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Lancheira escolar: os erros que os pais cometem sem perceber

Nutricionista explica os deslizes mais comuns na hora de montar a lancheira e como garantir mais saciedade, energia e variedade na alimentação das crianças

30 jul 2026 - 15h10
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Sempre que as aulas voltam, surgem as mesmas dúvidas entre os pais: o que colocar na lancheira? Quanto mandar? Qual é a melhor opção para a criança não ficar com fome e manter energia até a hora da próxima refeição? Esse esforço é legítimo e, muitas vezes, feito com carinho. Porém, existe um ponto que pega muitos pais de surpresa: mesmo quando a intenção é ótima, alguns "erros comuns" acontecem sem que ninguém perceba - e podem afetar desde a saciedade até o desempenho e a saúde ao longo da rotina escolar.

Veja erros comuns ao montar a lancheira escolar e como preparar lanches mais equilibrados, nutritivos e adequados para a rotina das crianças
Veja erros comuns ao montar a lancheira escolar e como preparar lanches mais equilibrados, nutritivos e adequados para a rotina das crianças
Foto: Reprodução: Antoni Shkraba/Pexels / Bons Fluidos

Erros frequentes ao montar a lancheira infantil

1. Lanches que garantem "picos de energia"

Um erro frequente começa com a ideia de que "lanche" é sinônimo de "energia imediata". Na prática, muitos pais acabam priorizando alimentos que saciam por pouco tempo, como biscoitos recheados, sucos adoçados, bebidas industrializadas, salgadinhos e doces. Eles até podem dar disposição no começo do intervalo, mas geralmente vêm com muita carga de açúcar e/ou sódio, e pouco valor nutritivo. O resultado pode ser uma criança com picos de energia e, depois, queda: fome mais cedo, irritação e mais vontade de beliscar ao longo do dia.

2. Bebidas com muito açúcar

Outro deslize bastante comum é o excesso de bebidas açucaradas "disfarçadas" de opção. Muitos pais preparam um suco "natural" ou escolhem alternativas "de fruta", mas acabam adoçando sem querer, ou mandam porções grandes. O problema é que, mesmo quando a origem é fruta, a forma líquida tende a ser menos saciante do que a fruta inteira, e pode contribuir para um maior consumo de açúcar ao longo do tempo. Além disso, hábitos de consumo de bebidas doces tendem a se consolidar: a criança passa a esperar esse sabor e fica mais difícil aceitar opções naturais.

3. Muita caloria, pouca nutrição

Também é comum a lancheira virar uma espécie de "tampa de emergência". Quando a criança diz que está com fome, o pai ou a mãe tenta resolver na hora com algo rápido e prático. Só que, com o passar dos dias, a lancheira pode se transformar em excesso de calorias e pouca estrutura: ao invés de ajudar a construir uma rotina alimentar equilibrada, ela passa a funcionar como resposta a sinais pontuais. Assim, a criança aprende que lanche é "compensação", não parte de um planejamento alimentar consistente.

4. Repetir os mesmos alimentos todos os dias

A praticidade, embora necessária, pode virar outro erro silencioso, como colocar sempre os mesmos itens - os "de sempre", porque não dão trabalho - o que pode reduzir a variedade de nutrientes. A criança começa a repetir sabores e texturas, e isso dificulta a aceitação de novos alimentos. Pior: quando há repetição sem planejamento, os lanches podem ficar desequilibrados, com pouca oferta de fibras e proteínas, que ajudam a manter a saciedade. Uma alimentação repetitiva e pobre em variedade não alimenta apenas o corpo, alimenta também hábitos.

5. Lanches grandes ou pequenos demais

Há ainda um ponto negligenciado: a lancheira precisa considerar o "tempo" do intervalo escolar. Muitos pais pensam apenas no que a criança "come" durante o período, mas esquecem que a criança precisa sustentar o corpo por algumas horas. Quando o lanche é muito pequeno, ou quando é composto quase só por carboidratos simples, a fome chega rápido. Quando o lanche é grande demais e muito pesado, pode dar desconforto e reduzir disposição. O equilíbrio é mais importante do que a "quantidade" isolada.

6. Alimentos usados como "recompensa"

Aqui, vale ressaltar um erro especialmente sensível, que é quando a lancheira vira promessa de recompensa. Usar biscoitos, chocolates ou doces como forma de incentivar o comportamento ("se você se comportar, ganha") pode consolidar uma relação emocional com o alimento. Nessa dinâmica, o lanche deixa de ser uma necessidade nutricional e passa a ser um prêmio. Com o tempo, isso pode aumentar a chance de a criança querer comer por emoção - e não por fome - e pode dificultar a construção de escolhas mais saudáveis.

7. Não levar em conta os alimentos da escola

Por fim, existe o erro que parece "pequeno", mas se repete: esquecer de verificar o que já vem pronto na rotina da escola. Muitas crianças já recebem algum tipo de oferta na cantina, em atividades ou em comemorações. Se os pais não consideram isso, a criança pode consumir mais açúcar e ultraprocessados do que imagina, mesmo tendo uma lancheira "bem montada". O ideal é alinhar conversa com a criança e, quando possível, entender o contexto da escola para evitar duplicidade de escolhas pouco nutritivas.

Como garantir uma boa lancheira?

A boa notícia é que ajustar a lancheira não precisa ser difícil. O caminho mais seguro costuma incluir: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, oferecer variedade ao longo da semana e montar lanches que combinem energia com nutrientes que sustentam (como fibras e proteínas).

Também ajuda pensar em porções adequadas ao apetite da criança e manter bebidas sem excesso de açúcar, favorecendo opções mais naturais. Em caso de dúvidas importantes sobre necessidades específicas, como alergias, sensibilidade gastrointestinal, anemia, sobrepeso ou dificuldades para ganhar peso, vale considerar a orientação de um nutricionista.

A lancheira escolar é um cuidado diário com enorme potencial. E, justamente por acontecer todos os dias, os detalhes importam. Quando pais conseguem enxergar os erros que se repetem "sem perceber", a lancheira se torna uma ferramenta real de saúde, energia e bem-estar durante a rotina escolar.

Sobre a autora

Ana Camila Mininel Liberador é nutricionista clínica e esportiva, membro da American Nutrition Association (ANA), da American Society of Nutrition (ASN) e da Academy of Nutrition and Dietetics.

*Fonte: Mariana Seman - Dampress Comunicação

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