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Fernanda Pimenta é movida por sua paixão de contar histórias

Atriz fala sobre seu papel em Coração Acelerado e o papel da comédia em sua vida

7 jun 2026 - 09h01
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Com 20 anos de carreira, Fernanda Pimenta fala sobre sua trajetória e seu papel como Irene em Coração Acelerado

Ao longo de sua carreira de 20 anos, Fernanda Pimenta alcançou um marco emocionante. Desde janeiro, ela dá vida a Irene em Coração Acelerado, seu primeiro papel na TV.

Foto: Globo/ Estevam Avellar / Revista Malu

Assim que leu sobre sua personagem, a atriz goiana logo se apaixonou pelo talento culinário e pela resiliência que Irene carrega. "Ela é uma mulher que lida com suas dificuldades buscando felicidade no dia a dia e cuidando de todos por meio de sua habilidade gastronômica", conta. "Mas também me encanta o respeito que ela tem por seus sentimentos e opiniões próprias", completa.

Amor que nasce

Irene já passou por várias fases na trama e a atriz deixa claro que cada uma delas a agrada, mas agora uma especial marca a personagem. O romance dela com Walmir (Antonio Calloni) vem conquistando cada vez mais o público; para Fernanda, o motivo está no fato de que o amor dos dois reflete uma relação autêntica e madura, onde ambos os personagens enfrentam suas vulnerabilidades. "Acredito que nós existimos nas relações, e Irene mostra um pouco mais de sua personalidade quando está engajada neste romance. Percebo que essa conexão emocional ressoa bastante com o público."

Afeto, hierarquia e pertencimento

Grande parte da história de Irene foi ter crescido ao lado de Zilá (Leandra Leal) e Janete (Letícia Spiller), mas essa relação não é só flores. Com Zilá, Irene tem uma dinâmica complexa e abusiva, que reflete uma luta de classes. "Há um certo conformismo em Irene, pois esta entende o seu lugar de serviçal nesta hierarquia. Ela sabe que Zilá não a enxerga como a criança que era sua amiga de infância. A interação entre essas personagens oferece uma reflexão sobre a desigualdade que persiste em diversas culturas ao redor do mundo. Irene, como empregada doméstica, frequentemente se vê relegada a uma posição de invisibilidade e submissão. O conformismo de Irene não é apenas uma aceitação passiva da opressão, mas uma estratégia de sobrevivência em um sistema que frequentemente marginaliza vozes como a dela", analisa.

Porém, por outro lado, a relação com Janete é completamente diferente. "Irene tem afeto, pois tem boas lembranças do tempo em que, ainda crianças, elas somente brincavam na beira do rio Caturama."

Fernanda Pimenta é uma atriz completa

Fernanda também tem uma relação muito forte com o teatro e palhaçaria, duas vivências que a moldaram na atriz que é hoje. "Essas vivências me ensinaram a importância de conhecer a si, de desenvolver nossa expressão autoral e de reconhecer nossa autenticidade. Acredito que sou uma atriz melhor depois de conhecer a palhaçaria, mesmo em papéis dramáticos, pois ela me proporciona um contato com uma humanidade que frequentemente se depara com erros, perdas e fracassos."

Além disso, a atriz, diferente de outros colegas de profissão, construiu uma carreira sólida em Goiás, longe do eixo Rio-São Paulo, e hoje, poder levar sua identidade artística para uma novela das sete da Globo é uma honra. "Significa representar minha região e mostrar que lá, mesmo fora dos grandes centros, também podemos criar e contar histórias relevantes, seja no teatro, no circo e no audiovisual. É uma oportunidade de valorizar minhas raízes e de dar protagonismo à cultura goiana. Também é uma forma de inspirar outros artistas do Centro-Oeste que desejam se adentrar na linguagem da teledramaturgia", diz.

E o futuro?

"Quero explorar narrativas que trazem à tona questões sociais e emocionais, especialmente aquelas que dialogam com a identidade brasileira, a cultura regional e a questão da inequidade de gênero, seja em novelas, filmes ou séries. Gostaria, ainda, de circular mais com os espetáculos de teatro e palhaçaria que já tenho, e também de me aprofundar na pesquisa do teatro de animação", conclui.

Revista Malu Revista Malu
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