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Dono de botequim carioca se torna jóquei amador; veja história

Proprietário do Chico & Alaíde disputa provas no Jockey Clube do Rio de Janeiro

14 mai 2013 13h40
| atualizado às 17h28
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Os tempos de glamour e glória do Jockey Clube Brasileiro parecem ter ficado para trás, em um tempo em que homens de terno e mulheres de chapéu lotavam a tribunal social do Hipódromo Lineu de Paula Machado, na Gávea, no Rio de Janeiro para o Grande Prêmio Brasil de Turfe. Mesmo em dias normais os páreos recebiam ótimo público. Atualmente as arquibancadas reúnem poucos interessados. Mas um cearense simpático parece disposto a mudar essa realidade, e nem profissional ele é. Seu nome é Chico Chagas, o que assim, pode parecer um desconhecido. Mas se falarmos do Chico, do já tradicional botequim carioca Chico & Alaíde, tudo muda. E pelo menos por um curto período de tempo o Jockey voltou a seus tempos de glória. “É um pouco do carisma que tenho, da simpatia que gosto de distribuir para as pessoas”, disse Chico após a prova.

Chico participou no dia 4 de maio do 5º páreo do programa oficial do Jockey Clube, apenas para amadores. E foi possível ver uma arquibancada renovada, gritando por Chico e vibrando com a possibilidade de vitória montando Super Hiago. Mas o Chico que largou na frente, e fez a curva na liderança, foi perdendo terreno e acabou atropelado, na quinta posição. “É uma emoção muito grande, uma torcida enorme. Convido muita gente que vai ao bar para vir”, conta Chico, entre uma foto e outra, como se fosse uma verdadeira estrela do turfe, como Ricardinho, Juvenal ou Rigoni. Mas Chico está longe de ser um profissional, que deve pesar no máximo 55 kg. “Com 80 kg que tenho, o cavalo chega aqui na reta final e não aguenta. Mas vou seguir trabalhando bem e talvez na próxima eu consiga uma vitória”, disse esperançoso.

Mas como perder peso estando todos os dias atrás de um balcão onde a amiga Alaíde coloca à disposição quitutes saboroso, como bolinho de feijoada, bolinho de aipim com camarão e catupiry e a empadinha de bobó de camarão?  “Mas consigo controlar sim”, afirma. E ele prova que leva muito a sério isso de ser um jóquei amador. Dorme apenas três horas por dia. “Chego no bar junto com a Alaíde por volta do meio-dia, saio às duas horas e tenho que estar no Jockey às cinco para treinar”, conta. Isso quando não sobe a serra para treinar em algum haras na região de Itaipava, próximo a Petrópolis. “Quero chegar na próxima prova com 70 kg para render mais”, aposta.

Chico Chagas, ou Francisco Chagas Gomes Filho, trouxe sua paixão por cavalos do Ceará, dos tempos em que trabalhava em uma fazenda. Chegando ao Rio em 1987 virou porteiro e no prédio onde trabalhava conheceu a amiga Alaíde. Alaíde o levou para trabalhar no Bracarense, um dos mais antigos e tradicionais botequins do Rio. Da parceria, nasceu, em 2009, o bar Chico & Alaíde, no Leblon. Com o sucesso do bar, Chico resolveu recuperar uma paixão de infância. Investiu num cavalo de corridas e certo dia resolveu aceitar um convite do Jockey para participar de um páreo de amadores. Fez uma rápida preparação. Depois do gostinho, não parou mais. “Tenho um cavalo que corre aqui na Gávea. É minha segunda mulher”, brinca.

De acordo com a gerente de turfe da entidade Mayra Frederico, Chico é apenas uma das atrações. “Queremos que as pessoas voltem a frequentar o local e vejam como é interessante o que acontece aqui”, disse. Chico faz coro e já tem até ideias para incrementar ainda mais as corridas. “A gente pede que as autoridades deem mais atenção ao Jockey. Eu faço bastante propaganda. Muita gente pergunta se paga e eu digo: não paga nada. A nova diretoria está tentando divulgar bastante as corridas e tentando trazer de volta as famílias. Tem que parar de preconceito”, reclama.

Chico pede que os pais levem seus filhos para verem os cavalos e apoia uma ideia nova renovar as corridas: uma corrida de charretes. “Um empresário de São Paulo já me ligou querendo promover uma corrida de charretes, e quero levar essa ideia adiante. Acho que tem tudo para dar certo”, sonha. Enquanto o desejo de ver o Jockey cheio todos os dias não vira realidade, Chico segue ganhando fãs. Entre os amigos e os amigos dos amigos, que aos poucos vão voltando a frequentar o espaço. Mas ele sabe que nada disso seria possível sem o trabalho dedicado ao seu ganha pão: o botequim. “Para um negócio dar certo o dono tem que estar sempre com a mão na massa. O segredo é o dono estar com o umbigo no balcão. Tem que estar lá todo dia, olhando.” 

Chico está disputando a II Copa de Amadores, uma iniciativa do Jockey Clube Brasileiro para tentar resgatar o gosto das pessoas pelas corridas de cavalo. São quatro provas ao longo do ano e Chico vai disputar todas. “No final eles dão um prêmio para o melhor jóquei”. E mesmo sendo amador, Chico, é claro, quer ganhar. Abaixo você pode acompanhar a prova disputada por Chico Chagas filmada com uma câmera GoPro, pelo jockey amador, o empresário Gilberto Solanés Jr. Nele pode-se ver Chico na liderança e depois o fim da prova com a vitória do amador JM Reis conduzindo Olympia Buck.

Veja prova da II Copa de Amadores no Jockey Clube, no RJ:

Fonte: Terra
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