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Parar de usar Botox piora as rugas? Especialista esclarece

Dermatologista explica por que as linhas de expressão reaparecem após o fim do efeito da toxina botulínica e esclarece se existe o chamado efeito rebote

27 out 2026 - 11h46
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Resumo
Interromper o uso de Botox não piora as rugas nem causa efeito rebote. Segundo a dermatologista Joana Petito Magnavita, a impressão de agravamento ocorre pelo contraste com a pele paralisada e pelo envelhecimento natural contínuo, que reduz o colágeno independentemente do procedimento. Com o fim do efeito temporário, a movimentação muscular apenas retorna. Já opções como bioestimuladores tratam a firmeza, não substituindo a toxina, exigindo avaliação médica individual para cada queixa.

Quem já aplicou Botox pode perceber uma diferença significativa na aparência da pele quando o efeito do procedimento começa a passar. Depois de meses com a testa mais lisa e as linhas de expressão suavizadas, as marcas voltam a aparecer durante movimentos como sorrir ou levantar as sobrancelhas.

Lisa Kudrow, Juliana Paes e Nicole Kidman já comentaram publicamente suas experiências com Botox — Fotos: Reprodução/Instagram | @lisakudrow | @julianapaes | @nicolekidman
Lisa Kudrow, Juliana Paes e Nicole Kidman já comentaram publicamente suas experiências com Botox — Fotos: Reprodução/Instagram | @lisakudrow | @julianapaes | @nicolekidman
Foto: Alto Astral

Essa mudança costuma levantar uma dúvida: parar de aplicar Botox faz as rugas voltarem piores do que antes? Embora a impressão de piora seja comum, o retorno das marcas não significa, necessariamente, que a toxina botulínica tenha provocado um efeito rebote.

Segundo a dermatologista Joana Petito Magnavita (CRM 5287826-0), da Harmonize Gold, é importante considerar tanto o retorno dos movimentos musculares quanto o envelhecimento natural da pele para entender o que acontece após a interrupção das aplicações.

Parar de aplicar Botox piora as rugas?

A toxina botulínica atua reduzindo temporariamente a contração dos músculos responsáveis por determinadas expressões faciais. Com menos movimentação, a pele se dobra com menor frequência, o que ajuda a suavizar as linhas de expressão.

No entanto, esse efeito não é permanente. Conforme a ação da substância diminui, os músculos recuperam gradualmente sua movimentação e as marcas podem voltar a aparecer.

Isso não significa que as rugas estejam necessariamente mais profundas por causa da interrupção do tratamento. Muitas vezes, a sensação de piora está relacionada ao contraste entre a aparência da pele durante o efeito do Botox e depois que ele termina.

"Uma coisa é comparar o rosto com o resultado da última aplicação; outra é comparar com uma fotografia de cinco ou dez anos atrás. Nesse período, a pele também mudou. A toxina suaviza determinadas linhas, mas não suspende o envelhecimento", explica Joana.

A especialista destaca que é necessário diferenciar as marcas provocadas pelo retorno dos movimentos das alterações que aconteceram naturalmente na pele ao longo do tempo.

Por que as rugas parecem mais profundas depois do Botox?

Durante o período em que a toxina botulínica está agindo, movimentos como franzir a testa ou levantar as sobrancelhas ficam reduzidos nas regiões tratadas.

Quando a movimentação retorna, as linhas de expressão voltam a ficar visíveis. Para quem se acostumou com a aparência mais lisa, essa mudança pode parecer mais intensa.

Além disso, o envelhecimento da pele continua acontecendo durante o tratamento. Com o passar dos anos, alterações na produção e na organização do colágeno podem contribuir para a perda de firmeza e o aparecimento de marcas.

Por isso, comparar a aparência atual com uma fotografia tirada antes de várias aplicações pode trazer uma percepção diferente daquela obtida ao comparar o rosto com o resultado mais recente do procedimento.

Bioestimuladores de colágeno podem substituir o Botox?

Para quem deseja continuar cuidando da aparência da pele, mas prefere preservar os movimentos naturais do rosto, os bioestimuladores de colágeno podem ser considerados em determinadas situações.

Entretanto, os dois procedimentos possuem funções diferentes.

Enquanto a toxina botulínica atua sobre a contração muscular, os bioestimuladores procuram estimular a formação de novas fibras de colágeno, contribuindo gradualmente para a firmeza e a sustentação da pele.

"O colágeno participa da resistência e da sustentação do tecido. Com o envelhecimento, suas fibras passam por alterações de quantidade e organização, e a pele pode perder firmeza mesmo quando a movimentação muscular está controlada", afirma a dermatologista.

Segundo Joana, quem deixa de aplicar Botox e passa a considerar a bioestimulação está buscando um resultado diferente, que não depende da redução da movimentação muscular.

Por isso, os bioestimuladores não devem ser considerados substitutos diretos da toxina botulínica. A indicação depende das características da pele e dos objetivos de cada pessoa.

Como escolher o tratamento mais adequado para a pele?

Antes de decidir entre Botox, bioestimuladores ou outros procedimentos, é importante identificar qual característica da pele está causando incômodo.

As linhas que aparecem durante o sorriso, por exemplo, não são necessariamente tratadas da mesma maneira que rugas visíveis mesmo quando o rosto está em repouso. Da mesma forma, a perda de firmeza exige uma avaliação diferente.

"Uma pessoa pode querer preservar as linhas que aparecem ao sorrir e, ao mesmo tempo, tratar a perda de firmeza que percebe nas bochechas. Antes de escolher o procedimento, precisamos entender se a queixa é o movimento, uma marca que permanece em repouso ou a perda de sustentação", explica Joana.

A dermatologista também destaca a importância de acompanhar os resultados ao longo do tempo. Fotografias feitas com iluminação, posição e expressões semelhantes podem ajudar nessa comparação, evitando interpretações equivocadas sobre possíveis mudanças na pele.

Assim, interromper as aplicações de Botox não significa, por si só, que as rugas ficarão piores. O mais importante é compreender que o efeito da toxina é temporário e que o envelhecimento natural continua acontecendo, independentemente da realização de procedimentos estéticos.

A escolha de qualquer tratamento deve ser feita após avaliação individualizada com um profissional habilitado, considerando as necessidades, expectativas e características de cada paciente.

Alto Astral
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