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'Dose da beleza': entenda os riscos da nova moda nas redes para o rejuvenescimento

Uso de pequenas quantidades de Roacuta promete reduzir a oleosidade e deixar a pele mais lisa, mas não tem indicação formal para estética

13 set 2026 - 04h58
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Cuidados com a beleza
Cuidados com a beleza
Foto: Kimia Kazemi/Unsplash

A promessa chama atenção nas redes sociais: tomar uma ou duas cápsulas de isotretinoína (conhecida pelo nome comercial Roacutan) por semana para controlar a oleosidade, reduzir espinhas pontuais e deixar a pele mais lisa. A prática ganhou o nome de “dose da beleza”, mas não tem indicação formal para rejuvenescimento e expõe o paciente aos riscos de um medicamento que exige prescrição e acompanhamento médico.

A isotretinoína estimula a renovação da pele e reduz a atividade das glândulas sebáceas. Esses efeitos ajudam no tratamento da acne e explicam o resultado que desperta interesse estético de uma pele menos oleosa, com textura uniforme e aparência mais luminosa.

A diferença entre os dois usos está na dosagem e no objetivo do tratamento. Nos casos de acne, o dermatologista calcula a quantidade de isotretinoína de acordo com o peso do paciente. O protocolo tem duração e dose acumulada definidas. Já a chamada “dose da beleza” envolve quantidades menores, usadas uma ou duas vezes por semana, sem cálculo por peso.

“Para a finalidade estética de rejuvenescimento, não existe uma recomendação formal”, afirma a dermatologista Marcela da Costa Pereira Cestari, do Hospital Sírio-Libanês.

Esse uso é considerado off-label, ou seja, não consta entre as indicações previstas na bula. Médicos também recorrem a doses baixas de isotretinoína em alguns quadros de acne resistente, rosácea, dermatite seborreica e acne da mulher adulta. Nesses casos, porém, existe uma doença que não respondeu aos tratamentos aplicados na pele.

Segundo Cestari, pesquisas que compararam a isotretinoína oral em dose baixa com a tretinoína tópica, aplicada em creme, não encontraram superioridade do comprimido na produção de colágeno. A principal diferença aparece no controle da oleosidade, efeito mais intenso com o medicamento oral.

Resultado dura enquanto o remédio é usado

A melhora estética existe. A isotretinoína reduz a produção de sebo, afina a camada mais externa da pele e exerce uma ação anti-inflamatória. Com isso, a superfície ganha um aspecto mais liso e algumas lesões de acne deixam de aparecer.

O problema está na duração desse resultado. As doses menores não seguem o mesmo protocolo usado para tratar acne e não garantem uma remissão prolongada. Quando o paciente interrompe o medicamento, a oleosidade e as espinhas tendem a retornar.

“A dose da beleza não traz um resultado permanente. Os efeitos aparecem no período de uso e, após a suspensão, a pele tende a voltar ao que era”, explica a dermatologista.

Para conservar o efeito, algumas pessoas mantêm o medicamento por longos períodos ou alternam ciclos de uso e pausa. Não há estudos suficientes sobre a segurança dessa exposição ao longo de anos. Também faltam respostas sobre o impacto cumulativo no fígado e no colesterol.

Dose menor não elimina os riscos

Parte dos efeitos adversos da isotretinoína depende da dose. Quanto maior a quantidade ingerida, maior a carga metabolizada pelo fígado e o risco de reações. Uma dose baixa pode reduzir alguns desses problemas, mas não transforma o medicamento em um produto inofensivo.

O tratamento pode provocar ressecamento da pele e das mucosas, eczema, sangramento nasal e irritação nos olhos. Também pode alterar as enzimas do fígado e os níveis de colesterol durante o uso.

O risco mais grave permanece em qualquer dosagem. A isotretinoína é teratogênica e pode causar malformações no feto. “O único efeito colateral que não diminui com uma dose mais baixa é o risco de malformação caso a paciente engravide”, alerta Marcela.

Mulheres com possibilidade de gestação precisam adotar métodos contraceptivos e realizar testes de gravidez antes e durante o tratamento. A médica recomenda avaliação ginecológica e contracepção adequada, além do uso de preservativo.

O acompanhamento também inclui exames de sangue, como hemograma, avaliação das funções hepática e renal e dosagem de colesterol e triglicérides. Segundo a dermatologista, o controle costuma ocorrer a cada um ou dois meses durante o uso.

Alternativas aplicadas na pele

Quem busca apenas reduzir a oleosidade, melhorar a textura ou controlar espinhas isoladas encontra opções com mais respaldo para esse objetivo. Retinoides tópicos, como tretinoína e adapaleno, ajudam na renovação celular e no tratamento da acne. Sabonetes, tônicos e cremes também entram na rotina conforme o tipo de pele.

A escolha depende da avaliação do dermatologista, já que esses produtos também apresentam contraindicações e podem irritar a pele. Ainda assim, o tratamento tópico evita a exposição sistêmica associada à isotretinoína oral.

Para Marcela, a popularização da “dose da beleza” nas redes sociais cria a impressão de que o medicamento funciona como um recurso simples para manter a pele bonita. A preocupação cresce quando pessoas sem uma doença que justifique o tratamento começam a usar cápsulas por conta própria ou buscam prescrições para fins estéticos.

“O remédio é muito bom quando está bem indicado e bem utilizado. O uso contínuo só para manter certo aspecto da pele preocupa, porque ainda não sabemos quais malefícios ele pode trazer no futuro”, diz.

Fonte: Portal Terra
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