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Mulher que nasceu sem útero engravida após receber transplante da irmã; entenda o caso

A britânica descobriu a síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser na adolescência e hoje vive uma gestação de 26 semanas sob acompanhamento médico

18 ago 2026 - 16h40
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Descobrir aos 15 anos que havia nascido sem útero em decorrência da síndrome Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH) foi, para Lauren Fowler, "como uma bomba explodindo nos seus planos". Hoje, após receber o órgão doado pela irmã em um transplante no Reino Unido, ela vive o que acreditava ser impossível: está grávida e espera o primeiro filho.

A britânica recebeu o útero transplantado ao participar de um estudo que avalia a segurança da técnica e, hoje, está grávida de 26 semanas
A britânica recebeu o útero transplantado ao participar de um estudo que avalia a segurança da técnica e, hoje, está grávida de 26 semanas
Foto: Reprodução/Youtube / Bons Fluidos

A gestação chegou às 26 semanas e deve resultar no nascimento de um menino, previsto para outubro. A história foi contada por ela e pela irmã, Kelly Jagga, durante participação no programa britânico 'This Morning', da ITV.

Transplante de útero mudou tudo

Lauren possui a forma tipo 1 da síndrome MRKH, uma condição congênita rara que afeta o desenvolvimento do aparelho reprodutor. Ela nasceu sem útero, colo do útero e parte superior da vagina, mas mantém os ovários e as trompas de Falópio funcionais.

A ausência do útero impedia que Lauren menstruasse e também impossibilitava uma gestação. Anos depois do diagnóstico, porém, ela descobriu que o transplante poderia abrir uma nova possibilidade. Em 2010, Lauren procurou a organização britânica Womb Transplant UK, que estudava a técnica.

No momento em que o programa passou a avaliar mulheres que poderiam receber órgãos de doadoras vivas, então, ela conversou com Kelly, sua única irmã. A familiar já era mãe de três filhos e havia decidido que poderia doar o útero. O transplante aconteceu em 11 de maio de 2025, em uma cirurgia que durou cerca de 11 horas.

Recuperação foi marcada por complicação grave

A recuperação após o transplante exigiu mais tempo do que Lauren esperava. O procedimento foi bem-sucedido, mas uma complicação intestinal a levou novamente ao hospital e exigiu novas intervenções cirúrgicas. O período também envolveu transfusões de sangue e uma perda significativa de peso.

"Eu poderia passar pelo transplante novamente várias vezes, mas aquela obstrução intestinal quase acabou comigo", relatou Lauren durante a participação no programa.

Depois de superar essa fase, o novo útero começou a cumprir uma função que Lauren nunca havia experimentado. Ela passou a menstruar pela primeira vez, embora os ciclos iniciais tenham sido bastante intensos. Em uma ocasião, o sangramento chegou a provocar um desmaio.

Gravidez começou após fertilização in vitro

Com a recuperação em andamento, Lauren e seu noivo partiram para uma nova etapa: tentar a gestação por meio da fertilização in vitro (FIV). Os embriões já estavam disponíveis antes do transplante, uma estratégia necessária porque Lauren precisaria usar medicamentos para reduzir o risco de rejeição do órgão.

A primeira transferência não resultou em uma gestação duradoura. Na segunda tentativa, um sangramento no início da gravidez voltou a provocar apreensão. Entretanto, ela conseguiu chegar às 26 semanas e hoje acompanha de perto o desenvolvimento do bebê. Por se tratar de uma gestação de alto risco, a britânica realiza avaliações médicas frequentes.

A experiência de Lauren integra um número ainda pequeno, mas relevante, de casos de transplante de útero com gravidez bem-sucedida no Reino Unido. O procedimento faz parte de uma pesquisa que busca avaliar a segurança da técnica e estudar a ampliação do seu acesso pelo sistema público de saúde britânico.

Bons Fluidos
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