Henri Castelli bebe vinho todo dia: faz mal à saúde?
Ator revelou beber vinho ao acordar para relaxar; psicóloga explica a diferença entre hábito social e dependência química
A declaração recente do ator Henri Castelli gerou debate nas redes sociais e preocupação entre especialistas. Ao afirmar que, às vezes, acorda e bebe vinho "para relaxar", o artista tocou em um ponto delicado da saúde mental: a linha tênue entre consumo social e dependência.
Embora o vinho seja frequentemente associado a benefícios cardiovasculares (quando em doses mínimas), o hábito de beber diariamente (e especialmente pela manhã) exige cautela. Para a psicóloga Dra. Luciana Oliveira, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), é preciso analisar o caso sem moralismo, mas com clareza clínica.
"Acordar e beber pode ser um sinal de alcoolismo? Sim e não, depende do contexto geral. Mas, sem dúvida, já é um grande sinal de alerta", explica. Segundo a especialista, o consumo matinal geralmente indica uma dificuldade do indivíduo em lidar com as próprias emoções logo ao despertar.
Acessório ou Protagonista?
A grande dúvida da maioria das pessoas é saber diferenciar o "bebedor social" daquele que já desenvolveu uma dependência. A chave para essa resposta não está apenas no tipo de bebida, mas na função que ela exerce na vida da pessoa.
"A diferença está na frequência, na quantidade e, principalmente, no 'porquê' se consome", pontua Dra. Luciana. Em uma relação saudável, o álcool é apenas um acessório em um momento de lazer. Quando ele vira o protagonista, ou seja, quando o lazer não tem graça sem a bebida, o sinal amarelo acende.
Se a pessoa precisa da substância para se tornar sociável, para aguentar o estresse do trabalho ou para conseguir relaxar em casa, o uso deixou de ser recreativo e passou a ser uma "muleta" emocional.
4 Sinais de que virou doença
A transição do hábito para o vício costuma ser silenciosa e gradual. A Dra. Luciana Oliveira destaca quatro pilares que ajudam a identificar o problema:
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Mudança na relação com a bebida: o álcool passa a ser usado como remédio. A pessoa bebe para anestesiar tristeza, estresse ou ansiedade. Logo, torna-se difícil controlar a dose e, ao invés de uma taça, a garrafa inteira é consumida.
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Negligência de prioridades: o trabalho, os estudos e a família começam a ficar em segundo plano. Problemas de relacionamento em casa tornam-se frequentes por causa do comportamento alterado.
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Tolerância e Abstinência: o corpo "se acostuma", e passa a exigir doses cada vez maiores para sentir o mesmo efeito de relaxamento. Ficar sem beber gera irritação, insônia e mal-estar físico.
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A fase da Negação: surgem as justificativas clássicas: "é só vinho", "todo mundo bebe", "eu paro quando quiser". A pessoa sente culpa, tenta esconder o consumo ou minimizar a gravidade da situação.
Teste da garrafa vazia
Muitas vezes, a pessoa adoecida tem dificuldade em admitir a própria condição. Uma estratégia prática sugerida pela psicóloga é o choque de realidade visual.
"Peça para a pessoa juntar tudo o que ela consome de álcool em uma semana. Ao ver o volume acumulado, ela própria pode fazer sua avaliação e entender se necessita de ajuda", orienta Luciana.
Geralmente, a família é a primeira a notar o sofrimento e também precisa de suporte para saber como abordar o ente querido sem gerar mais conflitos.
Onde buscar tratamento
Identificou os sinais? A recomendação é buscar ajuda imediatamente. O tratamento do alcoolismo é multidisciplinar e envolve cuidar do corpo e da mente.
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Médicos: clínicos gerais e psiquiatras avaliam os danos físicos e orientam a desintoxicação segura.
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Psicólogos: a terapia trabalha as estratégias para evitar recaídas e trata os gatilhos emocionais que levam ao copo.
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Rede de Apoio: o Brasil conta com os CAPS AD (Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), que são serviços públicos especializados. Além disso, grupos como o Alcoólicos Anônimos (AA) oferecem suporte contínuo através da troca de experiências.
Reconhecer que o "relaxamento" virou dependência é o passo mais corajoso e importante para a recuperação.