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Segundo estudo, existem quatro principais tipos de pensamentos que dominam nosso dia a dia

Pesquisa identificou os assuntos que mais ocupam a mente das pessoas e revelou quatro perfis de pensamento, mostrando que o conteúdo da nossa mente pode estar relacionado ao bem-estar

27 jul 2026 - 20h13
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Quais pensamentos costumam ocupar sua cabeça ao longo do dia? Compromissos do trabalho, tarefas da casa, aquela vontade de tomar um café ou simplesmente o desejo de voltar para a cama? Um estudo internacional sugere que a resposta para essa pergunta pode revelar muito mais do que parece - inclusive sobre o bem-estar.

Certos assuntos lideram os pensamentos do dia a dia; pesquisa também identificou quatro perfis mentais e sua relação com a felicidade
Certos assuntos lideram os pensamentos do dia a dia; pesquisa também identificou quatro perfis mentais e sua relação com a felicidade
Foto: Reprodução: Canva/Maridav / Bons Fluidos

Pesquisadores da Claremont Graduate University, nos Estados Unidos, e da Universidade de Wuhan, na China, analisaram os pensamentos de centenas de pessoas e identificaram quatro perfis predominantes. Além disso, observaram que o conteúdo dos pensamentos parece estar mais relacionado à felicidade do que fatores como renda, escolaridade ou estado civil.

Como o estudo foi realizado?

A pesquisa, divulgada na plataforma científica SSRN (ainda sem revisão por pares), acompanhou 258 voluntários norte-americanos, com idades entre 19 e 71 anos. Durante duas semanas, os participantes receberam notificações aleatórias no celular oito vezes por dia. Em cada uma delas, registravam o que estavam pensando naquele momento, o que estavam fazendo e como avaliavam o próprio nível de felicidade.

Ao final, os pesquisadores reuniram mais de 23 mil relatos sobre pensamentos conscientes, criando um retrato bastante detalhado daquilo que costuma passar pela mente das pessoas ao longo da rotina.

Trabalho, alimentação e cansaço lideram os pensamentos

Os resultados mostraram que os pensamentos acompanham o ritmo do dia. Durante o expediente, a maior parte das pessoas concentra a atenção em atividades profissionais. Já no período da noite, o foco costuma migrar para lazer, relacionamentos e momentos de descanso.

Entre os temas mais frequentes apareceram as sensações físicas, como sono, fadiga e desconfortos corporais, responsáveis por cerca de um quinto dos registros. Logo depois vieram assuntos relacionados ao trabalho e à alimentação.

Quando perguntados sobre o que desejavam naquele instante, quase metade dos participantes mencionou comida ou bebida - e o café apareceu repetidamente nas respostas. Outro dado curioso foi que descansar surgiu como uma das maiores necessidades do dia. Cochilos, relaxamento e sono estiveram presentes em quase 30% dos relatos.

Os pesquisadores também observaram que aproximadamente metade dos pensamentos era intencional, enquanto a outra metade surgia de maneira espontânea, como lembranças, devaneios ou pensamentos intrusivos.

O que pensamos pode influenciar o bem-estar?

O estudo buscou investigar, também, como os pensamentos afetam a felicidade de cada um. Embora os resultados não comprovem uma relação direta de causa e efeito, eles encontraram uma associação consistente entre aquilo que as pessoas pensavam e o nível de felicidade relatado.

Pensamentos ligados à música, hobbies e alimentação apareceram com mais frequência entre os momentos de maior bem-estar. Já pensamentos intrusivos estiveram associados a emoções mais negativas. Segundo os autores, o conteúdo da mente explicou mais diferenças nos níveis de felicidade do que características demográficas e socioeconômicas somadas.

Os quatro perfis de pensamento

Com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, a equipe identificou quatro grupos principais. Os pesquisadores destacam que essas categorias não são fixas: uma mesma pessoa pode transitar entre elas em diferentes fases da vida.

1. Os preocupados

Esse grupo dedica boa parte dos pensamentos a acontecimentos externos, como política, conflitos internacionais, segurança e problemas sociais. Durante a pesquisa, assuntos relacionados à pandemia, guerras e incertezas apareceram com frequência. Curiosamente, essas pessoas também pensavam muito em música, o que pode funcionar como uma forma de aliviar o peso emocional das preocupações.

2. Os domésticos

Aqui predominam pensamentos ligados à organização da rotina. Questões como tarefas da casa, finanças, compromissos e planejamento ocupam boa parte da atenção dessas pessoas. Elas também costumam refletir mais sobre livros, filmes, séries e outras narrativas, demonstrando um perfil voltado à resolução de problemas e ao planejamento do dia a dia.

3. Os pensadores corporais

Nesse perfil, o foco está voltado para o próprio corpo. Sensações físicas, emoções, dores, cansaço e saúde mental aparecem com frequência. Em média, esse foi o grupo mais jovem da pesquisa e também aquele que apresentou maior ocorrência de pensamentos intrusivos. Segundo os pesquisadores, esse padrão pode refletir momentos específicos da vida, especialmente períodos de maior estresse ou de desafios relacionados à saúde física e emocional.

4. Os que equilibram trabalho e lazer

O último grupo conseguiu reunir produtividade e qualidade de vida. Esses participantes pensavam bastante no trabalho, mas também dedicavam espaço mental para atividades prazerosas, como esportes, exercícios físicos, hobbies e momentos de relaxamento. Curiosamente, eles também apresentaram, em média, os maiores níveis de renda e de felicidade entre todos os perfis analisados.

Os resultados têm limitações

Apesar das descobertas, os próprios pesquisadores alertam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Todos os voluntários viviam nos Estados Unidos e pertenciam a um grupo populacional frequentemente utilizado em pesquisas científicas ocidentais, o que significa que esses padrões podem não representar pessoas de outras culturas.

Outro aspecto observado foi a possibilidade de que alguns participantes tenham evitado registrar pensamentos considerados muito íntimos ou constrangedores. Um exemplo foi o tema sexo, que apareceu pouquíssimas vezes em mais de 23 mil registros.

Mesmo com essas limitações, o estudo deixa uma reflexão interessante: prestar atenção ao que ocupa nossa mente ao longo do dia talvez seja uma forma de compreender melhor o próprio bem-estar. Afinal, embora nem sempre possamos controlar todos os pensamentos que surgem, cultivar espaços para atividades que tragam prazer, descanso e significado pode fazer diferença na forma como vivenciamos a rotina.

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