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Você conhece a teoria do apego? Ela pode ajudar a entender seus relacionamentos

Entenda o que é a teoria do apego, conheça os quatro estilos de apego e descubra por que eles podem afetar a forma como você ama, confia e cria conexões ao longo da vida

29 jul 2026 - 16h10
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Você já se perguntou por que algumas pessoas conseguem construir relacionamentos com facilidade, enquanto outras vivem com medo do abandono ou evitam se envolver emocionalmente? A resposta pode estar nas primeiras experiências afetivas da infância, segundo a teoria do apego.

Descubra o que é a teoria do apego e entenda como as primeiras experiências da infância podem influenciar seus relacionamentos na vida adulta
Descubra o que é a teoria do apego e entenda como as primeiras experiências da infância podem influenciar seus relacionamentos na vida adulta
Foto: Reprodução: Canva/Hiraman / Bons Fluidos

Desenvolvida pelo psiquiatra britânico John Bowlby entre as décadas de 1950 e 1960, essa teoria propõe que a maneira como um bebê se relaciona com seus principais cuidadores serve como base para a construção de vínculos futuros. Em outras palavras, as primeiras relações ajudam a moldar a forma como enxergamos a nós mesmos, os outros e o mundo.

Embora esses padrões possam acompanhar a pessoa até a vida adulta, especialistas ressaltam que eles não são permanentes. Experiências positivas, relações saudáveis e a psicoterapia podem contribuir para mudanças ao longo da vida.

O que é a teoria do apego?

Ao estudar a ansiedade de separação em crianças, Bowlby observou que a proximidade com um cuidador não era importante apenas para garantir alimentação ou proteção física, mas também para oferecer segurança emocional.

Segundo o pesquisador, esse vínculo é resultado de um mecanismo evolutivo: quando o bebê sente medo, desconforto ou ameaça, busca naturalmente uma figura que transmita proteção. Essa sensação de acolhimento é essencial para que ele explore o ambiente e desenvolva confiança.

Posteriormente, a psicóloga Mary Ainsworth aprofundou essas pesquisas e identificou três estilos de apego. Anos depois, os pesquisadores Mary Main e Judith Solomon acrescentaram um quarto padrão, formando a classificação utilizada até hoje.

Como o apego é construído?

Os primeiros meses de vida são decisivos para a formação dos vínculos afetivos. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, o apego não depende apenas da quantidade de tempo que um adulto passa com a criança.

O que faz diferença é a qualidade das respostas dadas às necessidades do bebê. Quando ele recebe conforto, atenção e cuidado de maneira consistente, tende a desenvolver uma sensação de segurança. Já respostas imprevisíveis, negligentes ou marcadas por rejeição podem influenciar a forma como ele aprenderá a confiar nas pessoas.

Pesquisadores também descrevem que esse processo acontece em etapas. Nos primeiros meses, o bebê aceita os cuidados de diferentes pessoas. Com o passar do tempo, passa a demonstrar preferência por um cuidador específico e, mais tarde, amplia esse círculo de confiança para outros familiares e pessoas próximas.

Os quatro tipos de apego

Os padrões de apego não determinam o futuro de ninguém, mas ajudam a compreender comportamentos e desafios emocionais comuns.

1. Apego seguro

É considerado o padrão mais saudável. Pessoas com esse estilo costumam confiar nas relações, conseguem demonstrar afeto, lidam melhor com momentos de distância e se sentem confortáveis tanto na proximidade quanto na autonomia. Esse tipo de vínculo costuma surgir quando a criança encontra um cuidador disponível, acolhedor e capaz de responder às suas necessidades de forma consistente.

2. Apego evitante

Quem apresenta esse padrão tende a evitar demonstrações de vulnerabilidade e costuma manter certa distância emocional nos relacionamentos. Esse comportamento pode estar relacionado a experiências precoces em que expressar necessidades emocionais não era bem recebido ou gerava rejeição.

3. Apego ambivalente

Nesse caso, existe um forte desejo de proximidade acompanhado de medo constante de abandono. A pessoa pode alternar momentos de grande dependência emocional com sentimentos de insegurança, ciúmes ou desconfiança. Na infância, esse padrão costuma estar associado a respostas inconsistentes por parte dos cuidadores, que ora ofereciam acolhimento, ora não estavam emocionalmente disponíveis.

4. Apego desorganizado

É o estilo mais complexo. Nele, a pessoa pode oscilar entre buscar intimidade e afastar quem ama, apresentando comportamentos contraditórios nas relações. Esse padrão costuma estar relacionado a experiências precoces marcadas por instabilidade, medo ou cuidados imprevisíveis.

O apego influencia apenas os relacionamentos amorosos?

Não. Embora seja muito citado quando o assunto é vida afetiva, o estilo de apego também pode aparecer nas amizades, nas relações familiares e até no ambiente de trabalho.

Além disso, ele pode influenciar a forma como lidamos com perdas, rejeições, conflitos e momentos de luto. Pessoas com padrões inseguros podem encontrar mais dificuldade para expressar emoções ou confiar no apoio de quem está ao redor. Vale lembrar que uma mesma pessoa pode apresentar estilos diferentes dependendo do tipo de relacionamento ou do momento da vida.

É possível mudar o estilo de apego?

A boa notícia é que sim. Os especialistas destacam que os padrões de apego não são características fixas da personalidade. Relacionamentos saudáveis, experiências positivas e o desenvolvimento do autoconhecimento ajudam a construir formas mais seguras de se conectar com os outros. Nesse processo, a psicoterapia pode ser uma importante aliada.

Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Terapia do Esquema e outras modalidades ajudam a identificar crenças, medos e padrões emocionais que dificultam vínculos mais saudáveis.

Mais do que rotular comportamentos, compreender a teoria do apego é uma oportunidade para olhar a própria história com mais consciência. Afinal, reconhecer padrões é o primeiro passo para transformá-los e construir relações baseadas em confiança, respeito e segurança emocional.

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