente favorece formatos e cores variados. Assim, surgem espécies em forma de barril, taça, esfera ou ramos irregulares.
Esses animais não se deslocam depois de fixados. Mesmo assim, interagem intensamente com o ambiente ao redor. Uma única esponja pode filtrar milhares de litros de água por dia. Com isso, ajuda a remover partículas suspensas e microrganismos. Portsnto, essa filtragem melhora a clareza da água e influencia cadeias alimentares locais.
Aliás, a reprodução também chama atenção. Muitas espécies liberam gametas na água. Outras combinam reprodução sexuada e brotamento. Assim, mantêm grande capacidade de regeneração. Se um fragmento permanece viável, ele origina um novo indivíduo. Esse recurso favorece a sobrevivência em ambientes instáveis.
Por que esponja do mar é vista como ancestral dos animais?
A simplicidade estrutural das esponjas atrai o interesse da biologia evolutiva. Esses organismos não possuem sistema nervoso. Também não formam órgãos definidos, como coração ou cérebro. Ainda assim, apresentam células especializadas. Cada tipo celular executa funções próprias. Esse arranjo oferece um modelo para estudar a transição entre vida unicelular e multicelular.
Estudos genéticos reforçam esse papel de ancestralidade. Pesquisadores comparam genes de esponjas com genes de outros animais. Eles encontram sequências relacionadas a processos de comunicação celular. Encontram também genes ligados à formação de tecidos. Portanto, concluem que muitos mecanismos complexos surgiram em organismos parecidos com as esponjas atuais.
Pistas químicas em rochas antigas apoiam essa hipótese. Marcas de moléculas típicas de esponjas aparecem em formações muito antigas. Essas assinaturas sugerem a presença do grupo antes de outros animais conhecidos. Assim, as esponjas atuam como uma janela para o passado remoto dos oceanos.
Qual a importância ecológica e científica das esponjas-do-mar?
Nos recifes, as esponjas competem por espaço com corais e algas. Elas ocupam fendas e superfícies livres. Ao mesmo tempo, fornecem abrigo para pequenos peixes, crustáceos e moluscos. Muitos animais usam as cavidades internas como refúgio temporário. Dessa forma, a esponja cria micro-hábitats dentro da própria estrutura.
Essas colônias também participam de ciclos de nutrientes. Elas capturam matéria orgânica dissolvida. Em seguida, liberam compostos que alimentam bactérias e outros organismos. Essa reciclagem sustenta a produtividade de recifes e áreas costeiras. Em alguns locais, a biomassa de esponjas atinge níveis elevados.
Outro ponto relevante envolve substâncias químicas. Diversas espécies produzem compostos com função de defesa. Esses elementos afastam predadores e inibem competidores. Pesquisadores estudam essas moléculas para uso farmacêutico. Alguns compostos demonstram potencial em pesquisas contra infecções. Outros entram em estudos de tratamentos oncológicos.
Esponjas do mar enfrentam ameaças nos oceanos atuais?
Apesar da longa história evolutiva, as esponjas encontram desafios contemporâneos. A poluição marinha altera a qualidade da água. O aumento da temperatura dos oceanos também afeta diversas espécies. Alguns estudos relatam branqueamento e mortalidade em determinadas regiões. Esses eventos lembram problemas observados em recifes de coral.
A pesca de arrasto provoca outro impacto. Quando redes raspam o fundo do mar, removem colônias inteiras. Em áreas profundas, a recuperação ocorre de forma lenta. Esses organismos crescem em ritmo reduzido. Portanto, a perda de grandes esponjas representa alteração duradoura no ecossistema.
Frente a esse cenário, programas de conservação incluem o grupo em avaliações ambientais. Pesquisadores monitoram a presença e a saúde das colônias. Assim, usam as esponjas como indicadores da qualidade dos habitats marinhos. A preservação dessas formas de vida ajuda a manter processos ecológicos essenciais.
O que a esponja do mar revela sobre a história da vida na Terra?
Quando cientistas analisam as esponjas, observam muito mais que um animal imóvel. Eles enxergam um registro vivo da origem do reino animal. Cada poro e cada célula ativa lembram adaptações de épocas remotas. A resistência demonstrada ao longo de centenas de milhões de anos mostra grande capacidade de ajuste.
Aliás, ao mesmo tempo, o grupo revela a fragilidade dos ecossistemas atuais. Mesmo organismos tão antigos dependem de equilíbrio ambiental. Mudanças rápidas na temperatura, na química da água e na estrutura do fundo marinho podem reduzir populações inteiras. Essa realidade reforça a importância de políticas de proteção dos oceanos.
As esponjas-do-mar, apontadas como o animal mais antigo do mundo ainda em atividade, conectam passado e presente. Elas ajudam a compreender o surgimento da vida complexa. Inclusive, também lembram que a história da Terra continua em curso. O futuro desse grupo depende das escolhas humanas em relação aos mares que cercam todos os continentes.