Kate Middleton escala montanhas após remissão do câncer e dá lição de superação
Dezoito meses após vencer a doença, a princesa de Gales escalou os três picos mais altos do Reino Unido e reacendeu o debate sobre o papel dos exercícios na recuperação
A realeza britânica acaba de protagonizar um feito que mistura superação física, resiliência e ciência médica. Dezoito meses após entrar em remissão do câncer, a princesa de Gales, Kate Middleton, surpreendeu o mundo ao concluir o tradicional desafio National Three Peaks. A prova consiste em escalar as montanhas mais altas da Escócia, Inglaterra e País de Gales em menos de 24 horas.
Muito além do esporte, a ação teve um propósito nobre: arrecadar fundos para o hospital The Royal Marsden — instituição fundada em 1851 e pioneira no tratamento oncológico mundial —, onde a própria princesa se tratou. Em suma, o objetivo foi lançar luz sobre a importância do cuidado integral na oncologia.
Ao refletir sobre a conquista em suas redes sociais, Kate revelou que enxergou o desafio como uma oportunidade de "explorar a vida além do diagnóstico". Segundo ela, a doença "não afeta apenas o corpo", mas transforma profundamente a forma como as pessoas pensam, sentem e vivem.
O exercício físico como parte da receita médica
Embora a escalada impressione pela alta exigência física, médicos e terapeutas reforçam que a verdadeira mensagem é outra. O foco central deve ser a manutenção de uma vida ativa durante e após o tratamento contra o câncer, desde que haja monitoramento profissional.
De acordo com o que a fisioterapeuta Tania Tonezzer, especialista em oncologia e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer (IVC), disse ao jornal 'Estadão', o movimento humano mudou de patamar na medicina moderna.
"O gesto de Kate Middleton não é um ponto fora da curva. Ele é, hoje, o padrão-ouro do cuidado oncológico. A incorporação do autocuidado e do exercício físico regular, sempre supervisionado, personalizado e seguro, já é parte oficial do tratamento, não um complemento opcional", defende a especialista.
Nesse sentido, a ciência respalda essa visão. Pesquisas recentes apresentadas na Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) comprovam que a atividade física reduz a fadiga, combate a ansiedade e melhora consideravelmente a disposição durante sessões de quimioterapia e radioterapia.
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Como deve ser a retomada após a remissão?
Por outro lado, receber a notícia da remissão não significa que o paciente deve adotar uma rotina intensa de forma imediata. Pelo contrário, o retorno precisa ser gradual e altamente individualizado.
Instituições de peso como o American College of Sports Medicine (ACSM) e, no Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), recomendam diretrizes bem específicas:
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Atividade aeróbica: Cerca de 20 a 30 minutos, praticados três vezes por semana;
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Exercícios de força: Realizados de uma a três vezes por semana;
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Ponto de partida ideal: A caminhada surge como a modalidade mais segura e estudada. Estudos apontam que caminhar regularmente após o diagnóstico reduz drasticamente a fadiga a longo prazo.
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Mitos do repouso absoluto: quando é hora de parar?
Contrariando o antigo senso comum de que o paciente com câncer deve ficar em repouso absoluto, os especialistas alertam que a inatividade prolongada costuma agravar a perda de força muscular e o cansaço crônico.
Contudo, existem janelas clínicas específicas em que o exercício físico deve ser pausado temporariamente para a segurança do paciente. As principais contraindicações temporárias são:
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Anemia importante;
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Quadros de febre ou infecção ativa;
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Queda acentuada na imunidade;
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Metástases ósseas com risco iminente de fratura;
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Pós-operatório recente sem a devida liberação da equipe médica.
Diante de qualquer um desses sintomas, o protocolo correto é interromper as atividades imediatamente e reavaliar as condições clínicas junto aos médicos responsáveis antes de retomar os treinos.
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