De vilã hostilizada a ícone nacional: o marco dos 80 anos de Marieta Severo
Com carreira marcada por papeis inesquecíveis, resistência cultural e gestão teatral, atriz celebra oito décadas
Ao completar 80 anos de vida e seis décadas de carreira, Marieta Severo consolida-se como um ícone da dramaturgia brasileira, somando dezenas de trabalhos no teatro, cinema e televisão. Marcada por papéis memoráveis como Dona Nenê e a vilã Éden, a atriz enfrentou a ditadura, foi casada com Chico Buarque e fundou o Teatro Poeira. Sempre engajada em causas sociais, como o apoio ao Retiro dos Artistas, a veterana segue ativa e acaba de estrear no streaming com a produção "Dom de Iludir", da Netflix.
Nesta segunda-feira (2), a atriz Marieta Severo celebra 80 anos, consolidando uma trajetória de seis décadas de dedicação às artes cênicas brasileiras. Nascida no Dia de Finados de 1946, a artista foi registrada somente no dia 3, por decisão do pai, diante do simbolismo da data.
Desde a estreia no cinema, aos 19 anos, no longa "Society em baby doll", de 1965, construiu uma carreira impecável. Foram mais de 30 peças, 40 filmes e 15 novelas. "Gosto de uma grande história, com um personagem muito bem construído, com material muito bom. E esse material pode estar em qualquer formato. Minha perseguição é sempre a qualidade do que eu faço, seja em televisão, cinema ou teatro", afirmou a artista ao site Memória Globo.
As metamorfoses de Marieta Severo na televisão e no teatro
A presença na televisão começou em 1966 com a vilã Éden em "O Sheik de Agadir", personagem que escondia a identidade do assassino Rato e cujas cenas exibiam apenas as luvas da criminosa. Por causa da personagem , a atriz sofreu reações hostis nas ruas do Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, a artista deu vida a figuras marcantes na memória do público, como a matriarca Dona Nenê em "A Grande Família", exibida de 2001 a 2014, a milionária Alma em "Laços de Família" e a empresária Fanny em "Verdades Secretas", de 2015.
Marieta e Chico Buarque
A vida pessoal e profissional da artista atravessou o período da ditadura militar e inclui um casamento de mais de 30 anos com o músico Chico Buarque, pai de suas três filhas.
A separação foi noticiada em janeiro de 1997. NO entanto, apesar do fim do casamento, a família continuou compartilhando momentos importantes. Em 2013, Marieta contou que Chico, as filhas e os netos costumavam frequentar sua casa aos domingos, conforme reportagem do R7. Anos depois, a celebração conjunta do resultado das eleições de 2026 voltou a evidenciar a convivência familiar entre os artistas.
Ela também foi casada com ator e apresentador Aderbal Freire-Filho, que faleceu em 2023.
Solidariedade
A atriz também costuma fazer doações ao retiro dos Artistas, lar dos veteranos das artes.
Para Marieta, a maior recompensa é ver o reconhecimento de profissionais que dedicaram suas vidas à arte.Em entrevista ao jornalista Arthur Pazin, afirmou: "O mais bonito é que são artistas que a vida inteira deram para nós prazer, alegria, emoções, sensações; que são os músicos, escritores, atores, diretores, todos que vivem disso e que vão ter aqui o reconhecimento disso", afirmou a atriz.
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Prêmios e a recente estreia no streaming
Reconhecida com premiações como o troféu Oscarito no Festival de Gramado de 2002, ela fundou em 2005 o Teatro Poeira, em Botafogo, ao lado da amiga e colega Andréa Beltrão, para fomentar produções independentes.
Poucos dias antes de seu aniversário de 80 anos, a atriz estreou na plataforma de streaming Netflix com a produção "Dom de iludir". O diretor do projeto, Mauro Mendonça Filho, celebrou a convivência no set ao declarar sobre a veterana: "É sempre a mais brother da equipe".
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