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Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos têm maior risco de doenças cardíacas, diz estudo

Pesquisa reforça que a SOMP, novo nome da antiga síndrome dos ovários policísticos, vai muito além da saúde reprodutiva e exige atenção também ao coração

22 jul 2026 - 19h13
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Conhecida por provocar alterações menstruais, acne e dificuldade para engravidar, a antiga síndrome dos ovários policísticos (SOP) passou recentemente a ser chamada de síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP). A mudança de nome reflete uma compreensão mais ampla da condição, que não afeta apenas os ovários, mas todo o organismo. Agora, uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women's Health reforça essa visão ao mostrar que mulheres com SOMP apresentam um risco significativamente maior de desenvolver doenças cardiovasculares.

Estudo mostra que mulheres com SOMP, novo nome da síndrome dos ovários policísticos, têm maior risco de doenças cardiovasculares; entenda
Estudo mostra que mulheres com SOMP, novo nome da síndrome dos ovários policísticos, têm maior risco de doenças cardiovasculares; entenda
Foto: Reprodução: Canva/sasirin pamai's Images / Bons Fluidos

O estudo analisou dados de mais de dois milhões de mulheres e concluiu que a síndrome está associada a um aumento importante nas chances de problemas como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças que comprometem a circulação sanguínea.

Risco para o coração merece atenção

Segundo os pesquisadores, mulheres diagnosticadas com SOMP têm cerca de quatro vezes mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares ateroscleróticas. Além disso, apresentaram uma probabilidade 2,5 vezes maior de sofrer infarto ou AVC e um risco 3,4 vezes superior de ter um ataque isquêmico transitório (AIT), considerado um importante sinal de alerta para um AVC. Outro dado observado foi o aumento da ocorrência de doença arterial periférica, caracterizada pelo estreitamento das artérias, principalmente nas pernas.

Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos cientistas foi que essa associação permaneceu mesmo após considerar fatores como hipertensão, diabetes e colesterol elevado. Ou seja, a própria síndrome parece representar um fator de risco independente para problemas cardiovasculares.

A pesquisadora principal do estudo, Anuja Dokras, destaca que a antiga nomenclatura não refletia a complexidade da condição."Pessoas com SOMP têm um aumento de folículos que podem se assemelhar a cistos. Embora o termo policístico fosse inadequado, os efeitos da SOMP vão muito além da saúde ginecológica, como demonstramos em nossa nova pesquisa. O próprio novo nome sinaliza o impacto de múltiplos hormônios do sistema endócrino, e esperamos que permita aos médicos oferecer um atendimento mais abrangente."

Por que a síndrome mudou de nome?

A alteração da nomenclatura foi anunciada neste ano após um consenso internacional envolvendo dezenas de organizações científicas, profissionais da saúde e pacientes. O objetivo foi tornar o diagnóstico mais preciso e destacar que a síndrome envolve alterações hormonais e metabólicas que vão além da presença de múltiplos folículos nos ovários.

Especialistas explicam que muitas mulheres podem apresentar ovários com aspecto policístico ao ultrassom sem necessariamente terem a síndrome. Por outro lado, pessoas com SOMP nem sempre apresentam esse achado no exame.

Além disso, estima-se que uma parcela significativa das mulheres afetadas ainda permaneça sem diagnóstico, o que pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de complicações.

Quais são os principais sintomas?

A SOMP costuma surgir ainda na adolescência, pouco tempo após as primeiras menstruações, embora os sintomas possam variar ao longo da vida. Entre as manifestações mais frequentes, estão:

  • Ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação;
  • Aumento de pelos no rosto e no corpo (hirsutismo);
  • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;

Nem todas as mulheres apresentam os mesmos sintomas, o que reforça a importância da avaliação médica para um diagnóstico correto.

Tratamento vai além do controle dos sintomas

O acompanhamento da SOMP busca não apenas aliviar manifestações como acne, irregularidade menstrual e alterações hormonais, mas também reduzir o risco de complicações metabólicas e cardiovasculares ao longo da vida.

Por isso, além dos medicamentos indicados de forma individualizada, especialistas costumam orientar mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso e acompanhamento periódico da pressão arterial, colesterol e glicemia. Esses cuidados ajudam não apenas a controlar a síndrome, mas também a proteger a saúde do coração de doenças e promover mais qualidade de vida.

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