Menopausa sem tabu: o que pode mudar na rotina para atravessar essa fase com mais qualidade de vida?
O ginecologista Waldir Moreno Arevalo explica dúvidas sobre hormônios, libido, corpo, sono e os cuidados que podem fazer diferença durante a maturidade
A menopausa traz alterações físicas e emocionais que não precisam ser toleradas sem auxílio. A terapia hormonal, quando indicada individualmente e iniciada no período ideal, mostra-se segura e vantajosa. Aliada a exercícios de força, nutrição equilibrada e cuidados específicos para a saúde sexual, a mulher pode preservar a massa muscular, aliviar desconfortos e proteger o bem-estar. Com acompanhamento médico e informação, essa fase pode ser vivida com autonomia e qualidade de vida.
A menopausa representa uma nova etapa na vida da mulher, marcada por mudanças que podem afetar tanto o corpo quanto o bem-estar emocional. Alterações no sono, na libido, na memória e na composição corporal estão entre as questões que costumam gerar dúvidas e preocupações. Segundo o ginecologista Waldir Moreno Arevalo, membro da Sociedade Brasileira de Climatério e autor do livro "Descomplicando a menopausa", a falta de informação ainda contribui para que muitas mulheres encarem esses sintomas como algo que simplesmente precisam suportar.
Terapia hormonal aumenta o risco de câncer?
Uma das principais dúvidas envolve a terapia hormonal. De acordo com Arevalo, revisões posteriores do estudo WHI mostraram que os resultados divulgados inicialmente precisavam ser analisados com mais cuidado, especialmente porque a pesquisa incluía mulheres mais velhas e com diferentes condições de saúde. O médico também destaca que os protocolos atuais podem utilizar formulações diferentes das empregadas nos estudos antigos. Ainda assim, a indicação precisa considerar o histórico e as características de cada paciente, com acompanhamento médico individualizado.
A mudança no corpo é inevitável?
Durante a menopausa, a redução do estrogênio pode contribuir para alterações na distribuição de gordura e para a perda de massa muscular. Por isso, algumas mulheres percebem aumento da gordura abdominal e mudanças no contorno corporal. No entanto, o ginecologista aponta a musculação e outros exercícios de força como aliados importantes nesse período. Associada ao acompanhamento adequado, a prática pode ajudar na manutenção da musculatura, da postura e da composição corporal.
E a libido e a vida sexual?
Ressecamento e redução da elasticidade da região íntima podem provocar desconforto ou dor durante as relações. Para Arevalo, entretanto, essas alterações não precisam ser encaradas como consequências inevitáveis do envelhecimento. Existem estratégias de tratamento que podem auxiliar nesses casos, incluindo terapias locais, fisioterapia pélvica e abordagens hormonais específicas. A escolha depende das necessidades de cada mulher e deve contar com avaliação profissional.
Existe um momento mais adequado para iniciar o tratamento?
Outro ponto destacado pelo médico é a chamada "janela de oportunidade" para a terapia hormonal. Segundo ele, o início do tratamento nos primeiros anos após a menopausa pode apresentar vantagens para a saúde cardiovascular. A recomendação, porém, não significa que toda mulher deva utilizar hormônios. A decisão precisa considerar idade, tempo desde a menopausa, sintomas, histórico de saúde e possíveis contraindicações.
Pele e cabelos também mudam
A queda dos níveis hormonais pode aparecer ainda na pele, nas unhas e nos cabelos. Nesse período, algumas mulheres percebem redução da hidratação e da elasticidade da pele, além de mudanças na espessura e no volume dos fios. De acordo com Arevalo, o cuidado nessa fase pode envolver tratamento hormonal quando houver indicação, além de atenção à alimentação e aos nutrientes. O acompanhamento individual continua sendo importante para definir quais medidas realmente fazem sentido.
Exercício e alimentação também entram no cuidado
A prática regular de atividade física pode ajudar a lidar com diferentes mudanças associadas à menopausa. Caminhada, musculação, dança e esportes aquáticos estão entre os exemplos citados pelo ginecologista. Além do exercício, uma alimentação equilibrada pode contribuir para a manutenção da energia e do bem-estar. Dessa forma, cuidar da menopausa não precisa se resumir ao controle dos sintomas: hábitos cotidianos, acompanhamento médico e informação também fazem parte dessa etapa. Além disso, mais do que aceitar desconfortos como inevitáveis, a proposta é entender o que está acontecendo no organismo e buscar alternativas adequadas para cada caso. Assim, a maturidade pode ser vivida com mais informação, autonomia e qualidade de vida.
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