Pai de Isabel Veloso acusa hospital de negligência após morte da filha: 'Queremos uma resposta'
Após a morte da influenciadora aos 19 anos, pai questiona a condução do tratamento e o hospital se posiciona sobre as complicações do transplante de medula óssea
A morte da influenciadora Isabel Veloso, aos 19 anos, no último sábado (10), abriu espaço para um debate delicado. Em nota enviada à Quem, Joelson Veloso, pai da jovem, acusou o Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, de negligência médica. Internada desde novembro, Isabel enfrentava complicações relacionadas ao transplante de medula.
A confirmação do falecimento veio inicialmente pelas redes sociais do marido, Lucas Borbas, e foi posteriormente confirmada à imprensa pelo pai da jovem, que fez duras críticas à condução do tratamento.
O desabafo de um pai em meio à dor
Em entrevista, Joelson afirmou que acredita ter havido falhas no acompanhamento médico, especialmente da equipe de hematologia. Em meio à comoção, ele declarou: "Houve uma negligência muito grande por parte da hematologia, nós queremos uma resposta. A Isabel tinha vida, lutou bravamente. O que eu mais ouvi foi: não tem jeito".
Horas antes da morte da filha, o pai já havia tornado pública sua preocupação, usando as redes sociais para pedir mais atenção ao caso. Em uma publicação emocionada, escreveu:
"Como pai da Isabel, venho expressar minha profunda preocupação com a condução do tratamento na UTI do Hospital Erasto Gaertner CURITIBA @hospitalerastogaertner. Apesar de todo esforço da equipe de cuidados intensivos, sentimos ausência de um acompanhamento mais atento por parte da hematologia, especialmente diante de um quadro tão delicado e instável. Isabel precisa de atenção integral e constante", falou.
"Ela é mais que um caso clínico: é uma jovem cheia de vida, fé e vontade de viver. Solicitamos providências urgentes e o devido comprometimento com sua recuperação. O silêncio diante da gravidade do quadro não pode ser uma opção. Seguimos confiando em Deus, mas também pedimos responsabilidade, respeito e humanidade. Como pai estou cansado de ouvir não tem jeito! NÃO VAMOS NOS CALAR", finalizou.
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A resposta do hospital
Diante das acusações, o Hospital Erasto Gaertner divulgou uma nota oficial lamentando a morte de Isabel e esclarecendo que o óbito ocorreu "em decorrência de complicações relacionadas ao transplante de medula óssea (TMO)", procedimento considerado de alto risco, especialmente em pacientes com histórico clínico delicado.
Segundo o comunicado, "a paciente encontrava-se em acompanhamento especializado e, nos últimos dias, apresentou piora clínica significativa associada a complicações inerentes ao procedimento de transplante, condição reconhecidamente complexa e de alto risco, mesmo quando realizada sob rigorosos protocolos assistenciais".
A instituição também negou qualquer tipo de negligência e afirmou que "durante todo o período de internação, a paciente recebeu assistência integral, contínua e humanizada, com atuação multiprofissional e acompanhamento permanente das equipes de Hematologia, Medicina Intensiva, Infectologia, Enfermagem e demais especialidades envolvidas".
No encerramento da nota, o hospital reforçou "seu compromisso histórico com a excelência no cuidado oncológico, com a segurança do paciente e com a atuação ética, técnica e responsável em procedimentos de alta complexidade, como o transplante de medula óssea".
Uma história acompanhada de perto pelo público
Isabel Veloso ganhou visibilidade nacional ao compartilhar, de forma aberta e sensível, sua rotina como paciente oncológica. Diagnosticada ainda na adolescência, ela dividiu nas redes sociais não apenas os desafios do tratamento, mas também reflexões sobre fé, amor, maternidade e finitude. A jovem deixa o marido, Lucas Borbas, e o filho Arthur, de apenas 11 meses. Ao se despedir da companheira, Lucas escreveu: "A Isabel partiu, e com ela vai uma parte de mim. Mas o amor… o amor não morre".
Entre a medicina e o luto
O caso de Isabel reacende discussões importantes sobre comunicação médica, cuidados paliativos, escuta ativa e o impacto emocional vivido pelas famílias diante de doenças graves. Em situações de alto risco, onde a medicina encontra seus limites, o acolhimento e a clareza tornam-se tão essenciais quanto os procedimentos técnicos. A trajetória de Isabel permanece como um símbolo de coragem - e sua história segue provocando reflexões profundas sobre vida, cuidado e humanidade.