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Existe um tipo de sonho que ajuda a garantir uma noite de sono restauradora; saiba qual é

Pesquisa sugere que a sensação de um sono realmente reparador não depende só das horas dormidas - a intensidade dos sonhos também pode ter um papel importante

14 abr 2026 - 13h38
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Dormir bem nem sempre tem a ver apenas com a quantidade de horas passadas na cama. Muitas vezes, duas pessoas podem dormir ao mesmo tempo e acordar com sensações completamente diferentes: uma renovada, outra exausta. Agora, uma nova pesquisa ajuda a explicar por que isso acontece. Segundo um estudo publicado na revista científica PLOS Biology, um sonho vívido e envolvente pode estar ligado à percepção de um sono mais profundo e restaurador. Em outras palavras, a forma como o cérebro vive o sono por dentro pode influenciar diretamente a sensação de descanso ao despertar.

Reprodução: Karola G/Pexels
Reprodução: Karola G/Pexels
Foto: Bons Fluidos

Dormir profundamente não significa "desligar" por completo

Durante muito tempo, a ideia de uma boa noite de sono esteve associada a um cérebro em baixa atividade, especialmente nas fases mais profundas do descanso, quando predominam ondas cerebrais lentas.

Ao mesmo tempo, os sonhos costumam ser relacionados a momentos em que o cérebro está mais ativo, como acontece no sono REM - fase marcada por intensa atividade cerebral e movimentos rápidos dos olhos. Isso sempre pareceu um paradoxo: como uma etapa tão ativa poderia, ainda assim, ser percebida como repousante?

Foi justamente essa contradição que motivou os pesquisadores da IMT School for Advanced Studies Lucca, na Itália, a investigar a relação entre atividade cerebral, sonhos e sensação subjetiva de sono.

O que os cientistas descobriram

Para entender melhor esse processo, os pesquisadores acompanharam 44 adultos saudáveis em laboratório, ao longo de várias noites. A atividade cerebral dos participantes foi monitorada com eletroencefalografia de alta densidade, enquanto eles eram despertados em diferentes momentos para relatar o que estavam experimentando mentalmente antes de acordar.

Ao todo, o estudo reuniu mais de mil relatos associados a diferentes estágios do sono, formando um grande banco de dados sobre sonhos, profundidade percebida do descanso e estado de sonolência.

Os resultados mostraram um padrão curioso: os participantes relataram sensação de sono mais profundo tanto quando não tinham consciência de nenhuma experiência mental quanto quando viviam sonhos intensos, detalhados e imersivos.

Já quando a experiência durante o sono era vaga, fragmentada ou marcada por uma sensação difusa de estar meio consciente, a tendência era perceber o descanso como mais superficial.

O papel da imersão

Um dos pontos mais interessantes do estudo é que nem toda atividade mental parece ser sentida da mesma maneira durante o sono. Em outras palavras, nem toda atividade mental durante o sono é sentida da mesma forma: a qualidade da experiência, especialmente o seu grau de imersão, parece ser crucial.

Ou seja: não é apenas o fato de sonhar que importa, mas o quanto esse sonho envolve a pessoa. Quanto mais imersiva for a experiência onírica, maior parece ser a sensação de que o sono foi profundo. Isso sugere que sonhar pode remodelar a forma como quem dorme interpreta a atividade cerebral. Quanto mais imersivo o sonho, mais profundo o sono parece.

Sonhos como "guardiões do sono"

Os autores também observaram outro detalhe importante: ao longo da noite, mesmo quando os marcadores fisiológicos da necessidade de dormir iam diminuindo, os participantes relatavam uma percepção crescente de que o sono estava ficando mais profundo.

Essa sensação caminhava junto com o aumento da intensidade dos sonhos. Para os pesquisadores, isso sugere que as experiências oníricas podem funcionar como uma espécie de proteção subjetiva do descanso, ajudando a manter a sensação de desconexão com o mundo externo.

Essa hipótese resgata uma ideia antiga nos estudos sobre o sono: a de que os sonhos podem agir como verdadeiros "guardiões do sono".

O que acontece no cérebro quando sonhamos

Enquanto o corpo repousa, o cérebro continua trabalhando. Durante a noite, ele reorganiza memórias, processa emoções e seleciona informações importantes do dia. É nesse contexto que surgem os sonhos mais vívidos, especialmente nas fases em que a atividade cerebral se aproxima da vigília.

Essas experiências não são apenas imagens aleatórias. Elas podem refletir um cérebro engajado em integrar acontecimentos recentes, aliviar cargas emocionais e até favorecer a criatividade.

Estudos sobre sono e memória já vêm mostrando há algum tempo que uma fase REM preservada costuma estar associada a um melhor desempenho cognitivo, mais flexibilidade emocional e maior capacidade de concentração no dia seguinte.

Sonhar mais significa dormir melhor?

Nem sempre. O ponto não é apenas lembrar de muitos sonhos ou ter experiências intensas toda noite. O mais importante parece ser a qualidade geral da arquitetura do sono - ou seja, passar por ciclos completos e relativamente estáveis.

Ainda assim, quando sonhos vívidos surgem em um contexto de sono organizado, eles podem ser um sinal de que o cérebro está realizando bem seu trabalho noturno. Por outro lado, sono fragmentado, insônia, uso de álcool em excesso e rotinas desreguladas tendem a atrapalhar essas fases e, com isso, prejudicar tanto o descanso físico quanto o emocional.

Como cuidar melhor do sono

Se a sensação de descanso não depende só das horas dormidas, cuidar da qualidade do sono se torna ainda mais importante. Algumas medidas simples podem ajudar:

  • Manter horários regulares para dormir e acordar;
  • Reduzir o uso de telas antes de deitar;
  • Evitar cafeína e estimulantes no fim do dia;
  • Criar um ritual noturno mais calmo;
  • Prestar atenção a sinais como ronco intenso, despertares frequentes ou cansaço persistente.

Quando a pessoa dorme de forma mais estável, o cérebro consegue atravessar melhor as diferentes fases do sono - incluindo aquelas em que os sonhos mais imersivos acontecem.

A sensação de descanso também passa pela experiência

O estudo reforça uma ideia importante: dormir bem não é apenas uma questão biológica, mas também subjetiva. A forma como o cérebro vive o sono importa - e talvez muito mais do que se imaginava.

Uma boa noite não depende apenas de apagar as luzes e fechar os olhos. Ela também envolve o que acontece internamente, no silêncio do cérebro, enquanto o corpo descansa. E, ao que tudo indica, sonhar pode ser parte essencial desse processo.

Bons Fluidos
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