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Conheça as mulheres do Michelin Portugal 2024

1 mar 2024 - 16h52
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A primeira Gala Michelin Portugal, 100% lusitana, foi marcada pela quebra da expectativa do primeiro três estrelas do país. O chef José Avillez, à frente do Belcanto (duas estrelas) e do Encanto (uma estrela), foi enfático em conversa exclusiva com a Viagem Gastronômica. "Para mim, o Belcanto já tem três estrelas, o Ocean é três estrelas... Para entrar no guia, de fato, ainda temos tempo. Tenho só 44 anos", afirmou durante a festa realizada no Nau Palace Salgados, em Albufeira, na última terça (27).

As mulheres fizeram bonito na Gala Michelin Portugal.
As mulheres fizeram bonito na Gala Michelin Portugal.
Foto: Divulgação/Michelin / Estadão

No day after, no entanto, com os ânimos arrefecidos, ficou o orgulho do que representou a premiação exclusiva, que agitou o Algarve e fez nomes como o chef Vitor Matos brilhar: ele alcançou a segunda estrela com o seu Antiqvvm, do Porto, uma estrela no 2Monkeys, projeto que mantém em parceria com Francisco Quintas em Lisboa e viu a sua pupila, Rita Magro, ganhar o prêmio de chef revelação e entrar na lista dos restaurantes recomendados com o Blind, do Porto.

Rita foi apenas uma das mulheres que se destacaram na Gala, realizada na última terça-feira no Algarve, no sul de Portugal. Apesar das expectativas em torno da primeira estrela para uma chef - Marlene Vieira, do lisboeta Marlene, era forte candidata - não terem se confirmado, ver algumas representantes femininas no palco foi um alento.

Rita Magro ganhou o prêmio de chef revelação e entrou no  do Michelin Portugal e entrou no guia com o seu Blind.
Rita Magro ganhou o prêmio de chef revelação e entrou no do Michelin Portugal e entrou no guia com o seu Blind.
Foto: Divulgação/Michelin / Estadão

Aqui, vale uma ressalva: no universo da alta gastronomia, onde gravitam as estrelas "michelianas", há poucas mulheres. A explicação parece simples: a exigência de uma dedicação hercúlea à cozinha, o que nem sempre é fácil conciliar nos diversos papéis sociais que as mulheres ocupam, a incluir a atenção à família e, para muitas, a maternidade.

Ouvir nomes femininos serem chamados ao palco da gala como Rita Magro (Blind, Porto), Noélia Jerónimo (Noélia), Aurora Goy (Apego, Porto), Ana Moura (Lamelas, Porto Covo) e a brasileira Lara Prado (SEM, Lisboa) na lista de restaurantes recomendados, e Mónica Gomes (Olaias, Coimbra) e Annakaren Fuentes (O Pastus, Oeiras), como novas entradas na categoria Bib Gourmand, mostra o quanto as mulheres têm feito pela gastronomia portuguesa.

Não à toa, a chef Noélia Jerónimo, muito estimada pelos colegas por seu talento e simpatia, foi ovacionada ao ter seu nome anunciado quando o seu Noélia foi anunciado.

"As maiores cozinheiras do mundo são mulheres. São as mães que alimentam os filhos, os homens. Fico muito feliz em entrar no guia porque sou uma mulher que luta há tantos anos para me manter de pé e para fortalecer as mulheres a seguir firme na gastronomia", disse a chef, que reforça que a atenção à família e aos filhos muitas vezes acaba por desviar as mulheres do universo da gastronomia de ponta.

Noélia Jerónimo recebe o carinho da apresentadora Catarina Furtado na Gala Michelin Portugal.
Noélia Jerónimo recebe o carinho da apresentadora Catarina Furtado na Gala Michelin Portugal.
Foto: Divulgação Michelin / Estadão

Para Rita, por assim dizer, bicampeã da noite, o reconhecimento é fundamental para fortalecer o movimento feminino nas cozinhas profissionais. "Espero que sirva de incentivo para que as chefs sigam com garra e coragem de mostrar quem somos, sem medo de colocar nossas ideias em ação", diz.

Apaixonada pela cozinha e com o talento super enaltecido pelo colega, Vitor Matos, ela reconhece que não tinha muita noção do que viria pela frente. "É o que sempre gostei de fazer. Fui sem pensar muito e acabou que correu tudo bem e sou muito feliz ao fazer o que faço e mais ainda em ter esse reconhecimento", garante.

Mais do que uma chef mulher, Lara Prado é brasileira e está à frente de um restaurante ao lado de  - o SEM - que tem compromisso sério com a sustentabilidade, o que nem sempre é fácil de conduzir. "Pra mim, como mulher brasileira, esse reconhecimento é extremamente importante, apesar de não termos iniciado o projeto com o foco em premiações. É um reflexo do trabalho e dos esforços, do suor e sangue de quem tem um restaurante independente, com impacto positivo em termos sócio-ambientais, sem desperdício, com trabalho estreito com produtores", diz. 

Para a chef, a luta pela diversidade na gastronomia está apenas no começo, já que durante muito tempo foi um universo "branco e masculino". "É uma luta pela diversidade. Existe mulheres incríveis que são líderes dessa indústria e fazem um trabalho fenomenal. Isso está começando a ser reconhecido, apesar de ainda ser desproporcional".

A chef do SEM destacou, ainda, as colegas que brilharam na Gala e outros nomes, que ela acredita que logo serão reconhecidas. "Nesta edição (do Michelin), vimos mulheres como Rita, Noélia, que é uma instituição, serem reconhecidas. Marlene Vieira, do Marlene, e Louise,  do Boubou's, também lutam e vão seguir firmes. Espero que esse reconhecimento venha, independentemente do gênero. Essas chefs fazem um trabalho maravilhoso".

Na Gala, a organização também destacou a ala feminina ao escalar a apresentadora Catarina Furtado, como apresentadora da cerimônia, a cantora Cuca Rosetta, como atração musical, e a chef três estrelas Michelin Dominique Crenn, como convidada para abrilhantar a festa. A francesa foi a primeira chef mulher a conquistar a honraria máxima do Michelin nos Estados Unidos, com o seu Atelier, em San Francisco, Califórnia.

Estadão
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