Seu filho reclama de dor de barriga? Pode ser ansiedade
Especialista explica que alguns sinais podem ser sinais do transtorno, até mesmo na infância
Psicopedagoga explica como identificar sinais que vão além das preocupações comuns da infância e quando buscar ajuda profissional
Dor de barriga recorrente, dores de cabeça frequentes, irritação, dificuldade para dormir e medo excessivo podem parecer problemas passageiros da infância. Mas também podem ser sinais de ansiedade. Embora seja uma emoção natural e faça parte do desenvolvimento humano, a ansiedade merece atenção quando se torna intensa, frequente e passa a interferir na rotina, no aprendizado e nas relações sociais das crianças.
A ansiedade pode afetar os pequenos
Segundo a psicopedagoga Aline Brito, do Colégio Sigma, os sintomas nem sempre aparecem de forma evidente. Muitas vezes, a criança tem dificuldade para expressar o que sente e acaba manifestando o sofrimento emocional por meio de mudanças de comportamento ou de sintomas físicos.
"Preocupações excessivas, medo intenso de determinadas situações, dificuldade para se separar dos responsáveis, alterações no sono e dores físicas sem causa médica aparente. Alem de irritabilidade, choro frequente, dificuldade de concentração e até a recusa em participar de atividades que antes eram realizadas normalmente podem indicar um quadro de ansiedade", explica.
As manifestações também variam conforme a faixa etária. Nas crianças pequenas, a ansiedade costuma aparecer por meio de maior dependência dos adultos, insegurança, birras, regressões no desenvolvimento e dificuldades para lidar com mudanças na rotina. Já entre os adolescentes, os sintomas tendem a estar relacionados ao desempenho escolar, à imagem pessoal, aos relacionamentos e às preocupações com o futuro.
O que leva a ansiedade na infância?
Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da ansiedade infantil. Mudanças significativas na rotina familiar, conflitos dentro de casa, excesso de cobranças, dificuldades de socialização, experiências de exclusão e pressão por resultados estão entre os principais gatilhos. A exposição excessiva às redes sociais também pode intensificar sentimentos de insegurança e comparação.
Para a especialista, o acolhimento dos sentimentos da criança é um dos passos mais importantes para enfrentar o problema. "É fundamental ouvir sem julgamentos e sem minimizar as preocupações. Quando a criança percebe que suas emoções são validadas, ela se sente mais segura para falar sobre o que está vivendo", afirma.
Aline destaca que manter uma rotina organizada, fortalecer os vínculos familiares e estimular o diálogo são atitudes que ajudam a promover segurança emocional e a desenvolver estratégias saudáveis para lidar com desafios e adversidades.
Nesse processo, a parceria entre família e escola também desempenha papel fundamental. Ambientes acolhedores e atentos ao desenvolvimento socioemocional podem favorecer a identificação precoce dos sintomas e oferecer suporte adequado às necessidades da criança.
Busque ajuda profissional
Quando os sinais persistem ou começam a comprometer a qualidade de vida, o acompanhamento psicológico pode ser um importante aliado. Além de ajudar a criança a compreender melhor suas emoções, o processo terapêutico contribui para o desenvolvimento da autorregulação emocional, da resolução de conflitos e do autoconhecimento.
"O acompanhamento psicológico não beneficia apenas a criança. Ele também orienta a família e a escola na construção de uma rede de apoio consistente, capaz de oferecer o suporte necessário para que ela se desenvolva de forma mais saudável", conclui a psicopedagoga.
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