Multimorbidade atinge 22,6% dos trabalhadores no Brasil, aponta estudo
Pesquisa baseada em dados da PNS mostra que mulheres, pessoas com mais de 30 anos e moradores de áreas urbanas concentram maior presença de duas ou mais doenças crônicas.
Estudo com dados de 2019 revela que 22,6% dos trabalhadores brasileiros convivem com multimorbidade, sendo mais prevalente entre mulheres, pessoas acima de 30 anos, moradores de áreas urbanas e populações com menor escolaridade.
Mais de um quinto da população brasileira empregada, cerca de 22,6%, convive com a multimorbidade - a presença de duas ou mais doenças crônicas simultaneamente. É o que revela um estudo recente que analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, destacando quais grupos são os mais afetados por essa condição, que impacta a saúde e a produtividade no país.
O levantamento analisou informações de 52.475 indivíduos com 18 anos ou mais que declararam estar ocupados no período de referência da pesquisa, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde. Do total de trabalhadores entrevistados, 11.638 relataram diagnóstico médico de duas ou mais doenças crônicas não transmissíveis.
Quais são as doenças crônicas mais comuns entre os trabalhadores?
A hipertensão arterial e os problemas crônicos de coluna lideram as ocorrências de saúde entre os trabalhadores brasileiros, com prevalência de 19,3% e 19%, respectivamente, seguidos pela hipercolesterolemia (13,2%), depressão (7,7%) e diabetes (5,4%).
Quais grupos populacionais apresentam maior prevalência?
A multimorbidade afeta com maior intensidade as mulheres; aqueles com 30 anos ou mais; menor escolaridade; de raça/cor autodeclarada como branca e de residentes da zona urbana.
A prevalência entre as mulheres foi de 29%, enquanto entre os homens o índice ficou em 17,4%. Em relação à faixa etária, observou-se um aumento progressivo com a idade: 8,9% entre 18 e 29 anos, 14,7% de 30 a 39 anos, 30,2% de 40 a 59 anos e 46,8% no grupo de 60 anos ou mais.
Trabalhadores residentes em áreas urbanas registraram prevalência de 23%, em comparação com 19,6% nas áreas rurais. No quesito escolaridade, pessoas sem instrução ou com ensino médio incompleto apresentaram taxa de 25,5%, ante 20,6% daqueles com ensino médio completo ou ensino superior.
Como hábitos de vida e trabalho influenciam a multimorbidade?
Inatividade física, elevado tempo de tela no lazer e consumo episódico excessivo de álcool relacionam-se diretamente com a presença simultânea de condições crônicas, somando-se a estressores do ambiente de trabalho.
Do total de entrevistados empregados, 27,6% foram identificados como fisicamente inativos, 35% passavam três horas ou mais por dia em frente a telas durante o tempo de lazer e 22,1% relataram consumo de cinco ou mais doses de bebida alcoólica em uma única ocasião ocorrida nos 30 dias anteriores à pesquisa.
Fatores como longas jornadas, estresse, pressão por produtividade e rotinas rígidas atuam como obstáculos para a prática regular de exercícios e dificultam o acompanhamento médico preventivo.
Qual é o impacto da multimorbidade na produtividade e nos serviços de saúde?
A coexistência de duas ou mais doenças reduz o desempenho profissional, aumenta os índices de absenteísmo e eleva os riscos de afastamento do trabalho e aposentadoria precoce por incapacidade.
Além do impacto produtivo, a multimorbidade intensifica a demanda por consultas médicas, exames e internações, onerando o sistema público de saúde e a previdência social.
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