Conjuntivite responde por quase 30% dos atendimentos de urgência oftalmológica
Calor, maior exposição à água e mudanças de hábitos durante o verão e as férias elevam o risco de inflamações oculares, alerta oftalmologista
O verão, marcado por altas temperaturas e pelo período de férias escolares, também é uma das épocas do ano com condições propícias ao aumento da incidência de conjuntivite. O calor intenso, a maior exposição ao sol, ao vento e o contato frequente com água de piscinas e praias favorecem a irritação ocular e a disseminação de agentes infecciosos.
No pronto-socorro do H.Olhos - Hospital de Olhos da rede Vision One, os casos de conjuntivite representaram 29% de todos os atendimentos de urgência oftalmológica em 2025, índice que tende a aumentar nos períodos de calor. De acordo com o Dr. Pedro Antônio Nogueira Filho, chefe do Pronto-Socorro do H.Olhos, esse período exige atenção redobrada com a saúde dos olhos.
"O verão altera a rotina das pessoas e aumenta a exposição a fatores que podem desencadear a conjuntivite. O contato com água contaminada, o suor excessivo e até o hábito de coçar os olhos com as mãos sujas contribuem para o surgimento da inflamação", explica o especialista.
Conjuntivite em alta
A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva — a membrana transparente que recobre a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras — e pode ter diferentes causas, como vírus, bactérias ou alergias. Os sintomas mais comuns incluem vermelhidão, coceira, ardor, lacrimejamento e sensação de areia nos olhos. "Muitas vezes, o paciente não consegue identificar a origem do problema e acaba subestimando os sinais iniciais, o que pode agravar o quadro", alerta o Dr. Pedro.
Outro fator que contribui de forma significativa para o aumento dos casos no verão são as aglomerações, comuns durante as férias, em praias, piscinas, eventos e viagens. "Ambientes com grande circulação de pessoas facilitam a transmissão da conjuntivite infecciosa, especialmente quando há contato próximo, compartilhamento de objetos ou higiene inadequada das mãos", ressalta o oftalmologista.
Segundo o especialista, ambientes típicos da estação exigem cuidados extras. "Piscinas sem tratamento adequado, mar com excesso de impurezas e até o uso compartilhado de toalhas e óculos de sol aumentam o risco de transmissão da conjuntivite, especialmente entre crianças e jovens durante as férias", destaca.
Além disso, o clima quente e seco contribui para o ressecamento da superfície ocular. "A combinação de calor intenso, vento e exposição prolongada ao sol pode irritar os olhos e facilitar a entrada de agentes infecciosos. Por isso, é comum observarmos um aumento expressivo nos atendimentos oftalmológicos nessa época", acrescenta.
A prevenção
Para prevenir a doença, o Dr. Pedro Antônio Nogueira Filho recomenda medidas simples no dia a dia. "Evitar coçar os olhos, higienizar bem as mãos, não compartilhar objetos de uso pessoal e utilizar óculos de sol com proteção UV são cuidados fundamentais durante o verão", orienta. Ele ressalta ainda que o uso de colírios deve ser feito apenas com orientação médica.
O especialista também reforça os riscos da automedicação. "O uso indiscriminado de colírios, principalmente os que contêm corticoides, pode causar complicações sérias, como aumento da pressão intraocular e infecções mais graves. Sempre que surgirem sintomas, o ideal é procurar um oftalmologista", afirma.
Com o avanço do verão e das férias, o movimento nos prontos-socorros oftalmológicos tende a crescer. "Já percebemos um aumento considerável na procura por atendimento por conjuntivite neste período, o que ajuda a explicar o fato de a doença responder por quase 30% das urgências oftalmológicas no hospital", pontua o médico.
Ele conclui destacando que a prevenção é essencial para aproveitar a estação com tranquilidade. "Com cuidados simples e atenção aos primeiros sinais, é possível curtir o verão e as férias sem comprometer a saúde ocular. Os olhos também precisam de proteção nessa época do ano", finaliza.
*Fonte: Target