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Esta dieta é associada a até 39% menos risco de doenças no fígado, segundo estudo

Pesquisa reuniu dados de mais de 600 mil pessoas e analisou a relação entre diferentes padrões alimentares e a saúde hepática

18 ago 2026 - 12h40
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Quando se fala em saúde do fígado, o consumo de álcool costuma aparecer entre as primeiras preocupações. Contudo, ele não é o único fator capaz de comprometer o órgão. A alimentação também pode ter um papel importante, principalmente quando faz parte de um padrão mantido por longos períodos.

Pesquisa reuniu dados de mais de 600 mil pessoas e analisou a relação entre diferentes padrões alimentares e a saúde do fígado
Pesquisa reuniu dados de mais de 600 mil pessoas e analisou a relação entre diferentes padrões alimentares e a saúde do fígado
Foto: Canva Equipes/RossHelen / Bons Fluidos

Um exemplo é a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), condição marcada pelo acúmulo de gordura no fígado relacionado a alterações metabólicas. Ela pode afetar pessoas que não consomem álcool, o que amplia a importância de fatores como dieta e estilo de vida.

É nesse contexto que uma nova meta-análise, publicada na revista científica Nutrition Reviews, investigou a relação entre padrões alimentares e doenças hepáticas crônicas. Os pesquisadores reuniram dados de 624.914 participantes para avaliar se uma alimentação considerada saudável estava associada a menor risco de problemas no fígado.

Saúde do fígado e o que o estudo descobriu

Em vez de analisar um alimento específico, os pesquisadores observaram dois modelos de alimentação saudável utilizados pela ciência: o Índice Alternativo de Alimentação Saudável (AHEI), desenvolvido por pesquisadores de Harvard, e o Índice de Alimentação Saudável (HEI), criado pelo governo dos Estados Unidos.

A análise reuniu 28 artigos e 50 estudos observacionais, publicados até fevereiro de 2025. Dessa forma, os resultados indicaram que pessoas com melhores pontuações nesses índices apresentavam menor risco de desenvolver doenças hepáticas crônicas.

No caso do AHEI, a associação apontou para uma redução de risco que variou de 20% a 38%. Já o HEI apresentou uma redução entre 23% e 39%, dependendo da doença analisada. Os pesquisadores observaram, então, associações especialmente relevantes com a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) e o câncer de fígado.

O que colocar mais no prato

Os dois índices valorizam grupos alimentares que costumam aparecer em recomendações para uma alimentação equilibrada. Entre eles estão:

  • Frutas e vegetais;
  • Grãos integrais, como aveia e arroz integral;
  • Peixes e frutos do mar;
  • Feijão, lentilha e grão-de-bico;
  • Nozes e castanhas;
  • Tofu e outras fontes de proteína vegetal;
  • Gorduras insaturadas, presentes em alimentos como azeite e abacate;
  • Proteínas magras.

Nesse sentido, o resultado não aponta para um alimento milagroso. O que importa é a combinação das escolhas feitas ao longo do tempo.

Quais alimentos merecem mais atenção

Por outro lado, os índices atribuem menor pontuação a alguns componentes frequentes na alimentação ocidental. Entre eles estão grãos refinados, açúcar adicionado e excesso de sódio.

Pães e massas feitos com farinha refinada, doces, refrigerantes e produtos ultraprocessados podem aumentar a presença desses componentes na dieta. Por isso, o estudo reforça a importância de observar o conjunto da alimentação, e não apenas acrescentar um ou outro alimento considerado saudável.

Contudo, os próprios pesquisadores fazem uma ressalva importante: a pesquisa reuniu estudos observacionais. Isso significa que os resultados mostram uma associação entre os padrões alimentares e a saúde hepática, mas não comprovam que a dieta, sozinha, tenha causado a redução do risco. Outros fatores, como atividade física, condições socioeconômicas e características genéticas, também podem interferir nos resultados.

Assim, a principal mensagem do estudo está menos em escolher um alimento específico e mais em construir, ao longo do tempo, um padrão alimentar com maior presença de alimentos in natura ou minimamente processados e menor consumo de açúcar, sódio e produtos refinados.

Bons Fluidos
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