Hepatites virais: veja os sinais do corpo e como prevenir a doença silenciosa
O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais alerta para infecções que agem sem dar sintomas no início e podem evoluir para complicações graves
As hepatites virais podem permanecer escondidas no organismo por anos, sem apresentar sintomas claros, enquanto continuam causando danos ao fígado. Nesta terça-feira (28), Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sinais do corpo, realizar exames e adotar medidas de prevenção.
O que são as hepatites virais?
De acordo com Flávio Denari, profissional da área de clínica médica do AmorSaúde, a hepatite é uma inflamação que atinge o fígado e pode surgir por diferentes motivos. "A origem mais comum são os vírus, que geram os tipos A, B, C, D e E da enfermidade. Porém, a doença também pode ser causada pelo consumo excessivo de álcool, quando o sistema imunológico agride o fígado, por excesso de remédios ou por ingestão de substâncias tóxicas", explica.
Principalmente nos tipos B e C, a doença pode evoluir de forma silenciosa e só ser descoberta quando já existem alterações importantes no funcionamento do fígado. Quando não são diagnosticadas e tratadas corretamente, principalmente nos casos crônicos, as hepatites podem provocar uma inflamação contínua no fígado. Com o passar do tempo, essa agressão pode causar cicatrizes no órgão, conhecidas como fibrose, e evoluir para problemas mais graves.
Quais sinais do corpo podem indicar hepatite?
O principal desafio no combate às hepatites virais é justamente a falta de sintomas no início da infecção. Muitas pessoas continuam a rotina normalmente sem saber que estão contaminadas. Contudo, alguns sinais podem indicar que o fígado precisa de atenção. Entre eles estão:
- Dor no lado direito do abdômen;
- Pele e olhos amarelados (icterícia);
- Urina escura;
- Cansaço intenso;
- Febre e mal-estar.
"Sintomas como dor no lado direito do abdômen, pele e olhos amarelados (icterícia), acompanhados de urina escura e fezes claras podem indicar hepatite", alerta Flávio.
Mesmo assim, o especialista destaca que os exames são fundamentais para identificar a doença, principalmente porque muitos casos não apresentam manifestações visíveis. "Como muitas vezes a hepatite é silenciosa, a pessoa pode estar infectada sem sintomas. Por isso, exames de sangue periódicos são fundamentais, especialmente em pessoas com fatores de risco", orienta.
Conheça os principais tipos de hepatites virais
As hepatites virais possuem diferentes formas de transmissão e evolução. A hepatite A, por exemplo, costuma estar relacionada ao consumo de água ou alimentos contaminados e à falta de higiene. Geralmente, apresenta um quadro agudo, com sintomas como febre, cansaço, dor abdominal e pele ou olhos amarelados, mas não costuma evoluir para uma forma crônica.
Já as hepatites B e C estão entre as que mais preocupam os especialistas por poderem permanecer silenciosas durante anos. A hepatite B pode ser transmitida pelo sangue, por relações sexuais sem proteção ou da mãe para o bebê durante o parto. A hepatite C ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado, como no compartilhamento de seringas ou materiais sem esterilização adequada. Ambas podem causar danos progressivos ao fígado quando não são diagnosticadas e acompanhadas.
Outros tipos também exigem atenção. A hepatite D só ocorre em pessoas que já possuem hepatite B, pois depende desse vírus para se desenvolver. Já a hepatite E tem características semelhantes à hepatite A, sendo transmitida principalmente por água e alimentos contaminados, mas é menos frequente no Brasil.
Como prevenir as hepatites virais?
A prevenção depende de cuidados simples, mas importantes para reduzir o risco de contaminação. Entre as principais medidas estão:
- Manter a vacinação contra hepatite A e B em dia;
- Usar preservativo nas relações sexuais;
- Não compartilhar objetos pessoais, como alicates de unha, lâminas, escovas de dente, seringas e agulhas;
- Higienizar corretamente alimentos;
- Consumir água filtrada;
- Cozinhar bem carnes e verduras.
A vacinação contra hepatite B também ajuda a evitar a hepatite D, já que esse tipo depende da presença do vírus B para infectar o organismo.
Tratamento depende do tipo da hepatite
O tratamento varia de acordo com a origem da inflamação e o tipo de hepatite. Nos casos em que a doença não é causada por vírus, o primeiro passo costuma ser eliminar os fatores que prejudicam o fígado, como consumo excessivo de álcool ou uso inadequado de medicamentos.
"Nas hepatites não virais, o tratamento consiste em eliminar a causa da inflamação no fígado, o que pode significar parar de ingerir álcool, ajustar remédios, ou usar imunossupressores, caso o próprio corpo esteja atacando o órgão", explica Flávio.
Nas hepatites virais, cada caso exige uma abordagem específica. As hepatites A e E geralmente precisam de repouso, hidratação e acompanhamento médico. Já a hepatite C conta atualmente com medicamentos antivirais que apresentam altas taxas de cura.
"As hepatites A e E exigem apenas repouso, hidratação e acompanhamento médico. Para o tipo C, hoje temos tratamento oral com antivirais, com taxas de cura acima de 95% em muitos casos", afirma.
No caso da hepatite B, os medicamentos podem ser indicados para controlar a infecção em situações crônicas. Já a hepatite D costuma exigir um acompanhamento mais especializado. Além disso, manter uma alimentação equilibrada, evitar bebidas alcoólicas e não tomar medicamentos por conta própria são atitudes que ajudam a preservar a saúde do fígado e evitar a progressão da doença.
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