Influenciadora de 11 anos traduz músicas em Libras para surdos
Após perceber que não conseguia se comunicar com um vizinho surdo, menina de 11 anos começou a estudar Libras sozinha e hoje compartilha traduções nas redes sociais
Aos 11 anos, a estudante Ana Melyssa descobriu que pequenos encontros do cotidiano podem transformar completamente a forma como enxergamos o mundo. Moradora de Piripiri, no Norte do Piauí, ela começou a aprender Língua Brasileira de Sinais (Libras) sozinha após perceber que não conseguia se comunicar com um vizinho surdo. O que começou como uma curiosidade virou um processo de aprendizado constante - e também uma forma de inclusão.
Hoje, Ana publica vídeos nas redes sociais traduzindo músicas, poemas e mensagens em Libras, com o objetivo de aproximar ainda mais pessoas da comunidade surda. Mesmo sendo ouvinte, ela afirma que sonha em seguir na área e se tornar intérprete no futuro.
Tudo começou com um "boa noite"
Segundo a mãe da menina, Leiliane Melyssa, o interesse surgiu em uma situação simples, mas marcante. Ana viu um vizinho surdo cumprimentá-la, mas percebeu que não sabia como responder. "Foi a partir do momento que ela viu o rapaz que é surdo desejar boa noite e ela não saber responder. Daí, ela foi ver os vídeos de como se comunicar com ele", contou ao G1.
A partir dali, a menina começou a buscar conteúdos na internet para aprender os sinais básicos. Sem fazer cursos formais inicialmente, ela passou a estudar sozinha por meio de vídeos, observando movimentos, repetindo gestos e praticando sempre que possível.
O aprendizado aconteceu de maneira espontânea, impulsionado mais pela vontade de se conectar com o outro do que por obrigação escolar ou profissional.
O poder da inclusão na prática
Com o passar do tempo, o interesse pela Libras deixou de ser apenas uma curiosidade e se transformou em parte da rotina da estudante. Há cerca de um mês, Ana começou a frequentar a Associação dos Surdos de Piripiri (Aspiri), espaço onde passou a conviver diretamente com pessoas surdas e intérpretes.
Segundo o presidente da associação, Adonilson Gomes, a evolução da menina vem acontecendo principalmente por meio da convivência diária. "A Melyssa começou a participar agora em abril. Ela aprende com o contato direto com os surdos", explicou. O próprio vizinho que despertou seu interesse pela Libras também participa das atividades da associação, fortalecendo ainda mais essa troca.
Especialistas em educação inclusiva costumam destacar que o contato direto com diferentes formas de comunicação ajuda não apenas no aprendizado técnico da língua, mas também no desenvolvimento de empatia, escuta e sensibilidade social.
Redes sociais como ferramenta de acessibilidade
Além das atividades presenciais, Ana também passou a usar as redes sociais para compartilhar o que aprende. Em vídeos curtos e simples, ela traduz músicas, poemas e frases do cotidiano para Libras, tornando os conteúdos populares mais acessíveis para pessoas surdas.
A iniciativa chamou atenção justamente pela naturalidade e pelo propósito de inclusão. Em vez de transformar o aprendizado em performance, a estudante utiliza as plataformas digitais como uma ponte de comunicação.
Na escola, ela também já participou de apresentações como intérprete. Em um dos vídeos publicados, aparece traduzindo um poema durante um evento realizado na Unidade Escolar Padre Freitas.
Libras vai muito além da tradução
Embora muitas pessoas enxerguem a Libras apenas como um conjunto de gestos ou sinais, ela é oficialmente reconhecida no Brasil como uma língua completa, com estrutura gramatical própria e elementos culturais específicos da comunidade surda.
O interesse crescente de crianças e adolescentes pela Libras também reflete um movimento maior de conscientização sobre acessibilidade e inclusão social. Aprender a língua de sinais não beneficia apenas pessoas surdas, mas amplia possibilidades de convivência, pertencimento e participação social.
No caso de Ana, o aprendizado também trouxe novos sonhos. Segundo a mãe, o desejo de se tornar intérprete surgiu conforme ela passou a se aprofundar mais no universo da Libras e fortalecer vínculos com a comunidade surda.
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