Neurologista: o cérebro também depende da sua massa muscular
Massa muscular e cérebro estão mais conectados do que muita gente imagina. Veja por que fortalecer o corpo pode fazer diferença.
Cérebro saudável é causa e consequência de um corpo forte. Massa muscular não é luxo estético, é necessidade metabólica.
Para que o nosso cérebro funcione em sua melhor performance, tanto do ponto de vista da produtividade quanto do bem-estar e da regulação emocional, o nosso corpo também precisa funcionar bem.
Hoje sabemos que o músculo faz muito mais do que permitir movimentos. Quando ele se contrai durante exercícios de força, libera substâncias que se comunicam com o cérebro e ajudam a estimular mecanismos importantes para a memória, o aprendizado e a capacidade de adaptação do sistema nervoso.
Esse é um dos caminhos pelos quais a atividade muscular pode favorecer um cérebro mais saudável.
Essa relação também passa pelo metabolismo.
A massa muscular ajuda o organismo a utilizar melhor a glicose e a manter uma boa resposta à insulina, favorecendo o equilíbrio do corpo como um todo.
Além disso, músculos ativos produzem substâncias que ajudam a modular processos inflamatórios, enquanto o excesso de gordura visceral contribui para um estado de inflamação crônica que também pode afetar a saúde cerebral.
Massa muscular e cérebro: uma relação que a ciência vem confirmando
Para que o nosso corpo funcione de maneira saudável, prevenindo osteoporose e doenças cardiovasculares, a gente precisa de massa muscular.
Mas os benefícios não param por aí.
Estudos mostram que preservar massa e força muscular também está associado à manutenção da capacidade funcional e a um menor risco de declínio cognitivo ao longo do envelhecimento.
Isso não significa que ganhar massa muscular reverta quadros de demência já estabelecidos.
O que as evidências apontam é que ela pode contribuir para a prevenção, retardar o declínio cognitivo e ajudar a preservar a chamada reserva cognitiva, que é a capacidade do cérebro de lidar melhor com os efeitos do envelhecimento.
Existe ainda um aspecto que considero fundamental: autonomia.
Quando preservamos força muscular, preservamos também a capacidade de realizar as atividades do dia a dia, de manter uma vida social ativa e de continuar fazendo escolhas com independência. E tudo isso também contribui para o bem-estar e para a saúde do cérebro.
Mais importante do que o peso na balança
A gente vem vivendo uma tendência progressiva de estímulo ao emagrecimento. E, claro, é importante a gente manter um peso saudável.
Mas a nossa constituição e a nossa composição corporal são mais importantes do que o número que a gente está vendo na balança.
Por isso, focar e colocar energia na construção e na preservação da massa muscular talvez seja uma das atitudes mais importantes que podemos tomar pensando na saúde a longo prazo.
Mas, acima de tudo, é uma forma de viver melhor o presente.
Ter força significa viver com mais autonomia, mais regulação, mais bem-estar e mais liberdade para fazer aquilo que dá sentido à nossa vida.
No fim das contas, força não é um luxo estético. É um investimento na saúde do corpo, do cérebro e na qualidade de vida.
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