Líquens vulvares: o que toda mulher precisa saber
Especialista alerta que essa é uma das condições pode evoluir para câncer de vulva
A doença dermatológica acomete a região íntima feminina, mas ainda é pouco conhecida
Os líquens vulvares são doenças dermatológicas que acometem a região íntima feminina e ainda geram dúvidas entre muitas mulheres. De acordo com a ginecologista Adriana Bittencourt Campaner, presidente da Comissão Nacional Especializada em Trato Genital Inferior da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), essas condições podem impactar significativamente a qualidade de vida, principalmente quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente.
De forma geral, os líquens são divididos em três tipos principais: líquen escleroso, líquen plano e líquen simples crônico. Apesar de afetarem a mesma região, cada um possui características, causas e evoluções distintas.
Os tipos de líquens vulvares
O líquen simples crônico é, na maioria das vezes, uma resposta da pele a um processo irritativo ou alérgico. A coceira persistente leva ao espessamento da pele da vulva, formando placas mais endurecidas. "É uma condição geralmente associada ao hábito de coçar excessivamente. O tratamento consiste em eliminar o agente causador, além do uso de pomadas com corticoides e, em alguns casos, antialérgicos orais. É uma condição curável", explica a especialista.
Já o líquen escleroso é uma doença de origem autoimune e o tipo mais comum nos consultórios ginecológicos, especialmente em mulheres no período pós-menopausa. Ele se manifesta por manchas brancas, geralmente bilaterais e simétricas, podendo causar afinamento ou espessamento da pele, fissuras e coceira intensa. "Embora não tenha cura, o líquen escleroso pode ser controlado com o uso de corticoides de alta potência, inicialmente em maior frequência e depois de forma contínua, com aplicações semanais", destaca Adriana.
O líquen plano, por sua vez, é mais raro na vulva e também tem origem autoimune. Ele se apresenta como manchas arroxeadas que podem coçar e, em alguns casos, evoluir para a forma erosiva, acometendo a mucosa vaginal e até a mucosa oral. Essa forma pode causar desconforto importante, além de secreções, aderências e maior risco de infecções.
Complicações e orientações
Entre as possíveis complicações, a principal preocupação está relacionada ao líquen escleroso. Quando não tratado ou mal controlado, ele pode evoluir para câncer de vulva. O risco estimado é de cerca de 5%, especialmente em pacientes que mantêm sintomas persistentes e não realizam acompanhamento médico adequado. No líquen plano, embora o risco de transformação maligna seja considerado baixo, ele também existe, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo.
Diante de qualquer sintoma, como coceira persistente, alterações na coloração da pele ou surgimento de manchas na região íntima, a orientação é procurar avaliação ginecológica. O diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais para controlar a doença, evitar complicações e preservar a saúde íntima da mulher.
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