Dan Stulbach fala sobre parceria em cena com Mariana Ximenes e Chay Suede: 'Chamo nossas cenas de jazz'
Dan Stulbach falou sobre a parceria com Mariana Ximenes e Chay Suede e explicou por que quis construir um vilão mais humano
Conhecido por interpretar personagens marcantes na televisão, Dan Stulbach abriu um pouco dos bastidores de Quem Ama Cuida, novela das nove da TV Globo, e contou como tem sido construir o advogado Ademir ao lado de Mariana Ximenes e Chay Suede. Em entrevista à coluna Play, do jornal O Globo, o ator revelou que as cenas entre o trio costumam ganhar novos rumos durante as gravações, graças à liberdade criativa e à sintonia entre os colegas de elenco.
Segundo Dan, a troca entre os atores acontece de forma espontânea, permitindo que o texto evolua conforme as reações de cada um em cena. "Chamo nossas cenas de jazz. Chay me interrompe, e eu o interrompo. Vamos construindo juntos, mudando um pouquinho aqui e ali. No começo, as cenas com a Mariana eram mais de um casal feliz, mas essa felicidade muda ao longo da novela. Agora, temos sequências mais fortes. O bom é que eu saio revitalizado de um dia em que joguei com outra pessoa. Outro dia, em uma briga no portão, a Mari me jogou um copo de água na roupa inteira, sem me avisar, porque rolou na hora. Quando estou dentro desse jogo, é o máximo."
Para o ator, essa abertura para improvisos contribui para tornar as relações entre os personagens mais naturais e intensas, enriquecendo o resultado visto pelo público.
Um vilão que não se enxerga como vilão
Na novela, Dan interpreta Ademir, um advogado que toma decisões moralmente questionáveis. Mas, segundo o próprio ator, está longe de ser um personagem unidimensional. Desde o início do trabalho, a proposta foi construir alguém repleto de contradições, capaz de despertar diferentes interpretações.
"Não queria que ele fosse um vilão caricato nas suas intenções. Ademir se torna um vilão a partir das suas ações, mas não é um cara só mau. Ele tem gente que ama, como o filho e a esposa. Ele se emociona, chora, erra e também sabe ser terrível e implacável quando precisa. A minha intenção é construir uma pessoa com erros, defeitos, ambígua e contraditória. Repito o tempo inteiro para a direção: O Ademir não se considera culpado."
Ao destacar as ambiguidades do personagem, Dan chama atenção para um aspecto comum da vida real: muitas pessoas justificam as próprias atitudes e dificilmente enxergam a si mesmas como responsáveis pelos próprios erros.
A escolha por uma vida longe dos holofotes
Apesar de ser um dos nomes mais conhecidos da televisão brasileira, Dan contou que nunca buscou a fama como objetivo. Pelo contrário, ele afirma que preservar a vida pessoal sempre foi uma prioridade para manter o equilíbrio entre a carreira e a vida fora das telas.
"Um dos medos que tive e que tenho é o de perder o meu mundo pequeno, privado, das pessoas que gosto, da minha família e dos meus amigos de sempre. Sempre preservei essa parte da minha vida muito bem, como um refúgio mesmo: um lugar que me lembre sempre quem eu sou. A questão de me tornar uma celebridade nunca me cativou."
Para o ator, esse espaço reservado funciona como um porto seguro, permitindo que ele mantenha sua identidade distante da exposição constante que acompanha a profissão.
O impacto duradouro de Mulheres Apaixonadas
Durante a entrevista, Dan também relembrou um dos personagens mais emblemáticos de sua carreira: Marcos, de Mulheres Apaixonadas. Na trama, ele interpretava o marido agressor de Raquel, vivida por Helena Ranaldi, em uma história que ajudou a ampliar o debate sobre a violência contra a mulher na televisão brasileira.
Mais de duas décadas após a exibição da novela, o ator lamenta que o tema continue tão atual. "Há algo que me dá uma certa tristeza e inconformidade. Participo de eventos sobre a situação da mulher no Brasil, e as pessoas me perguntam se a sociedade melhorou de lá para cá. Tinha o sonho de que o Brasil ia melhorar a partir daquele momento, porque o assunto foi colocado em voga na novela das 20h e gerou até mesmo uma lei. Não sei responder com propriedade se ela melhorou ou piorou. Hoje, vejo que os números são iguais ou piores. Há uma situação que o Brasil não cura, e isso me entristece."
A lembrança do personagem, segundo Dan, vai muito além da atuação. Ela permanece associada à necessidade de manter vivo o debate sobre a violência de gênero, reforçando que, apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, o enfrentamento desse problema ainda representa um dos grandes desafios da sociedade brasileira.
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