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Deserto do Atacama floresce após chuvas do El Niño; veja vídeo

Fenômeno natural, que biodiversidade oculta durante períodos de seca revela, deve ganhar ainda mais cores em outubro

24 set 2026 - 11h41
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Resumo
Chuvas históricas causadas pelo El Niño fizeram o Deserto do Atacama, no Chile, florescer com cerca de 200 espécies, revitalizando também a fauna local em até 15 mil hectares. O auge do fenômeno é esperado para outubro e atrai turistas, exigindo alertas para a conservação ambiental. Contudo, o evento expõe um contraste dramático, já que as mesmas tempestades de julho causaram severa destruição em outras regiões chilenas, deixando 13 mortos e cerca de 4 mil moradias danificadas.

O Deserto do Atacama, no Chile, ganhou uma aparência incomum após as chuvas associadas ao El Niño. Áreas geralmente marcadas pelo solo árido passaram a exibir diferentes espécies de flores, em uma transformação que também movimentou a fauna local.

O Deserto do Atacama pode ter cerca de 15 mil hectares cobertos por vegetação no auge do fenômeno, previsto para outubro
O Deserto do Atacama pode ter cerca de 15 mil hectares cobertos por vegetação no auge do fenômeno, previsto para outubro
Foto: Reprodução/Youtube / Bons Fluidos

Segundo informações da 'AFP', o fenômeno ocorre porque o solo do Atacama guarda uma grande reserva natural de sementes e bulbos. Neste ano, então, a quantidade de água disponível criou condições para que cerca de 200 espécies voltassem a aparecer na superfície.

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Fenômeno deve ganhar ainda mais cores em outubro

Em determinados pontos da região, o volume de chuva passou dos 180 milímetros. A Corporação Nacional Florestal do Chile (Conaf) calcula que, no período de maior intensidade, cerca de 15 mil hectares poderão apresentar vegetação. O auge da floração é esperado para outubro.

 César Pizarro, responsável pela biodiversidade da Conaf no Atacama, afirmou à 'AFP' que índices dessa dimensão "nunca haviam sido registrados antes". Entretanto, a transformação vai além da vegetação. Segundo o especialista, o Atacama está vivendo "mais do que flores". Isso porque insetos, caracóis, aves, répteis e mamíferos também encontram condições favoráveis nesse período.

El Niño também provocou consequências graves

No entanto, a mesma sequência de chuvas que favoreceu o florescimento trouxe impactos severos ao Chile. Os temporais registrados em julho deixaram 13 mortos e cerca de 4 mil moradias destruídas ou gravemente danificadas.

Pizarro reconheceu esse contraste ao comentar os efeitos do fenômeno climático. "Embora haja grande preocupação... com os impactos que está causando em muitos lugares, também gera vida", afirmou.

Visitantes devem preservar o Deserto do Atacama

A mudança na paisagem, inclusive, já atrai turistas interessados em conhecer e fotografar o fenômeno. Porém, com o aumento da circulação, cresce também a preocupação com a conservação.

A orientação é utilizar apenas os caminhos permitidos e evitar qualquer contato que possa prejudicar as plantas ou os animais da região. Animais domésticos também devem permanecer fora da área.

"Para o nosso país, o deserto florido é motivo de orgulho. Faz parte do nosso patrimônio", disse Pizarro. De acordo com o profissional, a dimensão da floração torna o Atacama especialmente singular. "Embora existam vários desertos que florescem quando chove, a extensão territorial e a diversidade de espécies que temos aqui são únicas", concluiu.

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